O vereador Felipe Braga Cortes (PSDB) acusa o Atlético de um calote de quase R$ 22 milhões pelo não cumprimento de contrapartidas referentes à reforma da Arena da Baixada para a Copa do Mundo. O parlamentar solicitou na Câmara Municipal de Curitiba a criação de uma comissão especial para acompanhar o cumprimento das obrigações assumidas pelo clube com a Prefeitura no Termo de Convênio 19.275, assinado em 2010.

Segundo Braga Cortes, cinco dos oitos pontos do acordo não estão sendo aplicados, sendo que os dois principais se referem à desapropriação de imóveis no entorno da Baixada (R$ 16 milhões) e à cessão, por cinco anos, de 50% da sede administrativa do clube para a Secretaria de Esporte e Lazer (R$ 5,7 milhões).

Assim, o montante chegaria a aproximadamente R$ 21,7 milhões. “Hoje existe um calote. As alegações são infundadas, mudando o objeto do contrato e colocando o CT do Caju (no lugar). A resposta da Prefeitura é de que não aceita de jeito nenhum”, afirma o político, que espera que a comissão seja montada e em 15 dias.

“Vamos ter de acompanhar as medidas que o município está fazendo e, conforme for, se a comissão achar por bem, ela pode até virar uma CPI para punir quem estiver errado”, completa o vereador, que também é conselheiro do Coritiba e foi abertamente contra o Mundial no estádio do rival.

De acordo com documento enviado pelo Atlético à Prefeitura em dezembro de 2014, o clube nega a dívida das desapropriações, cujo prazo de pagamento terminou na virada do ano. O argumento é de que a quantia deveria ser dividida com o Estado e a Prefeitura, já que “o convênio previa a tripartição de responsabilidades no aspecto financeiro de todo o empreendimento”.

O clube, no entanto, também pede o reconhecimento dos R$ 7,2 milhões utilizados na permuta referente aos terrenos e imóveis do Exército no entorno do estádio, necessários para a realização da obra, como prova da quitação de sua parte das desapropriações. A obrigação do Rubro-Negro com as Forças Armadas também não foi totalmente cumprida.

Sobre a cessão da sede administrativa, o Atlético afirma que ela está localizada no CT do Caju, não no entorno do estádio, como contesta a Prefeitura, em área que abrangeria o centro de imprensa da Copa. O clube oferece área de 593 metros quadrados em seu centro de treinamento para a municipalidade, que cobra a disponibilização de local de 3.762 metros quadrados anexo à Arena.

Assim, a batalha de versões vai parar na Justiça. Em fevereiro, a Procuradoria-Geral de Curitiba respondeu ao ofício do Atlético dizendo que não há amparo legal para o município acatar os termos da proposta do clube.

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