Sem vencer há oito jogos, com cinco derrotas consecutivas, o Atlético vem em queda brusca de produção. E não só nos resultados. Em campo, o time já não repete as mesmas atuações de quando encantou todo o Brasil, e vai, aos poucos, sendo anulado pelos adversários, mostrando não ter recursos para se reinventar e conseguir se recuperar.

Até aqui, o Furacão de Fernando Diniz fez 15 jogos, com quatro vitórias, seis empates e cinco derrotas, um aproveitamento de apenas 40% dos pontos conquistados. Um reflexo da atuação do time, que os números comprovam que não vem sendo eficiente. Na goleada por 5×1 sobre a Chapecoense e no triunfo por 3×0 sobre o Newell’s Old Boys, pela Copa Sul-Americana, talvez os dois melhores desempenhos do Rubro-Negro ao longo dos 90 minutos, a equipe teve mais posse de bola, finalizou bastante, trocou passes com frequência e desarmou o adversário diversas vezes, características marcantes do estilo que Diniz gosta de implementar.

Só que, com o passar dos jogos, estes números quase todos foram diminuindo. O único resquício daquele Atlético ‘ideal’ é a posse de bola. Em um comparativo apenas dentro do Campeonato Brasileiro, o Furacão é o segundo time com mais posse da competição, passando 59,2% do tempo com a bola, atrás apenas do Grêmio (59,3%). Contra o Fluminense, por exemplo, este número chegou a 65%, mas foi improdutivo, uma vez que perdeu por 2×0. A impressão é que o Rubro-Negro não está sabendo o que fazer com a bola nos pés e, principalmente, sem ela.

O objetivo da posse é ter o controle da partida e ditar o ritmo, buscando espaços em uma eventual falha do adversário. Até aqui, o time atleticano é o que mais troca passes no Brasileirão, com 3261 toques, sendo 93% deles certos, mas pouco conclui a gol. É o décimo que mais finaliza no torneio, com apenas 28 chutes certos, sendo que a maioria deles é de longa distância. A equipe vem tendo dificuldades em entrar na área dos adversários, tanto que apenas 13 dessas finalizações em direção ao gol foram na grande área.

Marcação fraca

Já quando é ‘atacado’, o Furacão tem um aproveitamento ainda pior. Entre os 20 clubes da Série A, é o quinto que mais perde a bola, sendo desarmado constantemente. No total, foram 111 vezes que isso aconteceu em seis rodadas. E aí tem a dificuldade de recuperar essa posse, consequentemente sendo atacado constantemente.

O Atlético é a terceira equipe que menos desarma no Campeonato Brasileiro. Até aqui, foram 65 roubadas de bola, praticamente metade do Palmeiras, que é o líder neste quesito. O que mostra que o Rubro-Negro tem dificuldades para anular a jogada de um rival. Porém, quando conseque, é quase preciso, a ponto de ter 93% de aproveitamento. Em outras palavras, quando desarma, o time consegue dar sequência à jogada. O problema está justamente em recuperar a bola e evitar que seja atacado.

Furacão tem tido dificuldades em fazer a posse de bola se transformar em ofensividade e está sofrendo na mão dos adversários. Foto: Albari Rosa
Furacão tem tido dificuldades em fazer a posse de bola se transformar em ofensividade e está sofrendo na mão dos adversários. Foto: Albari Rosa

Tanto que o Furacão é o time que mais sofreu finalizações na competição, com 41 chutes à meta de Santos, dos quais oito foram parar no fundo das redes. O time atleticano tem a sétima pior defesa do Brasileirão, o que mostrar que ter posse de bola e acertos nos passes não é o suficiente nem para chegar lá na frente e, muito menos, evitar ser atacado.

O próprio técnico Fernando Diniz admitiu que alguns ajustes precisam ser feitos, principalmente em relação a atacar mais os adversários, que aumentaria o poder ofensivo do Furacão e minimizaria os contra-ataques, justamente o ponto fraco da equipe, como apontam os números.

“Temos que ter a posse de bola, ter efetividade para ser mais agressivo, e também limitar as chances do adversário. Ao ser mais agressivo já é uma maneira de limitar os contra-ataques. Isso temos que melhorar e nos últimos jogos estamos pecando”, disse ele..

Mesmo assim, o trreinador garante que a convicção na forma de o Atlético jogar continuará, uma vez que vem colocando em prática o melhor jeito que seus times possam atuar.

“As pessoas acham que convicção você muda com facilidade. Não é o caso. Quando a gente aponta erros, a gente pode mudar, mas a minha convicção me trouxe até aqui. Estou há quase dez anos como técnico, mesmo muito questionado desde o início. Esse mesmo time 15 dias atrás estava sendo muito badalado, agora teve uma sequência de resultados negativos e vamos corrigir aquilo que é preciso corrigir. Mas a ideia, tenho certeza absoluta, é a melhor para se jogar futebol. Vamos fazer ajustes, mas que não é a obviedade”, completou.