Atlético 1×0 Millonarios. Há quem diga que a vantagem construída na partida da última quarta-feira (1) é pequena. Claro que não é aquela frente que sirva para dizer que a série está resolvida. Há ainda muito jogo pela frente, e a partida desta quarta (8), às 21h45, no El Campín, em Bogotá, será muito complicada. “Se já foi complicado aqui, você pode imaginar como vai ser lá”, disse Paulo André, ainda no estacionamento da Arena, depois do jogo de ida da segunda fase da Copa Libertadores da América. A parada é dura, e quem ficar por aqui e acompanhar pela TV que se prepare para muita tensão.

Mas isto não significa dizer que o Furacão chegou na Colômbia com pouco nas mãos. Pelo contrário, tem dois trunfos bastante importantes: primeiro, a vantagem do empate; segundo e talvez mais importante, o fato de não ter sofrido gols em casa. São cartas na manga que colocam o time com um passo na frente dos adversários, e permitem que Paulo Autuori tenha, em última análise, a vantagem de mexer nas peças em cima do que Miguel Ángel Russo fizer. E com a vantagem de ter Nikão desta vez.

A diferença que Nikão fará entrando na vaga que foi de Crysan será sentida desde o primeiro minuto. O meio-campo do Atlético terá mais opções de jogo, mais troca de passes, mais possibilidade de arremates de média distância (o que é muito interessante num jogo disputado em mais de 2.600 metros de altitude) e, principalmente, mais conexão entre defesa e ataque, pois ele pode ajudar na transição e facilitar a vida de Lucho González, que deve ser titular apesar de uma preferência da maioria por Matheus Rossetto.

Com Pablo e Felipe Gedoz, o Furacão precisará ter contra-ataque, velocidade de jogo. É preciso fazer a bola chegar mais a Grafite. No jogo de ida, convenhamos, o centroavante teve apenas uma chance, a do pênalti que ele converteu. Mesmo assim, segurou pelo menos três defensores (os dois zagueiros e o volante Duque) e é sempre uma ameaça ao Millonarios. Por isso, não se pode deixar de atacar. Um gol atleticano muda o jogo, obriga os colombianos a marcar três para se classificar. Ter força ofensiva é fundamental – ainda mais agora, que Paulo Autuori conhece o adversário.

E a frase acima já define que não se pode jogar com a vantagem achando simplesmente que não tomar gol resolve a parada. Ficar na retranca é praticamente suicídio, porque os colombianos vão pra cima, como ficou evidente na Baixada. A melhor forma de encarar o Millionarios é sendo corajoso, exatamente como a torcida espera que o Furacão seja em Bogotá.