Devido à pandemia de coronavírus, o Campeonato Paranaense completa, nesta quinta-feira (7), 52 dias de paralisação, desde a última rodada da primeira fase, disputada em 15 de março, já com portões fechados.

Situação de absoluta indefinição que traz impactos a todos os envolvidos na continuidade ou não da disputa. Na última quarta-feira (6), as autoridades confirmaram 121,6 mil casos do novo coronavírus no país, com 8.022 mortes.

O Paraná, por sua vez, passou da centésima morte registrada em decorrência do coronavírus. No boletim divulgado pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), o número de óbitos por causa da Covid-19, no total, é de 101.

Federação Paranaense de Futebol (FPF)

Hélio Cury defende que Estadual seja finalizado em campo. Foto: Felipe Rosa/Tribuna do Paraná

Oficialmente, a Federação Paranaense de Futebol (FPF) aguarda posicionamento positivo dos órgãos competentes antes de traçar um plano para a retomada, que deve ser com portões fechados.

Consultada, a entidade afirma, via assessoria de imprensa, que segue no aguardo da manifestação da Secretaria de Saúde do Estado (Sesa), mas que não havia nenhuma previsão de novidade ou nova reunião marcada para esta semana.

Após dar férias coletivas aos funcionários, a FPF está em recesso desde 15 de abril. A paralisação pode durar até 60 dias.

Assim como as demais federações do país, a entidade liderada por Hélio Cury recebeu em março uma doação de R$ 120 mil da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para compensar o período sem arrecadação. Cury reafirmou diversas vezes o compromisso da Federação em terminar o Estadual de 2020 dentro de campo.

Secretaria de Saúde do Estado

Conforme revelou o secretário Beto Preto, na última terça-feira (5), ainda não há uma definição sequer sobre a possibilidade de retorno dos treinamentos dos times antes de qualquer possibilidade de retomada dos jogos oficiais.

Via assessoria de imprensa, a Secretaria informa que, neste momento, não há alteração no que vem sendo adotado em relação a permitir que apenas serviços essenciais recebam o aval para voltar com suas atividades.

Grana da transmissão

Com a parada do Estadual, os clubes ficaram sem receber o restante dos direitos de transmissão que seriam pagos pelo serviço de streaming DAZN, empresa que pertence a um conglomerado britânico de mídia. O DAZN pagou as parcelas referentes a janeiro e fevereiro.

A partir de março, quando houve a paralisação, parou de pagar os clubes, após anunciar decisão global de suspender pagamentos por competições paralisadas. A medida teve impacto dramático sobre as equipes, principalmente as do interior, que dependiam muito da verba de transmissão nessa reta final de Estadual.

CBF

Meia D’Alessandro, do Inter, chega a treinamento no clube gaúcho. Foto: Ricardo Duarte/SC Internacional

Se dependesse exclusivamente da entidade máxima do futebol brasileiro, os treinamentos presenciais já teriam sido retomados após o fim das férias coletivas que os clubes deram a seus atletas. No entanto, até o momento, apenas os gaúchos Internacional e Grêmio voltaram com atividades presenciais seguindo protocolo especial.

Em reunião por teleconferência com as 27 federações estaduais dia 28 de abril, a CBF concede autonomia a cada federação para que retome as partidas, desde que respeitando as autoridades de saúde de cada estado em relação à pandemia.

Vale lembrar que são as federações que votam para a presidência da entidade, o que eleva a importância de cada estadual do ponto de vista político para o atual presidente, Rogério Caboclo.

Atividades online

Elenco do Athletico se reúne por videoconferência. Foto: Divulgação/Athletico

Enquanto os treinamentos presenciais não são liberados, Athletico, Coritiba e Paraná voltaram às atividades com os elencos por videoconferência. O Coxa chegou a consultar a Secretaria de Saúde sobre a chance de voltar com os treinamentos presenciais, mas não obteve resposta positiva até o momento.

Certo é que as equipes vêm se preparando para uma nova realidade quando isto acontecer.

O Alviverde, por exemplo, já detalhou parte do protocolo que deve seguir, com testes individuais e jogadores levando os próprios materiais de treino para lavagem individual online, por exemplo. Por outro lado, o presidente do Furacão, Mario Celso Petraglia, já admitiu que o risco do futebol voltar a acontecer apenas em 2021.

Mais que bola rolando

Além da preocupação com a forma física e técnica de seus elencos, os clubes já sofrem os impactos financeiros da paralisação.

O Athletico, que atrasou pagamento de direitos de imagem em abril, reduzirá em 25% os salários de atletas e funcionários a partir de maio, amparado pela Medida Provisória 936, que visa manter empregos e a renda dos trabalhadores.

O Coritiba também já confirmou demissões no corpo de funcionários e redução salarial de 25% nos vencimentos de elenco e demais profissionais do clube. O Paraná, por sua vez, ainda não informou oficialmente nenhum corte salarial.

Nos clubes do interior, por sua vez, a situação é ainda pior, com casos como o do Rio Branco, que dispensou praticamente o elenco inteiro que vinha jogando o Paranaense por causa da falta de dinheiro.

Globo

A situação financeiras do clube pode piorar a cada mês sem jogos. No calendário inicial previsto para a temporada, o Brasileirão teria começado no último domingo (3). Agora, não existe mais nem a certeza de que a fórmula da disputa, por pontos corridos, será mantida.

Com o cenário de indefinição, a emissora carioca já entrou em contato com os clubes para reduzir o pagamento das cotas de televisão durante três meses. A diminuição vale entre abril e junho e faz parte dos 40% dos direitos pagos ao clube mensalmente ao longo do ano.

Demais estados

As demais federações do país vêm traçando planos para um possível retorno, mas até o momento nenhuma disputa estadual tem data para retornar.

Principal do país, a Federação Paulista de Futebol, por exemplo, sugere jogadores e profissionais confinados até o fim do Paulistão, treinos progressivos, testes para o novo coronavírus antes da volta às atividades, regras de higienização e diminuição drástica das pessoas envolvidas em cada partida.

Já o Campeonato Carioca poderia ter sua reta final acontecendo em Brasília, no Mané Garrincha. A possibilidade foi comentada pelo próprio presidente Jair Bolsonaro (sem partido), mas encontra resistência do Ministério Público Federal. Já os campeonatos Mineiro e Gaúcho também seguem sem previsão de volta.

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