O estádio Couto Pereira foi, certamente até 1985 e pelo menos até 1999, o palco principal do futebol paranaense. Era a maior praça esportiva do Estado, e era onde os principais jogos aconteciam. Por isso, o Atlético jogar no Alto da Glória, como acontece hoje, já foi uma situação pra lá de comum. Mas com o início da “era da Arena”, isso mudou, e a partida de hoje com o Grêmio ganhou contornos diferentes.

Grandes times do Furacão fizeram a festa no Couto Pereira. Contra o próprio Coritiba, dono do estádio, como nos campeonatos paranaenses de 1983 e em 1990. Mas talvez o maior Atlético campeão no Alto da Glória é o de 1982, que conquistou o Estadual com uma goleada sobre o Colorado por 4×1. Atuação de gala daquela equipe liderada por Washington e Assis.

No ano seguinte, a semifinal do Campeonato Brasileiro marcou o maior público da história do estádio. Foram 67.391 torcedores (65.491 pagantes) a acompanhar a vitória do Atlético sobre o Flamengo por 2×0, que foi insuficiente para eliminar o esquadrão de Zico, Júnior e Leandro.

Aos poucos, o Furacão parou de jogar no estádio do Coritiba. Com a inauguração do Pinheirão, o clube passou a mandar seus jogos lá. Mas nunca teve a adoção por parte da torcida. O resultado foi a volta à antiga Baixada, em 1994. Quando a Arena começou a ser construída, o Rubro-Negro voltou ao Couto para alguns jogos, o que aconteceu também depois da inauguração do estádio, por conta do aluguel para shows.

Mas estar no Alto da Glória não é incomum para o Atlético, mesmo que torcedores mais jovens não consigam entender como eram as coisas há vinte ou trinta anos. “Não tenho dúvida que o estádio era uma casa para nós”, resumiu Nivaldo Carneiro, hoje comentarista e parte fundamental do Furacão entre os anos 1970 e 1980.

Aproveitamento regular no Couto

No duelo contra o Grêmio, o Atlético completará seu jogo de número 106 como mandante no Couto Pereira em partidas válidas pelo Campeonato Brasileiro. O retrospecto do Furacão na casa coxa-branca no Nacional é mediano. No total, são 42 vitórias, 33 empates e 30 derrotas, aproveitamento de 50,47%.

A trajetória rubro-negra no estádio do arquirrival começa em 1968, quando a principal disputa nacional existia sob o rótulo de Torneio Roberto Gomes Pedrosa, o popular Robertão. A praça esportiva do Alto da Glória, por sua vez, ainda se chamava Belfort Duarte.

Naquele ano, o Atlético recebeu o Bangu no lar alviverde no dia 1º de dezembro. O resultado acabou sendo um empate por 2×2.

Dois anos depois, em 1970, os atleticanos mandaram outros doze duelos no local pelo Robertão, com destaque para uma vitória por 4×1 sobre o Vasco em 22 de novembro de 1970. Ao todo, foram 13 jogos, quatro vitórias, quatro empates e cinco derrotas do Furacão atuando no Belford Duarte pelo Robero Gomes Pedrosa.

Ainda na época do Belfort Duarte, o Atlético mandou outras 41 partidas no local entre os Brasileiros de 1973 e 76. No total, foram 19 vitórias, 13 empates e mais nove derrotas,  somando um aproveitamento de 56,91%.

Novo nome

Após reformas no estádio e a mudança de nome para Major Antônio Couto Pereira, sua identidade atual, o Furacão prosseguiu utilizando a ‘segunda casa’.

Entre os anos de 1977 e 1997 foram 49 jogos, com 19 vitórias, 14 empates e 16 derrotas, aproveitamento de 48,2% dos pontos.

As últimas partidas no Couto como mandante foram em 2005: contra Figueirense e Fortaleza, mas com portões fechados. Na época, o clube havia recebido uma punição do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) e teve de mandar dois jogos com portões fechados e fora da Arena da Baixada.

Romantismo! Leia a opinião de Mafuz sobre o Atlético!

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