Há uma semana, o Atlético estava comemorando a vitória mais importante da temporada. Agora, vive um momento pra lá de tenso. A derrota desta quarta-feira (3) para o San Lorenzo por 3×0, a segunda seguida pelo mesmo placar na Arena da Baixada, deixou a classificação para as oitavas da final da Copa Libertadores bem mais complicada, dependendo de um resultado em Santiago contra a Universidad Católica. Só que antes disso, o Furacão terá que encarar a segunda partida da final do Paranaense, a estreia na Copa do Brasil e outra estreia no Campeonato Brasileiro.

Para se classificar sem depender de nada, o Atlético tem que vencer a Católica no dia 17, às 21h45, no estádio San Carlos de Apoquindo. No mesmo horário, o Flamengo encara o San Lorenzo em Buenos Aires. Uma vitória dos cariocas daria ao Furacão a possibilidade de empatar para garantir a vaga. O time chileno joga necessariamente pela vitória para se classificar, mas precisando de uma vitória do Flamengo ou de um empate, dependendo do saldo de gols.

O Atlético que deixa a torcida confiante – aquele pode até sofrer, mas que pelo menos demonstra querer buscar alguma coisa em campo – não apareceu no primeiro tempo. Por mais que Paulo Autuori queira dizer que o Campeonato Paranaense não influenciaria o time, o nervosismo rubro-negro era evidente. Os passes não saíam, o time discutia a cada falha, o treinador se irritava à beira do campo…

E o San Lorenzo se aproveitava. Trocava passes e esperava a hora de chegar na frente. E foi logo a 13 minutos, quando uma jogada pela direita, iniciada em um escanteio curto, chegou em Rojas, que cruzou para Díaz aparecer livre e marcar o gol argentino. O que era tensão virou preocupação. Mesmo passando a pressionar bastante, rondando a meta de Navarro, o Furacão não ameaçava. Pelo contrário, o goleiro adversário não trabalhou nos 45 minutos iniciais.

A principal falha tática do Atlético era aquela que desde o ano passado se via, mas que muita gente insiste em não notar. Falta chegar a bola na frente. Eduardo da Silva só apareceu quando veio buscar a jogada na intermediária. De resto, eram as tentativas de Nikão e Matheus Rossetto, os únicos mais lúcidos. Os torcedores, que tinham feito uma bonita festa antes do jogo, e que empurraram o time até determinado momento, não aguentaram. Vaiaram o time e pediram substituições.

Paulo Autuori mudou no intervalo – coisa rara. Sacou Rossetto e Douglas Coutinho para que Felipe Gedoz e Pablo entrassem. Pablo voltava a jogar depois de 45 dias. O Atlético iria se lançar à frente. Sidcley e Nikão animaram a torcida logo nos primeiros instantes da etapa final, e a expectativa pelo empate voltou. Havia muita pressa, o que fazia com que o Rubro-Negro criasse menos do que poderia, pois o San Lorenzo estava todo recuado, apostando em um contra-ataque para matar o jogo. E faltava a mesma criatividade – fruto também do erro de Paulo Autuori em tirar Matheus Rossetto e não Lucho González.

E esse contra-ataque veio aos 22 minutos. Na saída em velocidade, nas costas de Sidcley, Belluschi cruzou para Blandi, que cabeceou para marcar o segundo gol. Silêncio na Baixada. E o Atlético batido, como já se vira no domingo. O nervosismo tomava definitivamente conta do time, e Paulo Autuori decidiu colocar Grafite no lugar de Lucho. Eram dois atacantes dentro da área para esperar por uma bola que teimava em não vir. E que não veio até os 46 minutos, quando Botta fez o terceiro e acabou com a parada. Uma noite devastadora, que faz o que era certo virar duvidoso.