Rio – O tripulante do Brasil 1 André Fonseca, o Bochecha, foi um dos destaques da festa de premiação da segunda etapa da Volvo Ocean Race, a mais tradicional regata de volta ao mundo, realizada ontem, em Melbourne.

Ele recebeu o prêmio por bravura no mar, chamado de Seamanship Award, por ter mergulhado nas águas frias do Oceano Índico para retirar pedaços do mastro e das velas da primeira embarcação brasileira a participar da competição.

O velejador catarinense, radicado em Porto Alegre, teve de exercer a função de mergulhador depois da quebra do mastro do Brasil 1, no dia 18 de janeiro. Ele teve de nadar nas águas com 11 graus de temperatura para salvar as três partes do mastro, a vela mestra inteira e três dos quatro pedaços do balão. Tudo isso para não deixar nada no mar.

?Foi apenas um mergulho. Não faria se não soubesse que era seguro?, disse Bochecha, que trabalha como timoneiro e regulador de velas na embarcação brasileira. ?No Brasil, a temperatura da água normalmente fica em torno de 21 graus. Lá, mergulhei a 11 graus. Estava frio, foi difícil, mas poderia estar pior?.

Além do prêmio individual de André Fonseca, a tripulação do Brasil 1 também recebeu um troféu dos organizadores: pela maior contribuição de mídia.

Trabalho intenso

Cinco dias para consertar os danos no convés em Port Elizabeth, na África do Sul. Oito dias de navegação, após a quebra do mastro, para chegar à Fremantle, na Austrália. Quase cinco dias para transportar o barco de uma ponta à outra do país. O Brasil 1 superou todos esses desafios.

A equipe brasileira vai completar mais uma ?missão impossível?: à 1 hora da madrugada de sábado (de Brasília), Torben Grael e sua tripulação disputam a regata local de Melbourne, a terceira da competição que começou em novembro, na Espanha.

?Temos um terço do tempo que normalmente teríamos para deixar o barco pronto.

É claro que não estaremos na linha de largada como gostaríamos, mas vamos estar lá. Estou confiante?, avisou o comandante Torben Grael.