A eleição para a presidência da Fifa foi para o segundo turno. Numa primeira rodada de votação, o suíço Joseph Blatter, de 79 anos e atual presidente da entidade, recebeu 133 votos, contra 73 para o príncipe jordaniano Ali bin Al Hussein. Blatter precisava de 140 votos para vencer a eleição.

Os 133 votos não são suficientes para garantir dois terços de apoio do Congresso da Fifa. Assim, agora a eleição vai para o segundo turno. Nesta fase, se exigirá apenas maioria simples para se eleger o presidente da entidade.

Blatter usou seu último discurso para fazer um apelo emocionado por votos. “Eu só quero ficar com vocês”, disse às 209 federações, enquanto a votação começava. Blatter entrou para a Fifa em 1976 e, desde 1998, é seu presidente.

Membros da CBF indicaram que consideraram a atitude de Blatter como uma “traição” diante da falta de apoio à detenção de José Maria Marin e à crise de corrupção na entidade. O Brasil, depois de declarar seu apoio à Blatter, estava inclinado a votar por Ali bin Hussein, o candidato da oposição. De fato, as detenções de cartolas nos últimos dias em Zurique deram um impulso para a campanha do opositor.

Antes da votação, Blatter pediu “unidade” e prometeu criar novos organismos dentro da entidade para fortalecer o futebol. “Não precisamos de revolução, mas de evolução”, afirmou. “As pessoas me chamam de responsável por tudo. Está bem. Então assumo isso e vamos juntos para que, ao final de meu mandato, eu possa entregar uma Fifa forte, fora da tempestade”, disse. “Eu prometo uma Fifa forte”, insistiu. “Precisamos fortalecer as fileiras e ir adiante”, lamentou. “Vamos recolocar a Fifa nos trilhos e vamos começar amanhã mesmo com isso”, disse.

O cartola também rejeitou a tese de que estava por muito tempo na Fifa. “Mas o que é a noção de tempo. O tempo é eterno”, disse. Para ele, os 17 anos de presidência foram “curtos”.

Blatter insistiu que foi ele quem estabeleceu regras para tentar controlar o comportamento dos cartolas e garante que existe uma divisão de poderes dentro da entidade. “Mas não podemos controlar todos fora da Fifa”, disse. Ele também alerta que cabe às confederações regionais agir para se reformarem. “Só assim poderemos ter maior controle. Em nenhum país um tribunal pode agir sozinho”, insistiu.

ENCRUZILHADA – Ao discursar antes da eleição, Ali optou por um duro alerta e proliferou ataques velados ao cartola suíço. “Tudo está em jogo”, declarou. “A Fifa não existe numa bolha. O mundo nos olha. A Fifa não é uma pessoa”, alertou. “Não poderia ver um momento mais decisivo para Fifa que este e temos o direito de um novo começo”, insistiu.

“A mudança não ocorre em um dia. É um processo. Precisamos de uma cultura que apoie transparência”, apelou. “Estamos numa encruzilhada e precisaremos de um líder para arrumar essa confusão em que estamos”, insistiu.

Ele também havia prometido “não se esconder”. “Vou assumir as responsabilidades”, disse. “A Fifa não é uma empresa”, contra-atacou Ali ao comentário de Blatter de que a entidade é uma empresa”.