Enquanto a maioria dos os clubes brasileiros sofre com o alto número de lesões por fadiga e estresse muscular na reta final do Campeonato Brasileiro, o Atlético comemora uma realidade diferente.

Segundo Edílson Thiele, diretor médico do Rubro-Negro, a média mundial aponta que, no mínimo, 10% do elenco é vetado pelo departamento médico na fase final de uma temporada. No Furacão, que tem cerca de 40 jogadores, esse número é bem menor. E mais: o médico não indica nenhuma lesão por fadiga.

Na maratona da jornada dupla, com jogos no fim de semana e no meio de semana, entre a 15.ª e 29.ª rodadas, o Atlético foi o clube que menos teve problemas.

Thiele explica que as ausências ou foram por precaução ou por lesões causadas por lances individuais, como no caso de Nieto e Maikon Leite, que sofreram torção de tornozelo em treinos no CT do Caju.

Deivid (joelho), Vítor (tornozelo) e Bruno Mineiro (face do pé) são os casos que precisaram de maior tempo para recuperação na reta final. O trio é dúvida para o jogo de sábado, contra o Goiás.

Nos demais casos, de acordo com Thiele, não houve veto por lesão, e sim para evitar problemas sérios.”Tivemos problemas, não de ordem muscular pelo excesso de jogos, por que fazemos a prevenção e antes de ter o problema evitamos que o jogador vá a campo”, explica.

Com o departamento médico quase sempre vazio, o Atlético conseguiu uma redução de 30% no número de problemas de ordem muscular, em relação a 2009. São dados  que impressionam.

“Se levarmos em conta nossas lesões, tivemos apenas o Márcio Azevedo, como caso mais grave, em jogo antes mesmo desta maratona. Eu estou impressionado com estes números. Foram poucas lesões, muito menos que no ano passado”, comentou Thiele.

Em clubes com a mesma estrutura do Atlético, com centro de treinamento avançado, os números na fase crítica do Brasileiro são bem maiores. Cruzeiro (11 vetados), Atlético-MG (09) e São Paulo (07) são exemplos. Para Edílson, esses números ressaltam ainda mais a eficácia da tática adotada no CT do Caju, em trabalho conjunto às novas tecnlogias.

“Esse novo avanço se deve ao trabalho de prevenção que fazemos com a integração dos departamentos médico, de fisiologia, fisioterapia e preparação física. Não somos melhores que ninguém, mas esse trabalho é nosso diferencial”, explicou Thiele.

Além da integração, o equipamento chamado isocinética, para detectar precocemente qualquer alteração de ordem muscular, é fundamental no sucesso do departamento médico.

Desde que o aparelho começou a ser utilizado frequentemente, há dois anos e meio, a realidade atleticana é outra. Há uma constante queda nos índices de lesões.

“Temos uma especialista que trabalha com o equipamento, com mestrado nestes casos. A qualquer sinal de problema muscular o jogador inicia o tratamento. Há uma grande diferença em você detectar precocemente uma possível lesão”, ressaltou.