Foi o ano dele. Do começo ao fim de 2018, Tiago Nunes escreveu seu nome na história do Atlético para nunca mais sair. De um técnico das categorias de base que teve a oportunidade de assumir a equipe de aspirantes, passando pelo sucesso que teve em reerguer a equipe principal no Campeonato Brasileiro, ele coroou o ano com uma conquista inédita: um título internacional. Se o Furacão se consagrou como campeão da Copa Sul-Americana, muito – muito mesmo – se deve ao comando desempenhado pelo treinador.

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No começo da temporada, o jovem – e desconhecido – técnico, que hoje tem 38 anos, talvez nem imaginasse o que a vida lhe reservaria. Ganhou a chance de comandar os aspirantes no Campeonato Paranaense e cumpriu seu dever. Estreante na função, garantiu o título do Rubro-Negro com uma campanha com apenas uma derrota.

Com a queda de Fernando Diniz, Nunes foi chamado às pressas e teria que passar por uma prova de fogo para permanecer no posto. Estreou no comando do time principal no dia 16 de julho, pela Copa do Brasil, diante do Cruzeiro. Com um time sem sua característica, arrancou um empate que não foi suficiente para classificar o Furacão. Apesar da eliminação da equipe não creditada em sua conta, o gaúcho de Santa Maria foi provando aos poucos, em doses homeopáticas, ao dirigentes, que deveria permanecer.

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Quando assumiu a bronca, o Atlético era o vice-lanterna do Brasileirão, e com uma arrancada surpreendente chegou à última rodada da competição com chances de terminar na zona de classificação da Libertadores. O Furacão ficou em sétimo, não garantiu a presença no torneio continental via Brasileiro, mas carimbou seu passaporte com o título da Sul-Americana. A consagração merecida provou que não foi à toa que Nunes conseguiu moldar o time à sua marca pessoal.

No primeiro semestre, treinador já tinha mostrado competência na conquista do Paranaense. Foto: Jonathan Campos
No primeiro semestre, treinador já tinha mostrado competência na conquista do Paranaense. Foto: Jonathan Campos

Começando suas entrevistas coletivas rigorosamente agradecendo, Tiago Nunes foi, de certa forma, se apresentando para quem ainda não estava acostumado com o novato. “Quero agradecer ao torcedor que veio nos prestigiar”, “Quero agradecer minha família, que sempre me apoiou”, “quero agradecer à diretoria do Atlético pela oportunidade”. Não faltou gratidão. E se o badalado mundo da bola não o conhecia, ficou conhecendo o treinador durão à beira do gramado, mas de voz tranquila nas conversas com a imprensa.

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Antes de chegar ao Rubro-Negro, o professor já tinha atuado em mais de 20 times profissionais, mas na maioria, comandando categorias de base. No momento mais importante de sua carreira, ele visivelmente sentiu que estava muito perto de ’chegar lá’. No embarque do time rumo à Barranquilla, na Colômbia, para o primeiro jogo da decisão, Nunes entendeu que estava muito perto de alcançar o que queria.

No meio de centenas de atleticanos que gritavam seu nome no aeroporto Afonso Pena, os olhos deles se encheram de lágrimas. Nas próprias palavras, estava se sentindo ‘pleno‘. Como não é de ficar nas palavras, tratou de transformar toda a plenitude em energia para fazer do Atlético, pela primeira vez em 94 anos de história, campeão de um torneio internacional.

Este é apenas o começo da trajetória de Tiago Nunes, que mostrou que não basta ter pulso firme, tática, técnica ou planos mirabolantes para levar uma equipe ao sucesso. Critérios teóricos também são fundamentais, mas de nada adiantam se o comandante não colocar alma naquilo que faz. Tiago Nunes não só dedicou o seu coração ao seu projeto no Atlético, mas também conseguiu fazer com que o peito de cada atleticano pulsasse mais forte.

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