Walter Alves
Jancarlos foi um dos
destaques rubro-negros e
deixou o meia Gerson no chão.

O Atlético ensinou ontem como pregar um peça. Malandro, o Rubro-Negro esperou o ímpeto do Paraná e explorou os contragolpes para marcar todos os gols da imponente vitória por 3 a 0, com dois de Denis Marques e um de Ferreira.

O triunfo no primeiro clássico da nova Vila Capanema deu ao Atlético a quarta colocação no Estadual e uma vaga praticamente assegurada na segunda fase.

Já o Tricolor, dois pontos e duas posições abaixo (entre ambos está o Coritiba), ainda precisa de mais três pontos pra se garantir.

O confronto entre os dois principais favoritos ao título não foi tão desigual quanto sugere o placar. Mas a estratégia do Atlético foi muito mais eficiente: atraindo o Paraná para seu campo, o Rubro-Negro explorou a velocidade e a categoria de seus atacantes, sempre mais efetivos que os defensores paranistas. Assim, marcou os gols da vitória, meteu uma bola na trave e ainda perdeu outras chances de ampliar o placar. ?O jogo estava equilibrado até a expulsão (de Joelson, aos 10 segundo tempo). A diferença é que fomos mais eficazes quando atacamos, enquanto o Paraná até pressionava, mas sem criar chances agudas?, avaliou bem o técnico Vadão, depois do jogo.

Já o Paraná sofreu com a atuação irregular de seus laterais – especialmente Egídio -, o individualismo exagerado de Dinelson, a jornada apática de Josiel e a expulsão de Joelson, excluído pelo segundo clássico seguido. ?Em casa é normal se expor mais. O Atlético aproveitou os espaços e definiu o marcador?, resumiu o capitão Beto.

Mas quando o Tricolor ficou com um jogador a menos já perdia por 2 x 0. O placar do primeiro tempo resultou de lances bem tramados pelo sistema ofensivo atleticano, com destaque para Alex Mineiro, Denis Marques e Jancarlos, quando avançava.

No primeiro gol, Alex fez passe brilhante para Denis, que ganhou da zaga na corrida e deslocou Flávio. No segundo, Evandro roubou a bola de Beto num lance polêmico (os paranistas pediram falta), avançou e rolou para Denis Marques tirar a bola do alcance de Flávio com um toque sutil.

Com um jogador a mais e vantagem folgada no marcador, o Atlético cadenciou o jogo no segundo tempo. Enquanto o Tricolor lutava bravamente e obrigava Cléber a trabalhar.

O panorama pouco mudou depois da expulsão de Válber, que jogou só 10 minutos, fez duas faltas e levou o vermelho. Já desorganizado na defesa, o Paraná permitiu que Ferreira surgisse livre à frente de Flávio, aos 47, para selar a quarta vitória seguida do Furacão sobre o rival – ou quinta, se incluído o jogo da Copa 100 Anos.

Denis é especialista em marcar contra o Paraná

Cahuê Miranda

Quando Denis Marques entra em campo para enfrentar o Paraná, a torcida rubro-negra já prepara a festa. Com os dois gols marcados ontem, o artilheiro rubro-negro ganhou status de carrasco do Tricolor. Nos últimos quatro clássicos, Denis balançou as redes paranistas quatro vezes.

E não são simplesmente gols. A camisa tricolor parece inspirar o atacante do Furacão, que tem premiado a galera com verdadeiras obras de arte contra o rival.

Já havia sido assim no último duelo. Pelo Brasileirão do ano passado, Denis fechou a goleada atleticana por 4 a 0 com um gol que ganhou até placa na Baixada. De forma espetacular, ele passou por quatro adversários, dentro da área, antes de tocar na saída de Flávio.

Ontem, ele foi o nome do jogo. Aos 22? do primeiro tempo, em um rápido contra-ataque, ele recebeu passe de Alex Mineiro e finalizou com tranqüilidade, abrindo o placar.

Mas o ato principal ainda estava por vir. Aos 40?, Evandro fez grande jogada e tocou para o artilheiro, que subia em velocidade pela esquerda. Ele invadiu a área e, com um toque de mestre, encobriu Flávio, colocando a bola na gaveta.

Craque com a bola nos pés, Denis não tem a mesma habilidade com as palavras. ?Sempre estou levando sorte contra o Paraná?, resumiu o matador.

Questionado sobre uma certa resistência da torcida com o seu nome, ele também foi sucinto. ?Acho que trabalhei bastante e graças a Deus chegou o meu momento?, afirmou Denis, que ontem deixou o gramado da Vila ovacionado pela galera.

Com os dois gols marcados ontem, Denis Marques se igualou a Alex Mineiro como principal artilheiro do Atlético em 2007. Os dois já marcaram sete vezes na temporada.

Vadão não perdoa

Quem também ?leva sorte? contra o Paraná é o técnico Vadão. Ontem, ele completou nove jogos contra o Tricolor como técnico do Atlético. Agora, Vadão soma seis vitórias, dois empates e apenas uma derrota.

Bem ensaiada

Uma vitória friamente calculada. A goleada do Atlético no clássico de ontem foi a execução perfeita do roteiro traçado no CT do Caju. ?A maior virtude da equipe foi a concentração. Tudo que a gente combinou eles cumpriram?, avaliou o técnico Vadão.

Segundo o treinador, a tática usada pelo Furacão na Vila Capanema foi ensaiada com insistência durante uma semana de treinos. ?Sabíamos da qualidade do Paraná, mas também que eles têm deficiências. Marcando os laterais, fizemos que os volantes deles saíssem para o jogo, abrindo espaço para os contra-ataques.

Nós planejamos, trabalhamos muito isso e falamos que, quando a gente roubasse a bola no momento em que os volantes saíssem, seria fatal?, revelou Vadão.

Para que o plano desse resultado, o Rubro-Negro soube usar com eficiência uma arma mortal: a velocidade de seu ataque. ?Nosso time é muito rápido do meio-de-campo para frente. Eu já havia dito que treinamos muito isso. Hoje funcionou e, quando funciona, é muito difícil ganhar da gente?, afirmou o zagueiro Danilo.

Mas o sistema defensivo também foi essencial para que o Rubro-Negro superasse seu rival na Vila. ?No jogo de hoje, nós marcamos muito bem, para poder explorar a velocidade do Ferreira, do Evandro, do Alex e do Denis. Chegávamos muito rápido ao gol do Paraná. Temos que continuar assim?, comemorou o volante Erandir.

Com os três pontos somados ontem, o Atlético chegou a 22 pontos e assumiu a quarta posição do Paranaense. O Furacão está empatado em pontos com o Coritiba, mas fica à frente devido ao seu poderio ofensivo. A goleada sobre o tricolor consolidou o ataque atleticano como o melhor do campeonato, com 33 gols.

Mesmo com a classificação para a segunda fase praticamente assegurada, Vadão afirma que o Atlético ainda está longe de atingir seu objetivo no estadual. ?Não vale nada vencer o clássico por 3 a 0 se o resultado final não for o que a gente espera. Estamos em busca do título?, concluiu o comandante rubro-negro.

Paraná já é freguês do Furacão

A torcida do Paraná já está ficando com trauma dos confrontos com o Atlético. Com a goleada de ontem, o Furacão chegou a sua quinta vitória seguida no clássico. No ano passado, o Rubro-Negro bateu o Tricolor na Copa dos 100 Anos (3 a 1), no segundo turno do Brasileirão (4 a 0) e duas vezes pela Sul-Americana (3 a 1 e 1 a 0).

A seqüência fez o Atlético abrir ainda mais vantagem no histórico do confronto. Agora, o Rubro-Negro soma 24 vitórias, contra 24 empates e 19 triunfos tricolores. O time da Baixada ainda quebrou ontem a invencibilidade paranista na Vila Capanema, que já durava quatro meses. A última derrota do Tricolor em seu estádio havia sido no dia 22 de outubro de 2006, quando o Flamengo venceu por 2 a 0.

Nenhuma surpresa, já que o Furacão tem ampla superioridade nos clássicos disputados na Vila. Em cinco jogos, o Rubro-Negro soma quatro vitórias e apenas uma derrota.

Tranqüilidade total

Se o clássico pegou fogo dentro de campo, nos bastidores a paz reinou entre as torcidas. O único fato que criou um pouco de tensão aconteceu quando o zagueiro atleticano Marcão foi substituído. Um torcedor arremessou um copo em direção ao gramado, mas foi repreendido duramente pelos paranistas e detido pela PM. No final do clássico, dois torcedores foram detidos por desacato aos policiais.

Facada

A torcida rubro-negra ficou na bronca com o preço do ingresso. A diretoria tricolor cobrou R$ 40, enquanto os paranistas que ficaram em um local equivalente pagaram apenas R$ 15.

Os dirigentes do Paraná evocaram o princípio da reciprocidade, dizendo que o mesmo valor é cobrado dos adversários na Arena. A diferença é que o Atlético estabelece os mesmos preços para sua torcida. Se fosse adotar o mesmo critério usado ontem, o Rubro-Negro cobraria dos visitantes 2,66 vezes mais. Ou seja, R$ 106,60.

CAMPEONATO PARANAENSE
1ª FASE – 13ª RODADA
Gols: Denis Marques, aos 22 e aos 42 do 1º, e Ferreira, aos 47 do 2º
Cartões amarelos: Daniel Marques, Egídio e Gerson (P), Danilo e Marcão (A)
Cartões vermelhos: Joelson, aos 10 do 2º e Válber, aos 36 do 2º
Público: 7.381 pagantes (total: 8.102)
Renda: R$ 102.441,00
Local: Durival Britto
Árbitro: Evandro Rogério Roman.
Assistentes: José Amilton Pontarolo e Altair Luiz Daghetti

Paraná 0x3 Atlético

PARANÁ
Flávio; André Luiz (Alex, aos 31 do 2º), Daniel Marques, Neguete e Egídio (Lima, aos 41 do 2º); Xaves, Beto, Gérson (Vinícius Pacheco, aos 33 do 2º) e Dinelson (Lima ou Goiano); Joelson e Josiel. Técnico: Zetti.

ATLÉTICO
Cléber; Jancarlos (Nei, aos 37 do 2º), Danilo, Marcão (Rogério Correia, aos 14 do 2º) e Michel; Erandir, Alan Bahia, Evandro (Válber, aos 26 do 2º) e Ferreira; Alex Mineiro e Denis Marques. Técnico: Oswaldo Alvarez.