Que Enderson Moreira é o novo técnico do Atlético, você que lê a Tribuna já sabe. Você conhece mais da negociação e do histórico do treinador na página 13. Mas a pergunta do torcedor rubro-negro nesse momento é a seguinte: vai melhorar?
Os péssimos resultados no Campeonato Paranaense serviram para derrubar Claudinei Oliveira – mas como se sabe, o agora ex-técnico fez um trabalho de boa qualidade, principalmente no Brasileiro do ano passado. Era considerado dentro do clube um profissional ideal para aproveitar toda a estrutura (e toda a tecnologia) que o Furacão oferece no CAT do Caju.

Para substitui-lo, o departamento de inteligência do clube, o famoso DIF, colocou de saída o nome de Enderson no balcão. Não é surpresa, porque o novo treinador tem um perfil bem semelhante – é estudioso, sabe trabalhar com as novas ferramentas de treinamento e avaliação (o Atlético é um dos mais adiantados, senão o mais adiantado do País, na tecnologia de recrutamento, captação e preparação de atletas) e também tem histórico nas categorias de base, inclusive dentro do Rubro-negro.

Claro que há um porém – a recente crise de relacionamento com os “meninos da Vila”, alegada como razão principal de sua demissão no Santos, apesar dos bons resultados. Mas, pelo que se conhece de Enderson Moreira, o caso é mais uma exceção do que uma regra, e também tem muito a ver com o influente Wagner Ribeiro, empresário de Gabriel, o atacante que teve problemas com o treinador.

No todo da carreira, o destaque principal de Enderson é justamente uma boa utilização das categorias de base, inclusive no período de transição para o profissional – fez isso no Internacional. No Goiás, onde fez seu melhor trabalho, recuperou atletas como Ricardo Goulart (hoje na China), Rodrigo (Vasco), Eduardo Sasha (Internacional) e Walter (Fluminense), além de afirmar Amaral (hoje no Palmeiras), Ernando (Internacional) e Thiago Mendes (São Paulo.

Em campo, o histórico indica que o desenho tático não mudará muito no início da “Era Enderson”. Ele monta basicamente suas equipes com a linha de três homens no meio, o tal 4-2-3-1. Foi assim que Claudinei Oliveira escalou o Atlético sábado contra o Maringá, por exemplo. É a função onde há mais opções: Bady, Marcos Guilherme, Nathan, Nikão, Rafinha, Dellatorre, Felipe e Edigar Júnio – sem falar na turma do sub-23. Falta, no entanto, um cérebro, necessidade antiga que ainda não foi resolvida. Além disso, o elenco atleticano sofre com a falta de confiança, situação apontada pelo próprio Claudinei em conversas internas.

Depois de tudo isso, a pergunta segue: vai melhorar? A resposta é que não haverá mudança radical, nem no perfil nem no trabalho. Há sim o choque da troca de treinador, que quase sempre dá resultado. Mas sem reforços e sem tempo para trabalhar, nem Enderson Moreira nem Guardiola darão jeito em qualquer equipe.