Rogério Correia persegue o goleador
da noite, Tiago Gentil, que marcou dois.

“Nunca vi nada igual, perder assim para nossa filial”. O grito da torcida atleticana que foi a Florianópolis reflete o estado de coisas por que passa o Atlético no Campeonato Brasileiro. Como já era esperado, o Rubro-Negro não conseguiu superar seus problemas internos e perdeu para o Figueirense por 3 a 2. O resultado empurra o time mais para baixo na tabela e deverá provocar novas alterações na comissão técnica e científica. Foi a quarta partida do técnico Gílson Nunes à frente da equipe, que conquistou apenas dois pontos.

Pressionado pela necessidade da vitória, o Atlético demorou a engrenar. Com os nervos à flor da pele pelas quatro partidas sem vencer, nem parecia que era o campeão brasileiro que estava enfrentando um recém-egresso da segunda divisão. Tinha até o vento a favor na primeira etapa, mas o nervosismo impediu que o Rubro-Negro impusesse seu ritmo de jogo e mandasse na partida. Ao contrário, era o Alvinegro que empurrava o adversário para o seu campo e buscava a abertura do placar. O Atlético aproveitava alguns contra-ataques esporádicos, mas parava nas boas defesas do goleiro Édson Bastos e na falta de calma. Os volantes Cocito e Douglas Silva abusaram das jogadas ríspidas e agradeceram a boa vontade do árbitro que não mostrou o vermelho para nenhum dos dois.

O Figueirense não se intimidou e partiu para cima. O primeiro gol não demorou a sair. Após um cruzamento de William, Tiago Gentil cabeceou para inaugurar o placar. A desvantagem despertou a fúria da torcida atleticana que foi a Florianópolis. Jogadores e comissão técnica teve que ouvir o coro de “volta Geninho e Riva”. A provocação mexeu com os brios dos jogadores que partiram para cima e pressionaram os catarinenses. O empate veio logo em seguida com Adriano. Ele recebeu de Kléber e chutou no ângulo.

O gol da virada só não veio na seqüência porque o goleiro alvinegro fez milagres após uma blitz do Furacão da Baixada. “É um jogo muito difícil, o vento está atrapalhando e vamos buscar melhorar no segundo tempo”, analisou o goleiro Flávio.

Ele tinha razão. O time precisava melhorar muito para encarar o Figueira e o vento, mas aconteceu justamente o contrário. O time aceitou a pressão catarinense e, num rebote do goleiro Flávio, Paulo Sérgio acertou em cheio a meta atleticana. Novamente, o Atlético precisou tomar o gol para acordar. O empate veio com Kléberson, que recebeu na área e tocou na saída de Édson Bastos. A igualdade acomodou novamente os rubro-negros e deixou o jogo para o Figueirense.

Empurrado pela torcida, os catarinenses foram para cima e o desempate não demorou a vir. O atacante Tiago Gentil cobrou uma falta com perfeição e fez a festa novamente no Estreito. Para piorar as coisas, o técnico Gílson Nunes trocou Cocito por Dagoberto, abriu a equipe e facilitou ainda mais as coisas para o Figueira. Logo em seguida, foi a vez do atacante Kléber complicar ainda mais. O artilheiro pisou por trás no volante Cláudio e foi expulso pelo árbitro Paulo César de Oliveira.