48 dias. Foi este o período que durou o novo planejamento do Atlético. Ontem, o clube surpreendeu ao demitir o técnico Eduardo Baptista – e consequentemente a saída do gestor técnico Paulo Autuori -, depois de apenas 13 jogos do treinador no comando do time. Uma mudança radical, mas que já vinha sendo trabalhada internamente há algum tempo.

Desde a goleada por 4×0 sofrida para o Grêmio, pela Copa do Brasil, no dia 28 de julho, a diretoria já vinha vendo o trabalho do seu ex-comandante com outros olhos, muito por não ver uma evolução no trabalho, mesmo com as quatro vitórias consecutivas no Campeonato Brasileiro. A derrota por 3×2 para o Santos, na última quarta-feira, pela Libertadores, pareceu ter sido quase a gota d’água.

Na última quinta-feira (6), Eduardo Baptista esteve na Arena da Baixada para acompanhar a partida do Brasil contra a Rússia, pela Liga Mundial de Vôlei, e quem o viu chegar ao estádio relatou que ele estava com um semblante um tanto quanto “assustado”. O motivo seria uma cobrança da diretoria em uma reunião pela manhã.

No empate em 1×1 com a Chapecoense, no domingo, na Arena Condá, pelo Campeonato Brasileiro, o Furacão até teve um bom desempenho. Foi pressionado no primeiro tempo, mas equilibrou o duelo na etapa final e conquistou um bom ponto fora de casa. Após o jogo, o treinador já fazia planos pra sequência, inclusive pedindo a contratação de um novo atacante para o lugar de Grafite. Planos que duraram poucos horas. Na manhã de ontem, após conversar com Luiz Sallim Emed, presidente do Conselho Administrativo, Mario Celso Petraglia, presidente do Conselho Deliberativo, e Márcio Lara, vice-presidente, teve sua demissão confirmada.

Independentemente dos resultados em campo, que, apesar dar encaminhadas eliminações na Copa do Brasil e na Libertadores, não eram dos piores, o Atlético jogou no lixo, mais uma vez, o planejamento de toda uma temporada. Apesar de se dizer “surpreso e inconformado” com o pedido de demissão de Paulo Autuori, o clube sabia que uma mudança drástica no comando técnico culminaria na saída do ex-treinador e agora gestor de futebol, que sempre elogiou o projeto atleticano, mas se dizia favorável à manutenção do trabalho.

Sem um técnico e um dirigente, o Atlético agora recomeça tudo do zero, como vem sendo uma rotina. Desde que Petraglia voltou ao poder, em dezembro de 2011, foram 14 treinadores diferentes, sem contar os interinos. Uma média de mais de dois comandantes por temporada. A única exceção foi o proprio Autuori, que se manteve um ano e dois meses no cargo e só saiu porque queria virar dirigente.

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Inclusive, quando Eduardo Baptista chegou, no dia 23 de maio, Petraglia reforçou que mais uma vez o Rubro-Negro estava um passo à frente dos demais clubes do futebol brasileiro.

“Agora chegou o momento, a hora, e estamos muito seguros e tranquilos para esta mudança, que não será uma mudança, mas sim uma quebra de paradigma que o Atlético está pensando mais uma vez”, disse ele, na ocasião.

Mas nem dois meses depois tudo foi jogado fora. Brevemente o Furacão deve anunciar o novo comandante, que chegará sabendo que só seguirá no cargo se conquistar bons resultados, uma prática que volta a fazer parte do dia a dia atleticano, mostrando que o projeto interno são as vitórias.