Logo após o recorde de público confirmado pela torcida do Paraná Clube, na Arena da Baixada, na vitória por 1×0 sobre oo Internacional, pela Série B do ano passado, atleticanos e até coxas-brancas garantiram que não demoraria para que a marca de 39.414 pessoas no estádio Joaquim Américo, fosse superada. Mas, na prática, não foi isso que aconteceu. O Atlético sequer chegou perto disso. Dono dos recordes de Couto Pereira, Vila Capanema, Vila Olímpica e até do Janguito Malucelli, o Furacão não consegue ter este status dentro da sua própria casa.

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Vários fatores influenciaram diretamente para que o ‘Caldeirão‘ não pudesse entrar em ebulição. A primeira questão diz respeito à briga entre a torcida organizada Os Fanáticos e o presidente do Conselho Deliberativo Mário Celso Petraglia. Desde 2016, as duas partes não se entendem.

Petraglia teve vários argumentos ao longo desse período contra a presença da torcida no estádio. O mandatário já falou que episódios de vandalismo prejudicaram o clube, que o valor promocional pago pelos membros da torcida causa prejuízos aos cofres e até que a presença da organizada afasta a família dos estádios, citando a caveira símbolo da TOF como assustadora.

Foram várias tentativas de acordo. A última garantia à Fanáticos a volta de um lugar privilegiado dentro da Arena – o setor inferior da Coronel Dulcídio. O acordo não foi cumprido e a organizada continua sem poder entrar na casa atleticana sem vestimentas do grupo.

Torcida do Paraná Clube lotou a Arena da Baixada no ano passado. Foto: Albari Rosa.
Torcida do Paraná Clube lotou a Arena da Baixada no ano passado. Foto: Albari Rosa.

A decisão de implementar a entrada da torcida única dentro da Baixada, uma sugestão do Ministério Público do Paraná (MP-PR), também impactou no número de atleticanos no Joaquim Américo. Além de vetar a presença de visitantes – o que ‘engordaria‘ o público – muitos torcedores se sentem inseguros em ir aos jogos, já que pode haver torcida infiltrada nas arquibancadas.

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Uma ‘cartada‘ da diretoria atleticana para atrair seu torcedor foi abaixar os valores dos ingressos, inclusive oferecendo desconto para quem adquire a entrada de forma adiantada, e dos planos de sócios. Bilhetes avulsos custavam, no mínimo, R$ 70 e agora passaram a R$ 35 o mais acessível.

Os valores mais baixos para associados eram de R$ 150 e agora passaram para R$ 45 a meia-entrada (R$ 90 a categoria inteira da categoria mais barata). Ainda assim, o apelo não surtiu efeito, e a presença no estádio continua baixa. A última partida realizada no Joaquim Américo, por exemplo, entre Atlético e Paraná Clube, pela 26ª rodada do Brasileirão, levou 15.831.

Medida "abraçada" pelo Atlético tem afastado torcedores da Arena da Baixada. Foto: Albari Rosa.
Medida “abraçada” pelo Atlético tem afastado torcedores da Arena da Baixada. Foto: Albari Rosa.

O fato de o time não estar na ponta da tabela na competição pode ter influenciado diretamente. Ainda que a equipe esteja empolgando, sonhando inclusive em terminar a disputa com uma vaga em uma competição internacional, demorou a engrenar. O time chegou a figurar por diversas rodadas na zona de rebaixamento e ainda briga para se afastar da parte de baixo. Agora, o Furacão está na 11ª colocação na tabela, com 33 pontos somados.

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Para que o Rubro-Negro possa ter uma arrancada nesses 11 jogos que restam no Brasileirão, assim como seguir bem na Sul-Americana, o técnico Tiago Nunes quer poder contar com a força das arquibancadas.

“Nós temos que fazer uma força gigantesca. O papel do nosso torcedor é fundamental daqui pra frente”, enfatizou o comandante.

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