Apesar da derrota por 2×0 para o Flamengo, no último domingo (27), o Atlético vem mostrando uma reação no Campeonato Brasileiro. Antes do tropeço na Ilha do Urubu, o Furacão vinha de cinco jogos consecutivos sem perder, que o ajudaram a, no momento, ocupar a oitava posição na tabela, com 30 pontos, dois a menos que o Cruzeiro, que fecha o G6 do Brasileirão. No entanto, mesmo com esta arrancanda, um setor ainda vem sendo a dor de cabeça rubro-negra: o ataque.

Desde que o técnico Fabiano Soares chegou, foram dez jogos pela competição – incluindo a derrota por 2×0 para o Cruzeiro e o empate em 2×2 com o Corinthians, quando acompanhou os duelos do camarote, por ainda não estar regularizado na CBF -, com 13 gols marcados. Só que só um de um atacante de ofício.

O artilheiro solitário foi Ribamar, que marcou na vitória por 1×0 sobre o Vasco, no dia 31 de julho. Só que o jogador, contratado para ser o homem-gol atleticano, apesar de ter total confiança do treinador, não melhorou os números do setor. Desde que chegou, ele atuou em seis partidas e balançou as redes nesta única oportunidade. Uma dificuldade que vem desde o início da temporada.

Já passaram pela posição de centroavante, antes de Ribamar, que tem, incrivelmente, a melhor média, Grafite, que em 24 partidas fez um gol e já foi embora, Eduardo da SUlva, com 19 jogos e também um único gol, Pablo, com 28 atuações e três gols, e, por último, Ederson, que ainda briga pela titularidade, mas em 13 vezes que jogou, só marcou duas vezes. Quem também pouco chegou aos gols adversários foi Douglas Coutinho. Embora não jogue como homem de referência, é um dos atacantes do elenco e o que mais entrou em campo, com 38 atuações e apenas dois gols.

Artilharia dividida

Por outro lado, jogadores que atuam mais atrás no campo estão fazendo o dever dos jogadores lá da frente. Para se ter uma ideia, os principais artilheiros do Atlético no ano são do meio-campo para trás. O primeiro da lista é Nikão, que já fez sete gols, em 40 partidas, seguido por Felipe Gedoz com cinco (em 18 jogos), Thiago Heleno (29) e Sidcley (43) com quatro, e Guilherme (10) com três.

Nikão é o artilheiro do Atlético no ano, com sete gols marcados. Foto: Albari Rosa
Nikão é o artilheiro do Atlético no ano, com sete gols marcados. Foto: Albari Rosa

Apesar de alguns deles terem jogado bem mais vezes que os centroavantes, mesmo mais longe da área conseguiram chegar ao gol. Isto ficou claro, por exemplo, na sequência de quatro vitórias seguidas no Brasileirão com Fabiano Soares. Tirando Gedoz, que não atuou, todos os outros quatro marcaram. Até gols contras surgiram, nas goleadas por 5×0 sobre o Avaí e 4×1 diante do Bahia.

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Nestes dois duelos, mais especificamente, na Arena da Baixada, o Furacão foi para cima e criou diversas oportunidades, mas poucas delas passaram pelos pés de Ribamar, que quase não finalizou, mostrando que o time não vem dependendo de um centroavante para atacar e chegar ao gol. Mas às vezes um camisa 9 vem fazendo falta, como na derrota por 1×0 para o Santos, pela Libertadores, quando o time dominou o Peixe na Vila Belmiro, foi para cima, mas faltou capricho nas conclusões.

A diferença do Rubro-Negro de Fabiano Soares para os de Paulo Autuori e Eduardo Baptista é que agora a bola chega lá na frente. É bem verdade que Grafite e Eduardo da Silva, os primeiros titulares do ano, foram pouco acionados, pelo problema de criação no meio-campo interferir diretamente na atuação da equipe, mas também pouco aproveitaram as chances que tiveram. Nas últimas partidas, os meias têm trabalhado mais e criado, porém, ao invés de lançar para o camisa 9, estão finalizando e obtendo resultados.

Com duas semanas de treinamento até o Atletiba do dia 10 de setembro, na Arena da Baixada, o comandante atleticano terá bastante tempo para melhorar este setor e encontrar uma forma de fazer um centroavante, enfim, cumprir o papel de artilheiro.