Jádson foi um dos destaque contra o Cruzeiro.

O Santos ganhou no sábado e ficou na torcida contra o Atlético para disparar na liderança do Campeonato Brasileiro. Ficou só na torcida. Quem tem Jádson, Dagoberto, Ivan e Washington faz a diferença. Numa tarde de quebra de recordes, o Rubro-Negro arrasou o Cruzeiro em pleno Mineirão, por 4 a 2 e polarizou a disputa da competição com o Peixe, os dois com seis pontos a mais que o segundo colocado. Chegou a 13 jogos sem perder e seu principal matador se tornou o maior artilheiro do clube na história do nacional, com 19 gols. O próximo compromisso será o Flamengo, domingo, na Arena.

A tática armada pelo técnico Levir Culpi para caçar a Raposa era esperar os mineiros e partir na velocidade para surpreender o adversário. Faltou entrar em campo acordado. Jogando um futebol sonolento, o Furacão começou vendo a banda passar e, com poucos minutos, já estava perdendo por 1 a 0. Após um bom cruzamento de Jussiê da esquerda, Guilherme entrou livre e cabeceou para abrir o placar.

O Atlético esboçou uma reação com Washington, mas foi o Cruzeiro quem teve chance de ampliar. Numa bela jogada, de todo o ataque azul, a bola sobrou para Sandro chutar de primeira e Diego espalmar no reflexo. Foi a deixa para o time de Levir finalmente acordar em campo. O meio-de-campo equilibrou o domínio de jogo e o ataque passou a ser mais efetivo. Washington teve as melhores oportunidades, mas só quando foi puxado por Sorín é que o gol finalmente saiu. O gringo acabou expulso e o matador não desperdiçou a cobrança de pênalti e deixou tudo igual.

Com um a mais no segundo tempo, o Rubro-Negro começou arrasador e nem deixou o Cruzeiro respirar. O ala-esquerdo Ivan recebeu uma bola na intermediária e chutou no ângulo. O goleiro Artur ainda desviou, mas a bola morreu no fundo do gol. Ainda comemorando a virada, Dagoberto foi lançado pela direita e passou para Jádson. O meia limpou do zagueiro e chutou no alto, sem chances para Artur.

Perdendo por 3 a 1, Marco Aurélio colocou o time para frente com Fred, mas a tática atleticana se mostrou mais eficiente. Em nova jogada de velocidade, Dagoberto invadiu a área pela esquerda e foi abalroado por Maldonado. Mais um pênalti, mais um que Washington não desperdiçou. Goleando, o time de Levir encolheu e esperou a Raposa. Mesmo assim, apenas Fred mostrou competência para tentar. Após muita insistência, com grandes defesas de Diego, ele recebeu pela esquerda e virou para diminuir.

Com o resultado, o Rubro-Negro chegou a 13 jogos consecutivos sem perder em brasileiros e Washington quebrou o seu recorde de gols marcados numa mesma edição e se tornou o maior matador do Furacão. Ele tinha 18 pela Ponte Preta no campeonato de 2001 e, agora, chegou a 19, passando Kléber e Alex Mineiro, que marcaram 17, também em 2001.

Para Levir Culpi, equilíbrio virou marca

O Atlético saiu perdendo para o Cruzeiro, empatou, ficou com um jogador a mais e não se abalou. Ao contrário de outros jogos, o time soube manter a mesma postura em campo, conseguiu a virada e se manteve na vice-liderança do Campeonato Brasileiro. De acordo com o técnico Levir Culpi, tudo isso foi fruto, principalmente, do equilíbrio emocional da equipe, que mantém o Rubro-Negro à caça do Peixe.

“Na expulsão do Sorín, a coisa muda, é difícil ficar com dez jogadores hoje em dia. Os times estão muito firmes e qualquer vacilo você acaba cedendo para o adversário. No equilíbrio emocional dos jogadores, ficou evidenciado o mérito da vitória do Atlético”, destacou o treinador. Segundo ele, esse equilíbrio propiciou a manutenção da regularidade na competição. “Matematicamente, estamos bem próximo do Santos e precisamos manter a nossa regularidade”, apontou.

Segundo Levir, quem quer ser campeão não pode mais vacilar: “Quem quiser chegar na ponta não pode vacilar e, felizmente, hoje (ontem) tivemos um resultado muito expressivo e ganhamos força, agora, para jogar em casa contra o Flamengo”, analisou. Já o artilheiro Washington vai além e diz que o time poderia ter feito muito mais gols. “O time está de parabéns, está se ajudando e espero que a gente mantenha essa mesma humildade, essa mesma pegada nos próximos jogos”, disse.

Desfalques

Para a partida contra o Flamengo, às 16 horas de domingo, na Arena, Levir não poderá contar com o zagueiro Marcão, o volante Alan Bahia e o meia William. Os três tomaram o terceiro cartão amarelo na partida de ontem e terão que cumprir suspensão automática. Em compensação, o zagueiro Rogério Correia e o volante Fabiano estarão de volta, além da possibilidade de o atacante Dênis Marques, recém-contratado, poder ser aproveitado.