São Paulo – O Brasil 1, primeiro veleiro brasileiro a disputar a Volvo Ocean Race, será reparado na cidade africana de Port Elizabeth, a leste da Cidade do Cabo. Na manhã de ontem, a tripulação comandada por Torben Grael reportou problemas estruturais e anunciou que estava voltando para a África do Sul, para os reparos necessários.

A equipe de terra foi mobilizada imediatamente e já se prepara para receber o veleiro na tarde de hoje. Os dois contêineres que viajam com a equipe pelo mundo, um como oficina, outro como depósito, já foram enviados para Port Elizabeth e o trabalho deve começar assim que o Brasil 1 atracar.

"Nosso objetivo é reparar o Brasil 1 da melhor maneira possível, mas precisamos avaliar o que será melhor para o projeto. Na sexta-feira iremos definir se vale a pena reparar o barco e conquistar os pontos restantes desta perna. A Volvo é uma competição longa e ainda temos muitos pontos para conquistar", avalia Alan Adler, diretor do projeto.

Na última atualização de posicionamentos da organização, o barco brasileiro estava a 68 milhas da costa africana, velejando a dez nós. A previsão é de que o Brasil 1 chegue na tarde de hoje a Port Elizabeth.

Como está velejando para leste, o Brasil 1 aparece agora em segundo lugar no boletim. O líder é o espanhol movistar, com Piratas do Caribe/EUA em terceiro, ABN Amro One/HOL em quarto, ABN Amro Two/HOL em quinto e ING Brunel/AUS em sexto.

O Ericsson, que está indo para Mossel Bay para reparar o problema na quilha, é o sétimo.

Ainda não foi definido o que o barco brasileiro fará em relação à segunda perna da prova. As opções são tentar concluir a etapa, se os reparos forem simples, ou desistir dela e levar o barco direto para Melbourne, onde seria reparado e aguardaria a largada da terceira perna, em fevereiro.

Outro veleiro que teve de voltar à África do Sul foi o ‘Ericsson’, com problema na quilha.

Barco sueco também apresentou problemas

O Brasil 1 não foi o único barco com problemas na segunda etapa da Regata Volta ao Mundo.

A embarcação da Suécia sofreu a quebra de um pistom hidráulico do sistema móvel e também está a caminho da África do Sul, ponto de partida dessa perna da competição.

"Ouvimos uma explosão e descobrimos que ela era devida à ruptura de uma das barras do pistom. Logicamente, estamos decepcionados, mas, ao mesmo tempo, estamos convencidos de que vamos consertar o barco o mais rápido possível para seguir adiante na prova", disse McDonald, capitão do barco.

Na disputa por pontos, o barco da Suécia ocupa a quarta colocação, com 11,5 pontos. Na segunda etapa, o veleiro estava em último lugar, bem distante dos demais.

Curiosidades

As regatas Volta ao Mundo têm suas origens nas grandes competições "clipper" de meados do século 19. Estes navios, construídos para velocidade, competiam para ser os primeiros a chegar ao porto, garantindo assim o melhor preço para suas cargas.

A primeira regata saiu da Inglaterra em setembro de 1973, desde então tem-se realizado a cada quatro anos.

Durante a regata podem ser usadas 38 velas, excluindo-se as velas para tempestades "storm jibs" e "trysails".

Tempestades e icebergs e até mesmo baleias, representam perigo em potencial durante a regata.

93 mulheres já competiram nas regatas anteriores.

Podem ser transportados até 2.500 litros de água como lastro nos tanques de cada lado do barco, o que equivale a 30-35 pessoas, aumentando a estabilidade. A água pode ser bombeada de um lado para o outro, dependendo da inclinação necessária, ou pode ser bombeada totalmente para fora.

As tripulações experimentam variações de temperatura desde -5c a +40c.

O número "60" refere-se ao comprimento do barco na altura da linha d’água, em pés.

A chegada mais apertada da história da regata aconteceu em Sidney em 1997, quando 9 barcos chegaram à reta final em 1h40min, depois de uma corrida de 2.200 milhas.

A Volvo Ocean Race 2001-2002, a maior regata do mundo, fez escala no Rio de Janeiro em março de 2002.