Tevez, Cagna e Bataglia comemoram, com
méritos, o quinto título do Boca Juniors.

O Boca Juniors não deu chance ao Santos e venceu ontem novamente a equipe brasileira na segunda partida da final da Copa Libertadores de América 2003, desta vez por 3 a 1, acabando com o sonho santista de repetir o título de 40 anos, quando o então time de Pelé, Coutinho, Pepe e companhia venceu os argentinos em plena Bombonera.

No primeiro tempo, o Santos começou a partida com o mesmo ritmo e domínio de bola da partida de Buenos Aires. Mas, da mesma maneira, o Boca se posicionou bem no sistema defensivo e dificultou as penetrações santistas. Mesmo assim, o Peixe criou duas chances de gol. No primeiro lance, Ricardo Oliveira chutou forte no meio da perna de Bataglia, e a bola tocou no morrinho artilheiro e o goleiro Abbondanzieri defendeu. No segundo, um escanteio cobrano no lado esquerdo a bola foi alçada novamente para o centro da área e Alex cabeceou no centro do gol. Villareal tirou debaixo da trave.

O domínio santista arrefeceu com a boa marcação do Boca. E aos 20 minutos veio o castigo. Alex perdeu a bola no meio-de-campo e no contra-ataque argentino rolou uma bela tabela entre Bataglia e Tevez até que o atacante argentino sobrou na cara do gol e tocou na saída de Fábio Costa.

O gol foi uma ducha de água fria no Santos, que se perdeu no meio-de-campo e passou a dar mais espaços para o Boca fazer o que mais sabe. Evitar jogadas perigosas do adversário, ao fazer uma marcação perfeita.

O técnico Emerson Leão nem esperou muito. Logo tirou o lateral Wellington e colocou o meia Nenê jogando pelo lado esquerdo.

Mas a mudança não mudou o panorama. Enquanto o Santos não conseguia penetrar na defesa azul e amarela dos argentinos, passou a alçar as bolas no centro da área. Mas também lá, o time argentino dominou as bolas aéreas.

No segundo tempo, a pressão foi ainda maior. Com amplo domínio dos santistas não se converteu em gols. Mesmo mandando na partida, chegando com facilidade à intermediária do Boca, ficou clara a falta de perspectiva do ataque do Peixe que não conseguia finalizar. Sempre havia pelo menos três argentinos marcando qualquer atacante santista que se preparava para receber a bola próximo à área.

Tanto que o Boca continuou tranqüilo no segundo tempo. A fatura quase foi definida aos 12?, quando Tevez recebeu passe de Delgado e bateu rasteiro. Fábio Costa fez grande defesa com os pés. O jogo ficou sem emoção até que o zagueiro Alex, um dos poucos conscientes do Peixe em campo, aos 30?, arriscou um chute despretensioso da intermediária e deixou tudo igual.

Mas as esperanças santistas acabaram por aí. Afinal, o Boca marcou o segundo gol aos 38?. Depois de uma bola perdida por Fabiano, Delgado foi lançado livre no ataque. Fábio Costa saiu no desespero fora da área para tentar cortar a bola, mas o argentino mostrou frieza e bateu suavemente para as redes santistas.

Nos acréscimos, o Boca Juniors deu o golpe final, em um pênalti cometido por Fábio Costa sobre Jerez. O zagueiro Schiavi cobrou forte e escreveu o capítulo final do título incontestável para o futebol da Argentina.

Peixe reza em campo e sai de “cabeça erguida”

O Santos parou no último obstáculo na Copa Libertadores da América. Mesmo com o estádio do Morumbi lotado, o Peixe não conseguiu reverter ontem à noite a vantagem de dois gols conquistada pelo Boca Juniors na partida de ida da decisão. Mesmo assim, o elenco do Peixe deu uma bela demonstração no final do confronto.

Ainda no gramado, o elenco se reuniu em uma roda e rezou em agradecimento por tudo que ocorreu durante a Libertadores. “Saíamos de cabeça erguida do campo. Corríamos o risco no contra-ataque e acabamos levando os gols. Dessa vez era do Boca. Na próxima, quem sabe, vai ser a vez do Santos”, afirmou o meio-campista Diego.

O Santos perdeu a chance de conquistar o terceiro título na história da Copa Libertadores. Com a derrota para o Boca, o time comandado pelo técnico Emerson Leão fica com as taças apenas de 1962 e 1963.