Tem dificuldade na Arena? Chama o São Paulo. Mesmo que aos trancos e barrancos, o Atlético manteve a invencibilidade de 35 anos dentro de casa diante do tricolor paulista, venceu por 1×0 na noite de quarta-feira (21) e saiu da zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro. O Furacão utilizou uma velha arma, a bola parada, e sofreu com os erros de sempre, mas conseguiu o triunfo que precisava – o terceiro seguido -, confirmando uma arrancada que o tirou da lanterna para o meio da tabela.

Já no primeiro tempo ficaram evidentes algumas realidades dos dois times. A primeira é que Wanderson é hoje titular absoluto do Atlético. Mais jovem e mais rápido que os outros zagueiros do elenco, ele é o melhor companheiro para Thiago Heleno e é a opção mais perigosa nas bolas paradas. Tanto que fez o gol da vitória logo a três minutos de jogo. Foi num bate-rebate, aproveitando a bobeada da zaga do São Paulo. Mas por cima ele também foi muito bem, e enfrentando o ótimo Lucas Pratto.

Falando em defesa do time paulista, é impressionante a desarrumação do sistema de marcação da equipe de Rogério Ceni. Seja com três zagueiros, seja com Eder Militão passado para a lateral-direita, o São Paulo fica totalmente perdido. Lugano, um jogador com história respeitável, vai encerrando a carreira de forma triste. Quase fez um gol contra ridículo – numa bola que estava dominada por Renan Ribeiro, ele tocou para trás e acabou tirando do alcance do goleiro, quase colocando contra o próprio patrimônio.

Renan, por sinal, foi obrigado a fazer duas ótimas defesas em chutes de Nikão, o melhor do Atlético. O meia é o destaque rubro-negro no Brasileirão, e é o único jogador do meio pra frente que consegue criar alguma coisa. Douglas Coutinho corre muito e ajuda taticamente, e Grafite infelizmente não colabora.

Weverton e a defesa do Atlético tiveram trabalho contra o São Paulo, mas deram conta. Foto: Marcelo Andrade
Weverton e a defesa do Atlético tiveram trabalho contra o São Paulo, mas deram conta. Foto: Marcelo Andrade

E, depois de jogar bem melhor atuando na dele, inclusive fazendo dois gols, Sidcley foi recolocado na lateral-esquerda por Eduardo Baptista. E se confirmou o que todo mundo sabe – ele não consegue marcar. Com um volante em cima dele (Thiago Mendes), foi uma dificuldade terrível, fazendo com que o São Paulo pressionasse o Atlético praticamente todo o primeiro tempo. Apesar de estar vencendo, o Furacão chegou a ser vaiado pela torcida. “Saber sofrer”, como adora afirmar Paulo Autuori, não é tão divertido assim.

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Notando que Matheus Rossetto começara bem e caíra de produção, e que a escalação de Lucho González fora um erro, Eduardo Baptista colocou Deivid e Carlos Alberto. Mas nada mudou. Haja “saber sofrer”. O São Paulo passou quase o tempo inteiro dentro do campo rubro-negro. A bola ficou rondando a área, explodindo nos volantes nos chutes de média distância ou sendo rebatida por Wanderson e Thiago Heleno nos cruzamentos.

Era a soma da ineficiência ofensiva dos visitantes com a retranca atleticana. Juntando tudo isso e mesmo pressionado o Rubro-Negro não foi ameaçado de verdade – Weverton não fez uma defesa sequer. Claro que não é uma forma tranquila de se vencer uma partida, pelo contrário, mas o Atlético venceu. E saiu da ZR.