Foto: Walter Alves

Marcelo Ramos, que jogava no Santa Cruz, sabe como é difícil encarar o Náutico, ainda mais com o apoio da torcida.

Se dentro da Arena o Furacão entrou nos eixos, atuando fora ainda há muito para melhorar. Longe de seus domínios, foram 14 partidas, com apenas três vitórias, três empates e oito derrotas. Aproveitamento de 28,6%. Na era Ney Franco, apesar de o time ter melhorado em muitos aspectos, jogar sem o apoio da torcida ainda tem sido um problema. Foram quatro jogos e três derrotas – aproveitamento de 25% dos pontos disputados. A única vitória foi contra o Goiás, numa partida bem disputada, na qual os jogadores atleticanos demonstraram muita técnica e disposição para quebrar a invencibilidade dos goianos no Serra Dourada, que perdurava dez rodadas.

Hoje, às 18h10, contra o Náutico, o Furacão jogará com o moral elevado pelas vitórias obtidas na Arena. Porém, do outro lado, estará o Timbu que vem ainda mais embalado. Não perde há cinco rodadas e venceu as quatro últimas partidas.

Os jogadores atleticanos já afirmaram que o importante nesse jogo é somar pontos. É disso que o time precisa para se afastar ainda mais da zona de rebaixamento e consolidar a posição de candidato a uma das vagas para a Sul-Americana de 2008. O importante, em Recife, é não perder. ?Num campeonato como o Brasileirão, você tem que somar pontos fora, ainda mais na situação em que nos encontramos?, resumiu Ramon.

Mas o Furacão encontrará grandes dificuldades para voltar para Curitiba com três pontos na bagagem. De acordo com o meia Netinho, que atuou em 2006 no Alvirubro, jogar no Estádio dos Aflitos é sempre muito difícil, pois o Náutico cresce com o apoio da torcida e o gramado é bem irregular, o que facilita para o time da casa que está acostumado com o piso.

Time

Durante o treinamento de ontem, no CT do Sport, o técnico Ney Franco definiu o time que buscará mais uma vitória no Brasileirão. A experiência de Rogério Corrêa falou mais alto e o jogador confirmou sua presença na zaga ao lado de Danilo e Antônio Carlos. Rhodolfo vai para o banco. No lugar de Valencia, Alan Bahia ganhou a preferência do treinador e também terá nova chance como titular, assim como Ramon, que substitui o suspenso Netinho. No restante da equipe não há mudanças.

O atacante Marcelo Ramos, que há três semanas ainda jogava no rival Santa Cruz, afirmou que o Náutico é uma equipe de qualidade e que o Atlético terá muitas dificuldades para superá-lo. ?É uma briga direta para melhorar a posição no campeonato?, finalizou.

Netinho foi o principal destaque do Náutico em 2006

Foto: Valquir Aureliano

Se jogasse hoje, o armador rubro-negro seria homenageado pela diretoria do clube pernambucano.

Se estivesse hoje em campo, no Estádio dos Aflitos, em Recife, Netinho seria o astro principal. Mas o terceiro cartão amarelo recebido contra o Paraná, na última rodada, impediu que o jovem viajasse com a delegação para mais um decisivo jogo pelo Brasileirão. A ausência dele será sentida pela equipe, pois o atleta estava em sintonia com seus companheiros, produzindo boas jogadas e marcando gols com a camisa rubro-negra.

A notoriedade do meia-armador em terras nordestinas é facilmente explicada. Se atualmente ele é um dos destaques do Furacão, no ano passado era ídolo da torcida do Náutico, clube pelo qual ganhou reconhecimento nacional, na disputa da Série B.

Em 2006, Netinho foi emprestado pelo Rubro-Negro para o time pernambucano e fez seu nome por lá. O ?garoto das cambalhotas? foi um dos destaques do Timbu e deixou saudades. Consultas feitas a jornais de Recife, da época, enaltecem a passagem do armador pelo Náutico, considerando-o como um dos grandes responsáveis pela ascensão do clube à Série A. Netinho foi o principal artilheiro do time naquele ano, com 23 gols, e também tornou-se o cobrador oficial de pênaltis. Fez sucesso jogando na frente ou como armador, municiando seus companheiros de ataque. Em apenas um ano conquistou o Alvirrubro, tornando-se o xodó da torcida.

Após quase dez meses longe do Nordeste, pois voltou para o Atlético no início deste ano, Netinho ainda fala com muito carinho de sua rápida, mas positiva passagem pelo Náutico. ?Foi muito bom, porque saí por baixo daqui (Atlético) e eles me abriram portas. Só tenho a agradecer ao Náutico e a atenção dada por todos – diretoria e torcida. Tenho boas recordações. Até hoje recebo emails do pessoal de lá?, conta o jovem, satisfeito com a marca deixada em Recife.

Quando ele chegou no Alvirrubro, todos estavam abatidos pela permanência na Série B, em virtude da derrota sofrida para o Grêmio na histórica ?Batalha dos Aflitos?. ?Aos poucos, as coisas melhoraram e fomos acertando a equipe, o que resultou na subida à Série A. Fui o artilheiro do ano no Náutico e considerado o melhor jogador de Pernambuco. Felizmente consegui retribuir no campo todo o carinho e confiança depositados em mim?, afirmou.

Caso jogasse hoje, Netinho seria homenageado pela diretoria do Náutico com uma placa comemorativa.

?O que fiz no Náutico é que me ajudou a retornar para o Atlético. Espero ter uma boa continuidade de jogos e me destacar por aqui também?, finalizou o jovem que tem como meta o retorno à titularidade do Furacão.

28.ª Rodada do Campeonato Brasileiro

Náutico x Atlético-PR

Local: Estádio dos Aflitos, em Recife (PE)

Hora: 18h10

Náutico – Fabiano; Sidny, Onildo, Everaldo e Júlio César; Daniel Paulista; Radamés e Geraldo; Acosta, Marcelinho e Felipe. Técnico: Roberto Fernandes.

Atlético PR – Viáfara; Danilo, Rogério Correa e Antônio Carlos; Jancarlos; Alan Bahia, Ramon, Claiton e Piauí; Ferreira e Marcelo Ramos. Técnico: Ney Franco.

Árbitro: João Alberto Gomes Duarte (RN)

Auxiliares: Alessandro Rocha (BA) e Adson Marcio Lopes Leal (BA)