Um goleiro em de afirmação e um volante improvisado. No sempre diferente time de Fernando Diniz, estes foram os herois da classificação do Atlético para a quarta fase da Copa do Brasil. A vaga veio após a vitória nos pênaltis sobre o Ceará por 6×5 – no tempo normal, o jogo desta quinta-feira (15) no Castelão terminou em 1×1. Foi uma noite toda complicada, repleta de situações difíceis para o Furacão, mas foram Santos, cada vez mais saindo da sombra de Weverton, e Pavez, que agora é zagueiro, que fizeram do Rubro-Negro o único representante do Paraná na competição nacional.

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O Atlético jogou seus melhores 33 minutos no primeiro tempo do jogo do Castelão. Adaptando seu estilo para atuar fora de casa, Fernando Diniz montou um time mais compacto e postado mais atrás. Aquele espaço gigantesco que o Ceará teve na Baixada não havia desta vez. A posse de bola continuava, mas era mais objetiva. Dessa forma era possível chegar com mais qualidade na frente, mesmo que Ribamar provasse que não era o centroavante ideal – a comparação fica ainda mais desigual quando se vê Ederson faturando no Campeonato Paranaense. Ribamar só jogava porque Bergson teve problemas musculares e sequer viajara para Fortaleza.

Mesmo assim, o Furacão abriu o placar. Não com seu camisa 9, que perdeu o gol na cara de Everson, mas na sequência do lance, quando Thiago Carleto cruzou e Guilherme fez de sem-pulo. Ainda eram 13 minutos e a vantagem tinha sido conquistada. E o estilo não mudou, tanto que Guilherme teve mais uma chance de ampliar o placar. Tudo ia bem, até que coisas estranhas aconteceram.

Ribamar teve chances, mas parou em Everson. Foto: LC Moreira/Estadão Conteúdo
Ribamar teve chances, mas parou em Everson. Foto: LC Moreira/Estadão Conteúdo

Com apenas quatro jogos na temporada, e tendo se preparado por duas semanas para o jogo decisivo de ontem, o Atlético já tinha perdido um titular antes do jogo por lesão muscular. Aos 30 minutos, Wanderson sentiu a coxa. Pediu para sair. Zé Ivaldo mal entrou e viu Arthur Cabral tocar de cabeça no meio da área para Felipe Azevedo empatar. Quando o primeiro tempo estava para acabar, Jonathan sentiu a coxa. Pediu para sair. Só que Fernando Diniz pediu para ele esperar até o intervalo, transformando Nikão em lateral e confundindo todo mundo.

Sem qualquer condição de continuar, o lateral rubro-negro não voltou para o jogo. Sem jogador de ofício no banco, Diniz optou pela estreia de Camacho – ele entrou no meio e Raphael Veiga virou o ala. E na defesa, o Furacão passou a optar por uma perigosa linha de impedimento.

O jogo ficou meio doido. Nikão apareceu na cara do gol e chutou por cima. Rafael Carioca chutou de longe, a bola explodiu no árbitro André Luiz de Freitas Castro e quase entrou. Arthur Cabral dominou no peito uma bola que estava na cabeça de Zé Ivaldo e perdeu o gol. Até Douglas Coutinho apareceu, pela primeira vez como adversário do Atlético. E Raphael Veiga também se machucou. Entrou Lucho González em seu lugar.

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Matheus Rossetto na briga com Rafael Carioca. Foto: LC Moreira/Estadão Conteúdo
Matheus Rossetto na briga com Rafael Carioca. Foto: LC Moreira/Estadão Conteúdo

Com o passar do tempo, já desgastado e com três substituições por contusão, o Atlético foi recuando. Buscava uma brecha para que Guilherme, de novo o jogador mais consciente do time, conseguisse criar alguma jogada de perigo. Mas nesse momento faltava companhia – Ribamar estava mal, Nikão e Carleto estavam cansados, Rossetto fora de posição, Lucho ainda estava sem ritmo. Como o Ceará também demonstrava desgaste, a pressão que poderia vir não veio.

Vieram os pênaltis. Foi aquela agonia, nem preciso escrever. É preciso ressaltar que Guilherme, Lucho, Paulo André e Zé Ivaldo converteram, que Carleto errou aquele que seria o gol da classificação, que Ribamar marcou o seu e que aí Santos e Pavez resolveram a parada. O goleiro defendendo a cobrança de Wescley, e o volante convertendo a sétima penalidade atleticana. Classificação garantida, com suor e sofrimento.

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