O velho Schuster estava coberto de razão. Quando o alemão declarou durante a semana que era impossível o Real Madrid ganhar do Barcelona no Camp Nou, muita gente fez cara feia.

A frase inclusive custou o seu emprego de técnico do clube merengue, mas o tempo mostrou que ele estava certo. Juande Ramos o substituiu a quatro dias do clássico. Chegou falando bonito, que ia buscar a vitória e coisa e tal, mas no fim sentiu na pele a afirmação correta e quase fantasmagórica de Schuster.

Que o Barça era favorito até a minha mãe, que pouco acompanha futebol, sabia. Mas ninguém esperava que seria tão complicado. O delírio, o êxtase, o embobamento e a loucura chegaram justo quando mais de um dos 96.509 torcedores culés presentes começavam a imaginar que ia ser um dia sem prêmio.

Foi como um filme de suspense com final feliz para o barcelonismo. Felicidade que chegou nos últimos oito minutos de jogo. Minutos intensos, vibrantes, em que clube e torcida se entregaram de corpo, alma e no final foram felizes para sempre.

Um 2 a 0 que mais do que três pontos, consolidou a força do Barça de Pep Guardiola e afundou o Madrid numa crise profunda. E tudo isso debaixo de muita chuva e frio.

Protagonistas

Os melhores do jogo foram sem dúvidas os goleiros de ambos clubes. Victor Valdés e Iker Casillas fecharam o gol. Pior para Casillas, do Madrid, que diante dele tinha jogadores como Messi e Eto’o. E com essa dupla não há gol que resista.

O goleiro merengue chegou inclusive a parar um pênalti do camaronês no minuto 70. Só que 13 minutos mais tarde, teve que ver como Eto’o empurrava com o joelho uma bola cabeceada pelo capitão Puyol e fazia explodir o Camp Nou com o 1 a 0. Foi o 15.º gol de Eto’o em 15 jogos da Liga Espanhola.

Já nos acréscimos foi a vez do melhor jogador do mundo fazer das suas. Leo Messi recebeu uma bola na entrada da área e encobriu Casillas. Para completar, Cannavaro ainda tentou salvar em cima da linha e se arrebentou na trave. O mesmo que Maradona fez com o pobre Juan José, num clássico contra o Madrid no Bernabéu nos anos 80.

“Celebrei o gol com muita raiva porque não tinha feito um bom 2.º tempo”, afirmou o craque argentino depois do jogo. Confira amanhã, entrevista exclusiva com o craque Hristo Stoichkov, uma das lendas do futebol mundial que assistiu o jogo no Camp Nou.

Lucas Duarte, de Barcelona, Espanha, especial para a Paraná-Online.