Daiane e Camila perfilam para cerimônia
do hino no pódio da Copa do Mundo.

Rio – O Brasil não desperdiçou as oportunidades e tanto os atletas da seleção quanto a organização da terceira etapa da Copa do Mundo, no Rio, aproveitaram o evento para elevar seu prestígio internacional.

Além da ausência dos principais expoentes da modalidade ter ajudado a campanha brasileira, que totalizou oito medalhas, também facilitou a realização de um evento com reduzidos problemas técnicos e operacionais.

O último dia de disputas no Riocentro, em Jacarepaguá, foi reservado para a confirmação da quinta medalha de ouro nos exercícios de solo para Daiane dos Santos. Mas, antes de assistir a mais uma performance da atual campeã mundial, os torcedores vibraram com o desempenho dos irmãos Hypolito, Daniele e Diego, que asseguraram medalhas de ouro na trave e no salto, respectivamente.

Diego foi o primeiro a levar o público ao delírio. Seus dois saltos lhe renderam a nota 9,418 pontos, que o deixou apreensivo porque não seria uma pontuação suficiente para assegurar o primeiro lugar.

“Eu e meu treinador (Renato Araújo) já estávamos pensando que seria bronze, mas os outros atletas cometeram vários erros”, disse Diego, vencendo Yernar Yerimbetov, natural do Casaquistão, por apenas 0,18 décimos.

Após Diego, foi a vez de Daniele e Camila Comin assegurarem suas medalhas de ouro e prata na trave. A prova foi tensa, principalmente, porque das oito finalistas somente três, entre elas as brasileiras, não caíram do aparelho. Daniele, a última a se apresentar, chegou a desequilibrar, mas mostrou agilidade e garantiu o lugar mais alto do pódio com 9,212, seguida pela compatriota, 8,575.

“A trave é um dos aparelhos onde se precisa entrar bem concentrada. E o fato de elas caírem não me abalou”, afirmou Daniele. “Como as notas estavam baixas, não quis arriscar tanto e deixei de fazer um elemento (cortada com pé na cabeça).” O público brasileiro ainda festejou Mosiah Rodrigues, o quinto na barra fixa, e Michel Conceição, 7.º nas barras paralelas e barra fixa.

Mas foi Daiane dos Santos que mais uma vez deslumbrou o público, com sua apresentação no solo, ao som do choro Brasileirinho, de Valdir Azevedo. A gaúcha assegurou o primeiro lugar com a nota 9,600, deixando em segundo a americana Allyse Ishino. Camila foi a terceira, 9,075.

“Não fiz uma série muito boa. Estava um pouco tensa, mas relaxei a partir da segunda parte da coreografia”, destacou Daiane, que ainda não realizou a série a ser apresentada nos Jogos Olímpicos de Atenas.

Ontem, por exemplo, não fez o salto preparado para a competição grega, o duplo twist estendido, e substituiu a tripla pirueta pelo salto duplo estendido para trás.

No sábado, o Brasil já havia conquistado a medalha de ouro com Diego no solo, a prata com Daniele nas paralelas assimétricas, e prata com Mosiah Rodrigues no cavalo com alças. E satisfeito com o desempenho da seleção, o técnico Oleg Ostapenko ressaltou que a equipe precisa melhorar para ir bem em Atenas. De contrato renovado até 2008, afirmou que se não encontrar novos talentos poderá deixar a equipe antes de seu término. Para continuar o trabalho vitorioso, uma seleção juvenil permanente será montada.