Nilton Santos/CBF News
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Os "galáticos" Robinho e Ronaldo são a esperança de gol da torcida brasileira. 

Brasília (AE) – A seleção brasileira pode fazer história neste domingo na capital federal. Liderada por um quarteto de frente capaz de fazer inveja a qualquer seleção do mundo de todos os tempos, o Brasil enfrenta o Chile, às 16h, no Mané Garrincha, para carimbar sua iminente participação em mais uma Copa do Mundo. O Brasil é único país a disputar todos os mundiais da Fifa.

Kaká, Robinho, Ronaldo e Adriano são os homens encarregados de construir o placar e garantir a seleção brasileira na Alemanha com duas rodadas de antecedência para o fim das eliminatórias. Uma vitória por qualquer marcador classifica o Brasil em Brasília. O time de Carlos Alberto Parreira soma 27 pontos e ocupa a segunda posição na tabela, atrás da Argentina (31), já garantida para o mundial.

As quatro primeiras seleções da disputa sul-americana estarão na Alemanha em junho de 2006. O quinto colocado briga na repescagem por uma última vaga. O Brasil também se garante com um empate caso a Colômbia não vença o Uruguai em Montevidéu, em jogo que começa às 18h10.

Parreira não está para brincadeiras. Demonstrou isso durante a semana em que esteve à frente do elenco em Teresópolis. Ele não quer deixar a oportunidade passar. Esse foi um dos motivos para escolher Robinho no lugar de Ronaldinho Gaúcho, suspenso. O técnico quer um time ofensivo, que faça gols e liquide a fatura nesta rodada.

No primeiro dia da seleção na Granja Comary, o treinador acabou com a especulação sobre a possibilidade de Ricardinho compor o meio-de-campo com Kaká. Disse logo que Robinho seria o titular, e formaria com Ronaldo e Adriano o ataque da seleção. Depois, preferiu recuar um pouco o jogador do Real Madrid para que ele pudesse ajudar Kaká na armação da equipe. Teme que os homens de frente fiquem isolados. "O que não quer dizer que Robinho ficará impedido de chegar ao ataque e mostrar todo o seu talento. Todos os quatro terão liberdade." E espera-se muito de Robinho. Brasília quer ver suas pedaladas, ainda mais agora que usará a camisa 10, a mesma de Pelé.

No último dia de trabalho em Teresópolis, um susto: Ronaldo sentiu dores na coxa direita e reclamou. O médico José Luís Runco, entretanto, reduziu o problema a apenas um incômodo normal de começo de temporada.

Parreira espera um Chile fechado, sem se expor no Mané Garrincha, mesmo ainda tento boas chances de se classificar ou de brigar pela repescagem. A equipe do técnico Nelson Acosta soma 20 pontos e pode chegar a 29 caso vença suas três últimas partidas. Por isso todo cuidado é pouco em Brasília. A seleção brasileira terá liberdade para pressionar desde o começo do jogo, mas não ir com muita sede ao pote.

Parreira demonstrou alguma preocupação com a ansiedade do elenco em querer matar o jogo logo de cara. Pede paciência. Quer seu time tocando a bola e esperando o momento certo para dar o bote, a marca registrada da equipe sob o seu comando.

A Robinho, a grande sensação da Europa, pediu mais participação tática no meio, evitando se embolar com Ronaldo e Adriano na frente. O capitão Cafu também alertou para a necessidade de o torcedor ter paciência com o time, pois somente assim o gol sairá naturalmente. "O torcedor brasileiro nunca teve paciência com a seleção. Mas ele tem de entender que a partida vale muito e por isso precisamos da ajuda dele até o fim", disse. E vale mesmo. A partida contra o Chile pode valer o começo da busca do hexa.

Acosta quer Chile fechando espaços

Santiago (AE) – O técnico do Chile, Nelson Acosta, não quer que a seleção brasileira tenha espaço para jogar. O treinador já advertiu sua equipe: será quase impossível conseguir um resultado positivo se o Brasil tiver a bola dominada e espaços para se mover.

Apesar de grande parte da torcida chilena não acreditar em um bom resultado da equipe, os jogadores esperam voltar do Brasil com pelo menos um empate. "A idéia é fazer uma grande partida e ir com a ilusão de fazer história", afirmou o atacante Pinilla. "Para isso temos que estar brilhantes e muito concentrados."

O Chile, que está com 20 pontos nas eliminatórias, precisa da vitória para continuar com chances de se classificar para a Copa de 2006. Por isso mesmo a idéia não é montar uma retranca. Tem também que sair para o ataque.

O treinador deve colocar o time em campo no esquema 3-5-2. Ao lado de Pinilla, a esperança de gols fica por conta de Marcelo Salas. E o atacante não esconde a dificuldade de enfrentar o Brasil. "Estou um pouco ansioso. Trabalhamos bastante, diferentes opções de jogo, bola parada. Nesse sentido, estamos bem preparados."

A maior duvida no time chileno está na zaga. Ricardo Rojas está com uma forte gripe e não sabe se joga. Se não atuar, Waldo Ponce entra no seu lugar.

Quadrado é atração e destaque da seleção

Teresópolis (AG) – Parreira aposta em uma grande exibição do Brasil contra o Chile. O treinador confia bastante no quarteto ofensivo formado por Kaká, Robinho, Ronaldo e Adriano. Por enquanto, o Brasil fez 26 gols em 15 partidas nas eliminatórias. Tem o segundo melhor ataque, apenas atrás da Argentina, que fez 27.

Mas depois que Parreira decidiu recuar definitivamente Ronaldinho Gaúcho para o meio-campo e formar o "quadrado mágico", a seleção melhou de 1,7 para 2,2 a média de gols por partida. Foram dez jogos e 22 gols. "A chance de marcarmos gol é muito grande. São quatro jogadores que podem decidir a qualquer momento. Mas, lógico, pode acontecer de não conseguirmos furar o bloqueio", disse Parreira, que espera uma aplicação tática de Ronaldo e Adriano. "Não tem outra opção. Se você quer jogar com jogadores muito técnicos e eles não voltam para preencher espaços, aí fica difícil. Na hora que perder a bola todo mundo tem que ajudar. O primeiro combate é importante até para dar tempo a nossa defesa e deixá-la se arrumar."

Parreira não vê problema em escalar dois atacantes que têm presença de área e estilos parecidos. "Sempre gostei de armar equipes com dois homens de área. Na seleção também fiz isso pelo bom momento do Adriano e pelo que representa o Ronaldo. É uma tentativa para a seleção ter em campo os melhores atacantes do futebol mundial."

ELIMINATÓRIAS DA COPA
BRASIL x CHILE

Brasil: Dida; Cafu, Lúcio, Juan e Roberto Carlos; Emerson, Zé Roberto, Kaká e Robinho; Adriano e Ronaldo. Técnico: Carlos Alberto Parreira.

Chile: Nelson Tapia; Fuentes, Ricardo Rojas e Contreras; Alvarez, Melendez, Maldonado, Tello e Pizarro; Salas e Pinilla. Técnico: Nelson Acosta.

Súmula
Local: Mané Garrincha (Brasília-DF)
Horário: 16h
Árbitro: Carlos Amarilla (PAR)
Assistentes: Manuel Bernal (PAR) e Amelio Andino (PAR)