Foto: Valquir Aureliano/Tribuna

Marcos Aurélio vibra com o primeiro gol do Atlético. É o quarto consecutivo do atacante, um por jogo na nova fase da equipe.

Um novo Atlético está reescrevendo a história do clube no Brasileirão. Ontem, o Furacão voltou a mostrar um futebol de raça, técnica e muita velocidade e venceu o Santos, por 2 a 1. Com a vitória, o Rubro-Negro deixou mais longe a zona de rebaixamento e já passa a figurar entre os que estariam classificados para a Copa Sul-Americana.

Jogando na Baixada, o Atlético tentou se impor desde o início, pressionando a defesa santista. Logo a 2 minutos, Cristian começou a atormentar a vida de Fábio Costa, batendo forte de fora da área e exigindo boa defesa do goleiro alvinegro. O lance se repetiu mais três vezes ainda no primeiro tempo, com Fábio tendo que trabalhar muito para evitar o gol atleticano.

Tocando a bola em velocidade e bem postado na marcação, o Furacão dava poucas chances ao ataque do Santos. Na melhor delas, Leandro subiu sozinho na área e cabeceou com perigo, mas para fora. Em sua estréia com a camisa 1 rubro-negra, Navarro Montoya mostrava segurança, deixando as coisas ainda mais difíceis para o Peixe.

O Atlético seguia insistindo, com ataques em alta velocidade. Dênis Marques e Marcos Aurélio tiveram boas chances de marcar, mas não conseguiram superar Fábio Costa.

Aos 37?, Fabrício bateu falta, a bola desviou na barreira e sobrou para Marcos Aurélio, livre na área, jogar a bola na rede. Mas a festa atleticana foi interrompida pelo bandeira Élson Sena Filho, que anulou o gol rubro-negro. As imagens de televisão mostraram que não existia impedimento.

Preocupado com a superioridade atleticana, Vanderlei Luxemburgo mudou o Santos para o segundo tempo. O volante Heleno entrou no lugar do zagueiro Domingos e Rodrigo Tabata substituiu André no meio-de-campo.

O Atlético não se importou com as alterações do adversário e tratou de fazer justiça no marcador.

Aos 5 minutos, Cristian tocou para Dênis Marques, que fez bom passe para Marcos Aurélio. O atacante se livrou da marcação com um belo drible de corpo e bateu no canto direito, sem chances para Fábio Costa. Foi o quarto gol de Marcos Aurélio em quatro jogos como titular do Furacão.

Depois do gol, o time rubro-negro recuou e deu espaço para o Santos avançar. Mas a defesa atleticana estava em noite inspirada, não dando chances ao ataque alvinegro.

E quando o Peixe partia para cima, o Furacão aproveitava para encaixar os contra-ataques. Foi assim que Dênis Marques, Cristian e Marcos Aurélio desperdiçaram boas oportunidades para marcar o segundo do Atlético.

Tentando recuperar a posse de bola, Vadão colocou Willian e Válber nos lugares de Fabrício e Dênis Marques. As alterações deram resultado imediato. Willian sofreu falta na ponta-direita. Válber cruzou na área e Willian, de cabeça, marcou o segundo do Furacão.

O Santos ainda diminuiu, aos 46?, mas não havia mais tempo para buscar o empate. Com os três pontos conquistados ontem, o Atlético chegou a 27 e subiu para a 11.ª posição.

No domingo, o adversário é o Botafogo, mais uma vez na Baixada.

CAMPEONATO BRASILEIRO 2006
21.a rodada
Súmula
Gols: Marcos Aurélio, aos 5?, e Willian, aos 40?, e Rodrigo Tiui, aos 46? do segundo tempo.
Árbitro: Djalma Beltrami (Fifa – RJ)
Assistentes: Hilton Moutinho Rodrigues (RJ) e Élson Passos Sena Filho (RJ)
Cartões amarelos: Michel, Jancarlos (Atlético), Jonas, Leandro, Domingos, Ávalos (Santos)
Local: Arena da Baixada, em Curitiba (PR)
Público: 12.567 (10.613 pagantes)
Renda: R$ 167.917,50

ATLÉTICO 2 x 1 SANTOS

Atlético
Navarro Montoya; Jancarlos, João Leonardo, Danilo e Michel; Erandir, André Rocha, Cristian e Fabrício (Válber); Denis Marques (Willian) e Marcos Aurélio (Herrera). Técnico: Vadão.

Santos
Fábio Costa; Domingos (Heleno), Ávalos e Manzur; Dênis, Maldonado, Cléber Santana, André (Rodrigo Tabata) e Kléber; Jonas (Rodrigo Tiui) e Leandro. Técnico: Vanderlei Luxemburgo.

Paulo Rink retorna depois de oito anos

Carlos Simon

Paulo Rink sempre disse que voltaria. Oito anos depois, cumpriu o prometido. Depois de rodar pela Europa e Ásia, o jogador que simbolizou o início da fase de reerguimento do clube está de volta à Baixada.

Aos 33 anos, o atacante deixa a ilha de Chipre, na Europa, onde defendia o Omonia Nicosia pelo segundo ano.

Na temporada 2005/06, marcou 23 gols e tornou-se vice-artilheiro da liga local. Mas antes do começo do novo campeonato, brigou com o técnico e recebeu punição disciplinar. Assim, aproveitou-se de uma cláusula em seu contrato (válido até junho de 2007) que o liberava sem pagamento de multa rescisória caso aparecesse interesse de um time brasileiro. A proposta do Atlético veio bem a calhar, até porque o jogador já pensava em deixar o pequeno país vizinho da Grécia.

Nascido

em Curitiba e torcedor declarado do Atlético,  Rink nunca desvinculou-se do clube que o projetou. Depois de fazer dupla  com Oséas, na campanha do título da Série B em  95, defendeu o Furacão até 97, quando foi vendido para o Bayer Leverkusen – a grana arrecadada, – US$ 6 milhões, permitiu ao Atlético dar o primeiro passo para a reconstrução de seu estádio. O curitibano fez sucesso no time europeu e virou o primeiro brasileiro a defender a seleção alemã – chegou a integrar o grupo que disputou a Eurocopa de 2000.

Em 99, Paulo Rink teve rápida passagem  pelo Santos.

A partir de 2001, quando deixou definitivamente o Bayer, começou a rodar – passou por Nüremberg e Energie Cottbus, Olympiakos Nicosia, Vitesse, Chonbuk Hyundai, novamente Olympiakos e por último Omonia Nicosia. Em meio às idas e vindas, sempre arrumava tempo para visitar a Baixada, nas férias, e não escondia a vontade de voltar ao Atlético. No começo de 2006, até viu-se envolvido  na contratação como auxiliar de Lothar Matthäus, seu ex-companheiro na seleção alemã. Na época, disse que não pensava em encerrar a carreira.  A volta do atacante foi viabilizada de última hora –

o prazo para transferências de jogadores vindos do exterior termina hoje. Rink deve chegar no Brasil e ser apresentado pelo Rubro-Negro no sábado.