Budapeste

– Rubens Barrichello não havia sido o mais rápido em nenhum dos treinos para o GP da Hungria até a classificação. Na sessão que valeu, a que definiu o grid, o piloto da Ferrari usou todo o potencial de seu carro para conseguir sua terceira pole no ano, sexta na carreira – o que o deixa ao lado de Emerson Fittipaldi como o terceiro brasileiro com mais poles na categoria, atrás de Ayrton Senna (65) e Nelson Piquet (24).

Pode-se dizer que Barrichello escondeu o jogo durante os treinos livres. “Com a pista suja, você anda 99%, sabe que o carro pode ir melhor. Mas não vale muito a pena se jogar numa curva de manhã e perder o carro sem necessidade.” A “reserva técnica” deu resultado. Com o tempo de 1min13s333, ele ficou 0s059 à frente de Michael Schumacher pela sexta vez desde que os dois passaram a ser companheiros de equipe, em 2000.

Largando na pole, as chances de Rubens vencer a 13.ª etapa do Mundial de Fórmula 1 passam a ser bem maiores. Hungaroring é um circuito sem pontos de ultrapassagem e os que largam na frente normalmente chegam na frente. Em 16 edições da prova, dez foram vencidas por pilotos que largaram na primeira fila e sete por pilotos que estavam na poleposition.

“Não dá para falar que é meio caminho para a vitória, porque é uma pista tão suja que num piscar de olhos pode acontecer alguma coisa”, disse o brasileiro. “Mas é meio caminho para o começo da prova: estar ali, confiante, apertar os botões de largada e um abraço. Isso sim. Se eu estivesse em segundo estaria mais preocupado. O negócio aqui é manter a calma porque a corrida é longa, é como estar no meio do deserto sem água, não acaba nunca.”

Serão 77 voltas a partir das 9h de Brasília debaixo de muito sol e calor, como ontem na classificação, com a temperatura atingindo a casa dos 27ºC. A Ferrari dominou o treino todo e em nenhum momento foi ameaçada por seus adversários. Ralf Schumacher, da Williams, terceiro no grid, ficou 0s413 atrás de Barrichello. Juan Pablo Montoya, quarto colocado, fez um tempo 1s373 pior que o da pole.

“Rubens fez um ótimo trabalho e eu simplesmente não consegui batê-lo”, disse Schumacher, já pentacampeão mundial. “No fim economizei um jogo de pneus para a corrida. Quanto à largada, estou do lado sujo da pista. Não é realista pensar em ganhar a posição. Se eu conseguir a minha já está bom.” Michael saiu dos boxes apenas três vezes e completou nove das 12 voltas a que tinha direito.

Barrichello fez as quatro tentativas usuais de voltas rápidas. Na primeira, abortou porque Jenson Button rodou na sua frente. Na segunda cravou 1min13s346, tempo que já seria suficiente para a pole. “Na terceira a gente mudou uma coisa no carro que não deu certo. Voltamos ao acerto inicial e melhorei no final”, contou.

Barrichello garantiu que a Ferrari não tem nenhuma estratégia especial para a prova. “Só preciso manter a calma para fazer a melhor largada possível. Estratégia vem durante a corrida. Nem é profissional falar sobre isso antes.” O outro brasileiro que disputa hoje o GP da Hungria, Felipe Massa, repetiu sua melhor posição de largada na carreira e ficou em sétimo no grid. “Numa pista em que é preciso saber guiar, mostrei o que posso fazer”, falou o piloto da Sauber. “Foi uma resposta aos meus críticos.”

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– Seis das dez filas do grid de hoje terão carros da mesma equipe: a primeira (Ferrari), a segunda (Williams), a quarta (Sauber), a oitava (Jaguar), a nona (Toyota) e a décima (Minardi). Os pilotos da McLaren e da BAR também conseguiram posições seguidas no grid, mas em filas diferentes. Apenas as duplas da Jordan e da Renault estão separadas por mais de uma posição

– A tática-padrão para as 77 voltas do GP da Hungria é de dois pit stops. No ano passado, Schumacher venceu parando nas voltas 28 e 52. Barrichello, o segundo colocado, fez seus pit stops nas voltas 32 e 54. Parar três vezes também é possível. Foi assim que Schumacher ganhou a corrida de 1998.