O técnico Paulo Bonamigo vai encontrar amanhã o mesmo Coritiba que deixou há vinte dias. Não haverá caras novas, não haverá muitas novidades. Será quase o mesmo grupo, com algumas ausências, mas com boas notícias para o treinador, que pensa da mesma forma que a diretoria – primeiro é preciso manter quem já está, para depois ver quem poderá vir.

Bonamigo não verá dois jogadores que vieram para resolver e não resolveram – e até por isso podem ser considerados duas decepções. Tanto Genílson quanto Sérgio Manoel não aceitavam a reserva, mas quando tiveram chances não as aproveitaram. Devidamente dispensados, só deverão dar as caras para receber, e para isso não precisarão ir ao CT da Graciosa. São cartas fora do baralho.

Outros podem estar saindo, como Da Silva e Reginaldo Araújo. Ambos interessam ao Paysandu, que estaria chegando com uma proposta para levá-los. A diferença é que o lateral ainda tem contrato em vigência com o Coritiba, enquanto o atacante tem seu vínculo encerrando no final do mês. Só que a situação dos dois acaba ficando semelhante: com suas particularidades, os casos devem desembocar na saída deles do clube.

Mas ele poderá contar com Tcheco e Fernando só pensando no Coritiba. Ambos acertaram sua permanência no clube, restando apenas detalhes burocráticos: para o meio-campista, o aval do Malutrom; para o goleiro, o trâmite da rescisão de contrato. “Mas eu já estou tranqüilo”, confessa Fernando. “A gente sempre pensa que vai dar tudo certo, mas tomei um susto dessa vez. O bom foi que no final as coisas se acertaram”, afirma ele, que ficou duas semanas tentando a liberação junto ao Grêmio, conseguindo-a somente na sexta-feira passada.

Os outros que ainda não renovaram estão próximos de um acerto, como Reginaldo Nascimento e Edinho Baiano. Estes são esperados para conversar – e, se possível, a conversa definitiva, pois ambos entraram em férias já com as propostas do Coritiba feitas. Edinho interessa a equipes do interior paulista e Nascimento teria proposta do Bahia. “São atletas de muita responsabilidade e sabemos que vão conversar no mais alto nível. É natural que eles tenham propostas de outras equipes, mas desejamos que eles permaneçam”, explica o secretário Domingos Moro.

Assim, o grupo que se reunirá (que será de aproximadamente trinta atletas) pouco terá de novo. As necessidades previstas pelo treinador e que são conhecidas da diretoria serão atendidas em breve. “Antes temos que definir situações internas do clube”, afirma Moro. A posição da direção alviverde é de primeiro pagar o que deve aos jogadores para depois definir quem virá.

A posição mais carente segue sendo a do ataque. Para a vaga já há muito aberta de ‘matador’ os favoritos são Dimba, do Gama, e Taílson, do Botafogo. Outro favorito nas bolsas de contratação é o meio-campista Alexandre, do Atlético-MG, velho sonho alviverde. Mas eles não chegarão amanhã, e por isso os rostos que Bonamigo verá serão aqueles que ele já se acostumou a ver.

Coxa manda sinal para Lúcio

Se é o caso de fazer uma proposta, o Coritiba fez. Ontem, depois de todas as especulações e de muitas conversas, o procurador Ney Santos recebeu uma proposta de renovação de contrato de Lúcio Flávio por mais um ano. A diretoria não quis revelar valores, mas é certo que o clube não entrará em leilão pelo jogador, que está próximo de um acerto com o Atlético-MG.

A reunião de ontem pela manhã do presidente Giovani Gionédis com o secretário Domingos Moro e o gerente Oscar Yamato serviu para que o Cori iniciasse a negociação com Ney Santos. “Ele nos disse que só sabia do interesse do Coritiba pelo noticiário. Então nós fizemos uma proposta oficial”, conta o secretário coxa.

Isso coloca o procurador em uma situação delicada. No momento em que recebe uma oferta coxa, ele tem que negociar prioritariamente com o Cori, já que Lúcio tem vínculo com o clube até o dia 31. Apesar disso, Ney Santos esteve ontem em Belo Horizonte para alinhavar um acerto com o Atlético-MG. Lá, já se conta como certa a contratação de Lúcio Flávio pelo Galo.

Segundo a direção alviverde, não há nada de errado em Ney negociar Lúcio com outros clubes sem dar satisfação ao Coritiba. “Não temos que liberá-lo para conversar. Quem autoriza o Ney é o Paraná Clube”, explica Moro – o Paraná tem contrato com o meio-campista até o final de 2003. Mas, no momento que o Cori fez a proposta, exerce uma prioridade natural, já que o jogador ainda pertence ao clube. “Nós temos interesse na permanência do Lúcio, que foi um dos destaques da nossa equipe”, finaliza Moro.

Aposta

O caso Tcheco segue sem o desfecho oficial. Já com tudo acertado com o Coritiba, o jogador e seu procurador Ruy Gel foram incumbidos de finalizar o acordo com o Malutrom. O lado coxa não vê problemas nesse acerto. “Cremos em um conversa tranqüila porque lá está o Joel Malucelli, que foi um dos maiores presidentes da história do Coritiba”, elogia Domingos Moro. (CT)