Vivendo dias tensos nos bastidores depois das saídas do meia Vinicius e do atacante Walter, além do diretor de futebol Paulo Carneiro, o Atlético convocou uma reunião extraordinária do seu Conselho Deliberativo para o próximo sábado, no CT do Caju, a fim de tomar decisões importantes para o futuro do clube e despertou a insatisfação de membros da chapa da oposição que, no final do ano passado, perdeu o pleito rubro-negro por uma pequena diferença de votos. O advogado Henrique Gaede, líder da chapa Atlético de Novo, revelou a temeridade pela quantidade de assuntos importantes que serão discutidos sem uma discussão prévia e ampla sobre os mesmos.

“Minha preocupação é quantidade de itens que serão discutidos nessa reunião. São assuntos que revelam análises preliminares e requerem conhecimento preliminar para que os conselheiros possam tomar uma decisão. São assuntos que geram uma série de desconforto de emoções para os conselheiros e para a torcida. Não sou mais da oposição, sou um mero torcedor, mas ainda tenho interesse no Atlético e fico muito preocupado com esse posicionamento sob essas circunstâncias que o Atlético está vivendo”, apontou Gaede, em entrevista à Tribuna.

Dentre os diversos assuntos que serão discutidos na reunião extraordinária do Conselho Deliberativo do Furacão estão o julgamento dos recursos voluntários dos casos do ex-presidente Marcos Malucelli e de Alfredo Ibiapina Neto, a relação com as torcidas organizadas, a inauguração do ginásio no CT do Caju, além da Fundação Clube Atlético Paranaense, a Funcap, que traz grande preocupação para Gaede.
A Funcap foi aprovada pelo Conselho Deliberativo do Atlético em 2013, em uma reunião quente realizada em um hotel, no centro de Curitiba, mas ainda não passou a ser utilizada pelo clube.

Se isso acontecer, todos os bens do Atlético passarão para a fundação, inclusive o estádio Joaquim Américo e as verbas de televisão – com exceção do CT do Caju, que foi dado como garantia para obtenção dos empréstimos para a revitalização e ampliação da Arena da Baixada para a realização da Copa do Mundo. Além disso, uma diretoria seria escolhida e se perpetuaria no poder a partir do momento em que a Funcap entrasse em vigor.

“O que mais preocupa é a Funcap. Essa discussão não deve acontecer dessa forma, sem que haja uma prévia discussão. Uma das sugestões que dou aos conselheiros é de que uma comissão composta por cinco ou seis conselheiros estudassem o assunto e analisem quais os efeitos que vão gerar para o patrimônio do Atlético, que passará a ser da fundação. Temos grandes advogados no Estado e que poderiam fazer uma análise mais detalhada da fundação e poderiam dar um parecer sobre o caso”, cobrou Gaede.

Henrique Gaede lembrou das discussões geradas durante a reunião em 2013 (a confusão foi tanta que Mário Celso Petraglia chegou a deixar o local) e frisou que, para o bem do Atlético, os conselheiros atuais do Furacão deveriam pedir a retirada deste assunto da pauta do encontro deste sábado, no CT do Caju. Diante disso, segundo ele, será necessário um amplo conhecimento e debate sobre o assunto para evitar prejuízos futuros ao patrimônio do Atlético.

“O primeiro grande movimento que deve haver é dos conselheiros, que tenham responsabilidade e peçam para retirar esse tema de pauta de forma urgente para que se abra um amplo entendimento sobre isso. Assim, eles poderão se sentirem confortáveis para decidirem. Seria também o correto fazer um plebiscito junto aos sócios, mesmo que não esteja no estatuto, para que nenhuma decisão errada seja tomada no momento. A responsabilidade está com os membros do Conselho Deliberativo. É preciso ter muita cautela e todo atleticano está preocupado com isso pelas conversas que tenho com ex-presidentes, dirigentes e associados”, concluiu Gaede.

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