No último dia 25 de fevereiro, Atlético e a torcida Ultras tiveram uma audiência na 24ª Vara Cível de Curitiba. Mesmo com a organizada fazendo algumas promessas, como aceitar a biometria para facilitar a identificação de possíveis infratores, o Furacão não quis acordo algum pelo presidente Mário Celso Petraglia ter dado ordem aos seus advogados para rechaçar qualquer tipo de conciliação. O problema é político e antigo.

O mandatário da Ultras, Fabiano Soares Fernandes, alega que Petraglia fez um acordo com a torcida Os Fanáticos, na época que Júlio César Sobota, o ex-vereador Julião, era o presidente, garantindo que a organizada seria a única presente nos jogos do Furacão na Arena. A decisão começou logo em 2012, na primeira partida pelo Paranaense, no Ecoestádio Janguito Malucelli, que também era o primeiro jogo da nova gestão do atual presidente.

“Ele sempre fechou a porta e não quer conversa com a gente. Participamos de todos os tipos de reunião com todos os órgãos, menos com o Atlético. Nosso problema é político, eleitoral. Começou em 2008 e, por fim, nas eleições de 2011, que também fomos contra sua candidatura”, relembra Fernandes, que trabalha como vigilante. As eleições do clube são apenas no final do ano, mas a chapa de oposição já conversa desde o ano passado para se articular e definir nomes, que terá o apoio novamente da Ultras. Henrique Gaede é o nome mais forte. Já a situação deve ser composta por Petraglia e os atuais vices Márcio Lara e Luiz Salim Emed.

Mesmo assim, a Ultras propôs mudar de setor no estádio e garantiu que, apesar da preferência, não precisa do espaço sem as cadeiras, como é o setor Fan. O valor é de R$ 150 e, atualmente, a organizada tem apenas 50 sócios em dia com o Furacão. Caso consiga retornar à Arena, o número ultrapassaria os 100 sócios com facilidade e vestuário e faixas seriam liberadas. A tentativa de acordo, entretanto, não foi aceita e sequer discutida. O Atlético alega que “é impossível a mudança de setor por causa da comercialização”. A diretoria da torcida, por outro lado, afirma que já está traçando esse caminho. “Nossos integrantes já estão mudando o local de sócios para o lado oposto da Fanáticos, perto dos visitantes. Pretendemos ficar na curva, que tem poucas cadeiras vendidas. Pesquisamos e constatamos isso”, afirma o presidente da Ultras.

Tudo em paz entre as organizadas

Outra alegação do clube para evitar qualquer tipo de conversa é sobre a relação com a torcida Os Fanáticos. Ambas têm históricos, recentes, de entrarem em confronto dentro dos estádios. Um comando de cada (Zona Oeste e Zona Sul), nas ruas, também causam enormes confusões. Algo que os dois lados garantem estar resolvido. As duas fizeram as pazes por intermédio do Ministério Público ano passado. Através de um termo de conduta, as organizadas se comprometeram a não brigar mais – em caso de confronto, o presidente e o vice de cada torcida serão responsabilizados.

“Temos um bom diálogo com a gestão atual de Os Fanáticos. Ficamos em cima no Atletiba do Couto Pereira, estamos juntos em viagens”, garante Fernandes. Para a Ultras, a situação é semelhante à das torcidas de Flamengo, Palmeiras, Grêmio, Botafogo e Corinthians, que também possuem históricos entre torcidas do mesmo time, com duas facções representativas. “Não é problema só daqui. Todas as organizadas entram mesmo com divergências, mas o Petraglia é o único que impede isso”, reclama Cláudio Roberto Machado, vice-presidente da torcida.