Não é apenas uma semifinal de Campeonato Paranaense. Há a rivalidade entre capital e interior, há uma disputa política, e há principalmente muito ressentimento em jogo na partida das 16h deste domingo (23) no estádio do Café entre Londrina e Atlético. O Furacão joga pelo empate para chegar à final, enquanto o Tubarão precisa vencer por dois gols para se classificar, ou vencer por um gol de vantagem para levar a decisão para os pênaltis. É a inimizade (pra dizer o mínimo) entre os homens fortes dos dois clubes que transformou um confronto naturalmente tenso em um barril de pólvora, que teve nessa semana um tiroteio pesado das duas partes, com a Federação Paranaense de Futebol no meio da história.

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Os protagonistas da briga foram o gestor do Tubarão, Sérgio Malucelli, e o técnico do Atlético, Paulo Autuori. O “professor” tomou o lugar do presidente do Conselho Deliberativo do Furacão, Mário Celso Petraglia, que é na verdade o grande desafeto de Malucelli e do irmão dele, o ex-presidente Marcos Malucelli, que inclusive foi expulso do quadro associativo do Rubro-Negro e terá nessa segunda-feira (24) o julgamento do recurso no “conselhão”.

Mas a celeuma partiu da declaração de Autuori antes mesmo do início das quartas de final do Paranaense, quando disse que vencer o campeonato “mancharia o currículo”. Quando o Atlético pediu a antecipação do jogo para sexta (21) ou sábado (22), deu a munição que Sérgio Malucelli queria. “O Paulo Autuori não falou em entrevista que ser campeão poderia manchar o currículo? Os jogadores falaram depois da partida contra o Flamengo que nem queriam jogar o Paranaense. Agora eles vêm com essa. Antes não valia. Agora mudaram de ideia”, atirou.

Autuori não perdeu tempo. Na entrevista pré-jogo, voltou ao ataque bem ao seu estilo. Ao ser perguntado sobre as declarações de Malucelli, primeiro demonstrou superioridade. “Qual Malucelli?”. Depois, mandou ver. “Nem botei no meu currículo o Campeonato Paranaense do ano passado. Se ele acessar lá dá para ver. Este, também não vou botar. Vou botar no currículo do Bruno Pivetti”, disse o treinador rubro-negro, indo contra o próprio discurso no ano passado, quando afirmou que o título em cima do Coritiba tinha sido como “uma Champions League”.

De qualquer forma, o clima foi criado. Sem qualquer atitude da Federação, que poderia ter marcado o jogo para sábado (tinha esse poder), o Atlético se revoltou e a diretoria decidiu que nenhum titular viajaria para Londrina. “Esta decisão é da instituição, mas passa por mim. Não vou levar jogadores que vão enfrentar o jogo de quarta-feira. Eu não tenho papas na língua, esse campeonato é um circo. O meu lado pessoal diz que é um absurdo o que aconteceu conosco, com relação a tudo que tem passado nesta competição”, seguiu reclamando Paulo Autuori.

A postura atleticana motivou o Tubarão, que espera mais de 15 mil pessoas no estádio – haverá inclusive linhas especiais de ônibus para os torcedores. “Estamos motivados com 1.000% para conseguirmos sair classificados para a final”, disse o meia londrinense Celsinho. Paulo Autuori sabe do ambiente que o Atlético vai enfrentar. Talvez nem esteja tão preocupado. Mas mesmo irritado, ele garante que os garotos, liderados por Santos, Crysan e João Pedro, vão para o Café para buscar a vaga na final do Paranaense. “Para nós, será muito importante para o Clube ganhar esta competição e vamos trabalhar para que isto ocorra”, garantiu.

Ficha técnica

PARANAENSE
Semifinal – Jogo de volta

LONDRINA x ATLÉTICO

Londrina
César; Igor Bosel, Matheus, Marcondes e Ayrton; Germano, França, Celsinho (Fabinho) e Robinho; Yaya e Paulo Rangel.
Técnico: Cláudio Tencati

Atlético
Santos; Gustavo Cascardo, José Ivaldo, Wanderson e Nicolas; Marcão, Luiz Otávio, Matheus Anjos, João Pedro e Crysan; Luís Henrique.
Técnico: Bruno Pivetti

Local: Estádio do Café (Londrina)
Horário: 16h
Árbitro: Rafael Traci
Assistentes: João Fábio Machado Brischilari e Maurício José Braga