O Movimento Atlético de Novo, do mesmo grupo que concorreu às eleições do clube no final de 2015 e por uma diferença muito pequena não venceu o pleito contra a atual diretoria rubro-negra, protocolou, na tarde desta sexta-feira (27), uma ata com quase 4 mil assinaturas para que seja convocada, em breve, uma assembleia de sócios. São sete tópicos de reivindicações de vários setores da torcida e que devem ser votados quando o clube convocar e marcar a assembleia dos associados. Segundo o Estatuto do Atlético, isto deve acontecer em até cinco dias corridos – até dia 1º de novembro, portanto.

Dentre os principais pedidos do movimento estão a volta do plano de sócios de R$ 100 e o preço mais barato do ingresso, a volta da festa das torcidas organizadas e a pintura das cadeiras da Arena da Baixada de cinza para as cores do clube. O movimento propõe ainda que seja votada a destituição da biometria, deixando o sócio dispor livremente dos assentos, além de pedir uma transparência maior quanto a conta real dos custos das obras do estádio que, em 2014, recebeu jogos da Copa do Mundo.

“O Movimento Atlético de Novo é advindo das eleições de 2015. O grupo continuou unido e, neste momento, ele representa o anseio de vários setores da torcida, desde as organizadas, até o torcedor comum, diante das práticas recentes da atual diretoria. Eles estão impossibilitando e inibindo que a nossa arena, conhecida como caldeirão, tenha o seu poder. Hoje o estádio está frio, cinza, gelado e esse momento veio para reestabelecer o Atlético que tanto conhecemos e amamos”, apontou Fernando Munhoz Ribeiro, que é um dos idealizadores do movimento.

“O objetivo do movimento é, principalmente, possibilitar o plano de sócios a R$ 100 novamente, pois uma parcela significativa da torcida depende da parte financeira para comparecer ao estádio. Para que seja liberada a festa, para que o caldeirão volte a ferver. O Atlético é vermelho e preto, quente, não pode ser cinza e frio. É o movimento de vários setores da torcida para reestabelecer o Atlético como nós pensamos”, emendou.

O protocolo foi realizado na tarde desta sexta-feira, na Arena da Baixada e o movimento espera que a vontade desses associados que assinaram a ata para a convocação da reunião seja respeitada pela atual diretoria do Atlético. Caso isso não aconteça, o Movimento Atlético de Novo promete ir à Justiça para que haja a assembleia geral de sócios e os sete tópicos sejam votados.

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“Divulgamos nas nossas redes sociais, a imprensa noticiou que estaríamos fazer esse protocolo hoje, nessa hora. A diretoria está ciente que estaríamos aqui fazendo isso e esperamos que seja recebido e que, de acordo com o estatuto do clube, seja convocada a assembleia de sócios. Se por ventura não venha ser convocada, vamos fazer tudo o que tiver ao nosso alcance, inclusive via judicial para que o direito do sócio seja respeitado, que o estatuto seja respeitado. Para que a assembleia seja convocada e ocorra a vontade dos sócios”, detalhou Ribeiro.

Quando anunciou o retorno ao Conselho Deliberativo do Atlético, o presidente Mário Celso Petraglia desdenhou na nota oficial do interesse dos seus críticos. “Diante da má-intenção em prejudicar o desempenho do CAP no Campeonato Brasileiro, criando um ambiente de dissenso na torcida atleticana com pedidos de instauração de uma Assembleia Geral, cuja pauta é de exequibilidade completamente vazia perante as disposições do Estatuto Social, o que reforça se tratar de um movimento político oportunista”, afirmou Petraglia no texto.

Sem pensar nas eleições

Apesar de estar unido desde 2015, quando concorreu às eleições do Atlético, o Movimento Atlético de Novo não está pensando ainda no próximo pleito, que está marcado para dezembro de 2019. O grupo, inclusive, descartou que o apoio da torcida organizada Os Fanáticos, já tenha a ver com uma possível eleição. Segundo Fernando Munhoz Ribeiro, não foi pedido a votação para destituição da atual diretoria ou para uma possível antecipação das eleições para o final de 2018.

“Esse movimento não tem nenhum viés eleitoral. Não pedimos a destituição de ninguém e nem a antecipação das eleições previstas para 2019. Obviamente é muito importante ter o apoio das organizadas, do torcedor, dos sócios. Sem eles isso não seria possível. Agradecemos a todos, que engajaram esse movimento, foram 3.667 assinaturas colhidas em um prazo de 15 dias, um prazo curto”, arrematou Ribeiro.

Leia os temas do pedido de Assembleia Geral no Atlético:

Foto: Marcelo Andrade
Foto: Marcelo Andrade

(1) Afastamento da torcida e consequente elitização do clube. A Arena da Baixada apresenta uma média de ocupação de apenas 37% nos jogos do Campeonato Brasileiro, sem qualquer perspectiva de prospectar torcedores mediante a venda de ingressos a preços mais acessíveis para setores abandonados. Assim, propor-se-á a retomada do plano de sócios mais popular, com valores de até R$100,00, e carga proporcional de ingressos acessível de até R$50,00 – no mínimo, para o setor Buenos Aires Inferior;

(2) Falta de planejamento e foco em futebol. O clube abriu mão de jogar em seu estádio o jogo mais importante do ano para sediar um torneio de voleibol, e semanas depois foi eliminado da Taça Libertadores da América. Considerando a natureza do Atlético Paranaense e sua construção obrigatória em torno do futebol (art. 2º, par. único, do Estatuto), propor-se-á que se delibere pelo impedimento definitivo da realização de qualquer evento no Estádio Joaquim Américo (“Arena da Baixada” ou “Estádio Atlético Paranaense”) em data que conflite com jogos em que o Atlético Paranaense figure como mandante, assegurada a inserção de cláusula nesses termos em eventuais contratos para shows e quaisquer outros eventos recreativos ou esportivos a serem firmados pelo Clube em data ainda sem previsibilidade de jogos;

(3) O estádio Joaquim Américo cinza fere a alma e a história do Atlético Paranaense, além de não ajudar no marketing do próprio clube. Diante disso, propor-se-á a realização de adequação do Estádio para as cores do clube de todas as formas possíveis, incluindo cadeiras e toda sua estrutura;

(4) A biometria foi implantada a pretexto de conferir segurança aos sócios, mas o modo de sua concepção revelou se tratar de mais um instrumento de desestímulo aos associados: o Clube compromete a própria receita ao limitar o repasse de cadeiras para terceiros, e não incentiva novas adesões. Propor-se-á que os sócios possam dispor livremente de seus assentos, afastando-se toda e qualquer limitação, impondo-se como condição para acesso ao Estádio que o torcedor esteja cadastrado no sistema biométrico do Clube – o que poderá ser feito por qualquer cidadão, sócio ou não, até momentos antes da partida, e que esteja munido de um smartcard ou ingresso avulso;

(5) A festa da torcida na Arena da Baixada acabou. O “fator casa” já não existe mais, e os resultados medíocres obtidos no Campeonato Brasileiro confirmam tal circunstância. O despropósito das medidas é tal que o Clube se dispõe a liberar instrumentos e alegorias até mesmo para o Paraná Clube, em nosso campo sem nenhuma das medidas impostas contra o torcedor atleticano. Dentro desse cenário, propor-se-á em Assembleia a liberação de todos os adereços e instrumentos das torcidas organizadas (bandeiras, faixas e bateria), para que o Estádio volte a ter os traços que tornaram o Atlético Paranaense temido pelos seus adversários;

(6) A Câmara de Ética do Clube atua de maneira inquisitória, e tem se revelado um instrumento de perseguição (e punição) de atleticanos que discordam da direção. Um exemplo recente dessa postura foi a expulsão do ex-Presidente Marcos Augusto Malucelli, mantida em instância recursal pelo Conselho Deliberativo. A medida não só foi desproporcional, como também contrariou entendimento adotado pelo Poder Judiciário, que meses antes fixara entendimento pela absolvição do ex-Presidente atleticano pelos mesmos fatos discutidos internamente no Clube. Independentemente das valorações que foram feitas quando do julgamento dos processos, considerando a gravidade da sanção imposta ao ex-Presidente e o precedente jurisprudencial favorável a ele, propor-se-á a anulação da penalidade de expulsão a ele atribuída, admitindo-se a sua imediata reintegração ao quadro associativo;

(7) As dívidas contraídas para construção do estádio são imensas e desconhecidas dos torcedores. Ao que se tem notícia, o principal patrimônio do Clube (Estádio e Centro de Treinamentos) está constrito como garantia de execuções movidas em face da sociedade constituída para administrar as obras para a Copa. Assim, e como dever de transparência, propor-se-á que o Clube torne público em até 10 dias a real situação das contas pós Copa do Mundo, e indique (a) quais os planos para quitação das dívidas com o poder público e (b) a real situação dos bens do clube que foram dados como garantia para a construção da Arena da Baixada – e, se constritos, qual a perspectiva de sua regularização.