Adriano foi o bicho do jogo e decidiu com
um gol em cada etapa contra o Guarani.

A vaga para a Copa Sul-Americana está cada vez mais próxima para o Atlético. Não que seja líquido e certo que o time comandado por Mário Sérgio vá conseguir participar da competição internacional na temporada 2004, mas o Rubro-Negro vem cumprindo boa campanha nesta reta final de campeonato brasileiro – já são três vitórias seguidas nas últimas três rodadas -, auxiliado ainda pelos resultados dos adversários diretos pela vaga. E sorte não pode ser descartada num momento como este.

Encerradas as partidas de ontem, no complemento da 44.ª rodada, o time de Mário Sérgio pode comemorar a manutenção da 11.ª posição na tabela, com 59 pontos conquistados – foi beneficiado pelo derrota do Corinthians com o Bahia (2 x1), além das derrotas do Criciúma para o Grêmio (0x2) e do Figueirense para o Vasco (1×0), no sábado.

Caso o campeonato terminasse hoje, o Atlético estaria de volta a uma competição internacional. Mas o próprio treinador atleticano revela não ser esta a prioridade do Atlético. E a prova disso foram as experiências realizadas pelo comandante atleticano diante do Guarani, colocando dois zagueiros de ofício na lateral-esquerda – casos de Isaías, que saiu no intervalo para dar oportunidade de estréia ao ex-júnior Tiago Costa no time titular -deixando o jogo à mercê do Guarani durante boa parte do segundo tempo, quando o Bugre teve muitas oportunidades de marcar, mas pecou nas finalizações.

Em certos momentos, o time foi vaiado com veemência pelos pouco mais sete mil torcedores que foram à Arena na morna tarde de sábado. Mas valeu a estrela de Adriano, que estava em tarde inspirada, marcou dois gols e salvou o time de um castigo pelos laboratórios feitos por Mário Sérgio, que na coletiva após a partida, disse ter sido necessário colocar Tiago Costa, “para evitar os avanços do perigoso lateral Ruy”. Segundo o treinador, a única função de Costa seria a de marcar. E isso ficou claro para quem viu o jogo, pois Tiago pode ser um zagueiro de futuro, mas está muito longe de ter cacoete de apoiador.

Caso Jádson

Para Mário Sérgio, o atacante talentoso e de toque refinado não pode, hoje em dia, se resumir a atacar. “Na hora que o Jádson entender que o jogador moderno precisa ajudar na marcação, ele será titular do Atlético”, ensinou Mário, usando como exemplo Alex Mineiro: “veja o caso do Alex. Ele, mesmo sendo veterano, nunca deixa de dar combate à saída de bola adversária”, ponderou o técnico.

Vitória veio após as vaias

Não foi uma apresentação de gala, mas o Atlético somou sua terceira vitória seguida no campeonato brasileiro no sábado, contra o Guarani, na Arena da Baixada, para pouco mais de sete mil pessoas. A vitória e a combinação de resultados colocaram a equipe na 11.ª posição, com 59 pontos, ficando mais perto da vaga na Copa Sul-Americana de 2004. Já o Bugre, com 58 pontos, caiu para o 13.º lugar e se complicou na busca de um calendário internacional.

Jogando apenas com Alex Mineiro na frente, o Atlético povoou o meio-campo, mas foi do Guarani a pressão inicial. Aos poucos, entretanto, o time da casa passou a equilibrar as ações, neutralizando as investidas bugrinas. O gol da vantagem atleticana saiu apenas no fim do primeiro tempo, dos pés do meia Adriano. Ele aproveitou a jogada de Alex Mineiro, que matou a bola e tocou para Luciano Santos. O volante tentou duas vezes e no rebote, Adriano emendou uma bomba, fazendo 1×0.

No segundo tempo, Mário Sérgio decidiu que deveria parar o lateral-direito Ruy. Para tanto, tirou Isaías, que não vinha bem, e colocou, improvisado, o zagueiro Tiago Costa, que fez sua estréia no time titular. Além dele, também entrou Tiago Vieira, substituindo Daniel (lesionado).

A mudança, do outro lado, foi de ordem técnica. Barbieri sacou Dinélson, anulado por Alan Bahia, colocando Marquinhos. A alteração bugrina resultou numa verdadeira blitze do alviverde campineiro, ainda mais depois da entrada de Esquerdinha, no lugar de Gílson, com o Guarani dando sufoco, e a torcida ensaiando vaias e se irritando com erros de passes dos atleticanos.

Mas o Atlético se salvou num contra-ataque rápido. Novamente Luciano Santos, Alex e Adriano foram os protagonistas, com direito a passe de calcanhar do centroavante para o meia, que ainda deixou Juninho no chão, antes de fuzilar Jean.

Nem deu tempo de comemorar e o Guarani descontou. Livre de marcação, Leandro Guerreiro arriscou um chute da intermediária, e venceu Diego. O Guarani seguiu para o ataque, em busca da igualdade no placar, e o Atlético seguiu nos contra-ataques. No último minuto dos descontos, Jádson aproveitou para deixar sua marca, fechando o placar da partida. Agora o Rubro-Negro terá pela frente o Vasco, enquanto o Guarani enfrenta o Paysandu.

Italianos queriam Dago, mas clube não negocia

Entre os mais de sete mil assistentes que foram à Arena na tarde do último sábado, dois estiveram no moderno estádio atleticano a convite do assessor da diretoria atleticana Mário Henrique. Os italianos Lanfranqui Jeanbatista e Jeanfranco Pedin, que são obeservadores do Milan, assistiram a partida. A intenção da dupla era acompanhar o desempenho de Dagoberto, mas como o atacante está servindo à seleção, e o presidente Mário Celso Petraglia já avisou que Dagol só será vendido depois de 2005, eles aproveitaram para ver outros atletas.

Segundo Mário Henrique, que é procurador de Jádson no Brasil, Jeanbatista é o chefe dos observadores do poderoso rubro-negro italiano, e ontem esteve em Goiânia assistindo ao confronto entre Goiás e Santos.

Lanfranqui Jeanbatista e Jeanfranco Pedin ficaram impressionados com a estrutura do clube e chegaram a fazer elogios aos trabalhos que observaram durante a semana, principalmente ao técnico dos juniores, Lio Evaristo.

Pré-temporada no México?

Mesmo que não consiga confirmar a vaga na Copa Sul-Americana, o Atlético já tem uma viagem internacional agendada: vai começar o ano no exterior. Pelo menos é essa a programação que está sendo alinhavada entre a direção rubro-negra e dirigentes do Monterey, time mexicano com o qual o Atlético disputou um amistoso no mês de setembro, em Dallas, nos Estados Unidos, e quando surgiu a oportunidade.

Com isso, a pré-temporada de preparação do time será no México. O embarque está marcado para o dia 2 de janeiro. Dia 10, haveria um novo amistoso contra o Monterey, e a equipe ficaria treinando em terras mexicanas até o dia 20. No dia 21 de janeiro a delegação embarcaria de volta, estreando, contra o Prudentópolis no dia seguinte, no campeonato paranaense 2004, na Arena da Baixada.

A viagem ainda não foi confirmada por um único detalhe: é preciso fechar o amistoso contra o Monterey. E para isso, a direção do Atlético deve fechar a negociação nos próximos dias.

Caso contrário, o Rubro-Negro deverá fazer sua preparação em Balneário Camboriú, no Litoral Norte catarinense.

Reforços

Para que a pré-temporada atleticana, seja ela no exterior ou não, cumpra com sua função, o técnico Mário Sérgio fez um pedido especial aos dirigentes: quer o grupo definido até o final deste mês. Ele entende que não adianta trazer reforços depois disso, pois iria dificultar sua estratégia de formar um grupo coeso.

Para tanto, Mário Sérgio tem feito ao menos três reuniões semanais com o presidente Mário Celso Petraglia e o assessor da diretoria, Antônio Carletto Sobrinho, para discutir sobre nomes que poderão integrar o elenco na próxima temporada.

Em conversas reservadas, o treinador atleticano descarta Fabrício Carvalho, desligado da Ponte Preta, e Renato, do Corinthians. Não que não queira um deles, mas nega que tenha indicado a dupla.

Um nome, porém, ficou praticamente fechado após o confronto de sábado, contra o Guarani. O volante Leandro Guerreiro teria conversado com o próprio Carletto, e feito um primeiro acerto com o dirigente rubro-negro. A conversa final, no entanto, teria que ser feita também com o Internacional de Porto Alegre, time com o qual o volante tem contrato até 2005.