Apesar da falta de entrosamento do
ataque, Genilson mostrou movimentação
e oportunismo com um gol.

O objetivo principal do amistoso foi conseguido – movimentar a equipe e dar ritmo de jogo. A apenas uma semana do início do Brasileiro, o Coritiba venceu o Joinville e o técnico Paulo Bonamigo finalmente teve o que pedira, uma partida para avaliar o atual momento da equipe. E ele ficou satisfeito, e mais confiante para a estréia de domingo contra o Vitória, no Couto Pereira.

Bonamigo queria um amistoso porque pretendia ver a reação do elenco em uma situação de jogo. “Era importante ter essa visão, porque numa partida existem características que não se vêem em treinos, como a presença de público”, explicou o treinador coxa. “Por isso eu gostei da equipe, que mostrou evolução em relação ao jogo-treino contra o Caxias”, disse o técnico.

Ele aproveitou para elogiar o lateral Adriano, que substituiu Sérgio Manoel e foi um dos destaques da partida. “Eu nem preciso ficar falando do Adriano. Ele dispensa palavras. Mostrou mais uma vez porque ele deixou tão cedo o time juvenil para estar conosco. E podem ter certeza que ele será muito importante no campeonato brasileiro”, avisou o técnico.

Durante essa semana, Bonamigo pretende azeitar o esquema tático, principalmente no meio-campo. “Uma equipe que marque bem, que tenha bons cobradores de falta, que saia pelas laterais e jogue em velocidade vai chegar à final do Brasileiro. É só tomar como exemplo o nosso rival (Atlético), que foi campeão ano passado usando justamente esses fatores”, resume o treinador alviverde.

Enquanto isso, Lúcio Flávio comemorava o êxito da estréia. “Apesar de ser apenas um amistoso, é bom começar com vitória. A gente ganha um ânimo maior para o que vem pela frente”, afirmou. Segundo o meio-campista, ainda falta entrosamento. “Tem algumas coisas para serem corrigidas, mas eu tenho certeza que estaremos prontos para o jogo contra o Vitória”, disse Lúcio, que saiu aos 30 minutos do segundo tempo. “O Bonamigo tinha avisado que iria colocar todo mundo, e eu também senti o tempo que estou sem jogar”, confessou.

Problemas

Bonamigo tem dois jogadores titulares entregues ao departamento médico. Sérgio Manoel continua em tratamento das dores no pé direito, e não se sabe se ele conseguirá se recuperar por completo para o jogo contra o Vitória. E Genílson sentiu o ombro na partida de sábado e preocupa. “Preciso ver como ele está, porque ele esteve muito bem na partida”, disse o técnico. O centroavante tem um problema muscular no local e será reavaliado hoje.

De outro lado, Genílson tem uma segunda pendência – a documentação dele ainda não veio da Espanha (ele está vinculado ao Málaga, apesar de pertencer à empresa de César Sampaio e Rivaldo). “Um emissário da CSR está na Espanha e nos prometeu passar a papelada até a metade da semana”, disse o secretário Domingos Moro. Roberto Brum também não está regularizado, e por isso ele foi ao Rio de Janeiro buscar a documentação no Fluminense.

JEC ajudou, mas time foi no ritmo de Lúcio

Talvez não tenha sido tão difícil, principalmente porque a defesa adversária colaborou. Mas a goleada de sábado do Coritiba sobre o Joinville por 3 a 0, no Couto Pereira, mostrou um time em evolução, e que terá em Lúcio Flávio o seu ponto de equilíbrio. Mas ainda há muito o que se acertar até a partida de domingo contra o Vitória, estréia alviverde no campeonato brasileiro.

Fraco ou não, o Joinville conseguiu testar todos os compartimentos do Coritiba. De início o ataque, com as duas pixotadas da defesa catarinense. Preocupado com o excesso de erros nas conclusões, o técnico Paulo Bonamigo deve ter ficado satisfeito com os dois primeiros gols. No primeiro, aos 10 minutos, Lúcio Flávio passou por Clairton e cruzou. Marcos Antônio furou, e Genílson apenas rolou para Da Silva deslocar Marcão e abrir o placar.

O segundo gol alviverde também surgiu depois das confusões da zaga do Joinville. Aos 20 minutos, Marcão saiu errado, e Da Silva (o do Joinville) perdeu para Genílson. O atacante teve tempo de escorregar, levantar-se, escolher o canto e marcar seu primeiro gol com a camisa do Coritiba. “Se eles falham, a nossa obrigação é fazer o gol. Se for com essa ajuda, melhor”, disse o atacante.

Depois disso, os catarinenses melhoraram a marcação e passaram a dificultar a saída de ataque coxa. Com apenas Lúcio Flávio na armação e os alas presos na defesa, Roberto Brum e Reginaldo Nascimento tiveram dificuldade para criar. Da Silva e Genílson, apesar dos gols, ainda não se entrosaram por completo. “Isso nós vamos conseguir com o tempo, mas já foi muito melhor que nos treinamentos”, afirmou o centroavante.

No segundo tempo, Bonamigo exigiu mais apoio pelas alas, e Reginaldo Araújo e Adriano passaram a se destacar. Sem a pressão de ser o único armador, Lúcio Flávio ganhou espaço e confiança, melhorando sua atuação e colocando o Cori no ataque. Em uma dessas jogadas, o estreante lançou Da Silva, que chutou em cima de Marcão. No escanteio (aos 12 minutos), Lúcio colocou na cabeça de Pícolli, que definiu o placar. “É bom ver que a jogada que a gente tanto treina deu certo no jogo”, comemorou o capitão coxa, que marcou seu primeiro gol no Couto Pereira, e o segundo este ano.

Dali em diante, Bonamigo colocou os reservas para jogar, com destaque para Tcheco, e o jogo ficou mais aberto, até pelo desentrosamento do Cori que estava em campo. Mesmo assim, o Cori perdeu um sem-número de chances, enquanto o Joinville teve uma chance clara com Carlos Canela, que Fernando defendeu. A vitória de sábado foi a primeira desde o Atletiba de 19 de maio, último jogo que se realizara no Alto da Glória. Mas a importância da goleada é maior – significa a arrancada coxa para um segundo semestre que se espera melhor do que o primeiro.

Torcida foi fazer mutirão

Para quem acha que o torcedor não precisa colocar a ‘mão na massa’, um grupo de coxas deu um exemplo do contrário ontem. Aproveitando o domingo de tempo bom (e muito frio), mais de cinqüenta torcedores, arregimentados pelo movimento independente CoriAção, pintaram vestiários e fizeram pequenos reparos no Couto Pereira. É apenas mais uma das ações que eles praticaram nos últimos tempos.

O CoriAção, formado por membros de torcidas organizadas, conselheiros, mantenedores de sites e torcedores comuns, nasceu para ser um ponto de apoio ao clube e cobrança (sempre que necessária) à diretoria. No último ano, eles realizaram várias ações de caridade em parceria com o Coritiba, levando comida e presentes em creches, hospitais e asilos – ou simplesmente levando os jogadores para conhecer os internos.