A Fifa confirmou ontem que o primeiro gol
marcado contra os costarriquenhos foi de Ronaldo

Silvio Barsetti

Kobe, Japão

(AE) – O time do Brasil para a partida contra a Bélgica, segunda-feira, pelas oitavas-de-final da Copa do Mundo, já está definido pelo técnico Luiz Felipe Scolari. O treinador anunciou, ontem, que Roque Junior, Roberto Carlos e Ronaldinho Gaúcho – ausentes na partida contra a Costa Rica – voltam ao time. Com isso, Junior, Edmílson e Edílson voltam para o banco de reservas.

Felipão não quis fazer comentários sobre a Bélgica – que garantiu a vaga ao vencer a Rússia por 3 a 2 na madrugada de ontem. “Vamos ver uns vídeos sobre eles; analisar e conversar longamente com os jogadores”, disse ele. O treinador disse que não quer falar muito “para não dar armas ao inimigo”.

Felipão já está com a cabeça na Bélgica, mas ainda é obrigado a responder questões sobre a Costa Rica e o fraco rendimento da defesa brasileira. “O Brasil teve dificuldades porque enfrentou uma equipe que estava jogando na base da roleta russa, que terminou com seis atacantes. Poderíamos ter feito três, quatro ou mais gols e tomado, no máximo dois”, avaliou.

Irritado com as cobranças, ele voltou a defender os zagueiros. “Eu acho que estão exagerando na conta quando criticam os zagueiros do Brasil, mas vocês (jornalistas) vão ter de se redimir de tudo aquilo que falaram dos zagueiros. Outras seleções com zagueiros espetaculares já estão fora da Copa,” argumentou. “Não dá pra entender o que vocês (jornalistas) querem. Se a gente reforça a defesa, vocês chamam de retranqueiro. Quem faz 11 e toma 3, em princípio está bem”, acrescentou Felipão, que deixou a cidade de Ulsan, na Coréia, e só quando estava no Japão, se lembrou que estava sem a carteira, onde havia deixado os documentos e uma quantia em dinheiro.

Ao ser perguntado sobre quanto de dinheiro havia na carteira, ele foi econômico. “O suficiente para voltar casa casa amanhã se for o caso”, garantiu.

Técnico vai analisar os vídeos da Bélgica

Sílvio Barsetti e Wagner Vilaron

Kobe, Japão – A primeira medida tomada pelo técnico da seleção brasileira, Luiz Felipe Scolari, quando soube que o adversário de sua equipe nas oitavas-de-final da Copa do Mundo da Coréia do Sul e do Japão é a Bélgica, foi manter sua tradição e fazer mistério. Logo ao ser indagado sobre o que pensava do time europeu, o treinador brasileiro não esperou o final da pergunta. “Já vou dizendo que estudaremos os vídeos da Bélgica e depois vamos ver o que posso passar para vocês (jornalistas) que não sirva de arma para o inimigo”, explicou.

Contudo, em pelo menos um aspecto os belgas estão em vantagem diante dos brasileiros. De acordo com o que disse Scolari, as observações realizadas por seus ‘espiões’ renderam um material de vídeo que lhe possibilita conhecer 80% da Bélgica. “Eles, contudo, devem conhecer 100% da seleção brasileira”, afirmou.

A rotina agora vai ser parecida com a vivida na Espanha e na Malásia, durante a fase de preparação para o Mundial. A comissão técnica vai passar aos jogadores os vídeos com as principais jogadas e o posicionamento tático do adversário. “Tudo que tenho para falar é que vamos conversar bastante para acertar”, garantiu o treinador.

Respeito

A experiência é apontada por alguns brasileiros como o principal mérito da seleção belga. “Eles têm jogadores de 33, 34 anos com uma carreira respeitável”, afirmou o lateral-esquerdo Roberto Carlos, que, segundo o médico da seleção, José Luiz Runco, está liberado para o jogo de segunda-feira.

Confirmado, Ronaldo “ganha’ primeiro gol

Kobe, Japão

(AE) – A medida tomada pela Fifa de voltar atrás e lhe conferir o primeiro gol do jogo com a Costa Rica foi recebida por Ronaldo com uma discreta indiferença. “Eu já sabia disso antes”, limitou-se a dizer. O Grupo de Estudos Técnicos da Fifa reuniu-se para analisar fitas de vídeo da partida e chegou a conclusão de que Ronaldo tocou mesmo na bola para concluir o lance. O Brasil venceu os costa-riquenhos por 5 a 2.

Ronaldo passou a somar oito gols em Copas do Mundo e já supera grandes nomes do futebol do País, como Zico, Sócrates e Romário, na lista de artilheiros da competição. Pesou para a reavaliação da Fifa a forte influência do presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, na cúpula da entidade. Ronaldo está agora atrás de Pelé, com 12 gols, e de Leônidas, Ademir, Vavá e Jairzinho, que assinalaram nove gols em mundiais.

O atacante minimizou o fato, para falar mais do “grupo” da seleção. Parecia temer que a repercussão da polêmica sobre a autoria ou não do gol pudesse distorcer o que ele vem falando há vários dias: quer, primeiro, ser campeão do mundo; depois pensar na artilharia.

A jogada que motivou integrantes da Fifa a um encontro extra ocorreu aos 10 minutos de partida, numa bola dividida entre Ronaldo e o zagueiro Marin. Na súmula, o árbitro egípcio Gamal Ghandour regsitrou gol contra.

Desde a saída do Estádio de Suwon, Ronaldo era bem claro. “O gol foi meu e a Fifa vai confirmar isso.” Ontem, cansado como os demais atletas, fez rápido trabalho de piscina. (SB e WV)

Desgaste do grupo começa a preocupar

Kobe, Japão

(AE) – A maratona de viagens da seleção brasileira e o longo período fora de casa já provocam um desgaste visível no grupo, reunido desde 12 de maio para a disputa da Copa do Mundo. Os reflexos de uma certa impaciência dos jogadores, mais suscetíveis por causa também da distância dos parentes, estão sendo considerados pela comissão técnica para o confronto com a Bélgica, segunda-feira, pelas oitavas-de-final do Mundial.

A seleção deixou a cidade de Ulsan no dia 12 e seguiu de avião para Seul, numa viagem de quase duas horas. No dia seguinte, partiu de ônibus da capital da Coréia do Sul para Suwon, local da partida com a Costa Rica. Regressou logo depois para Seul. Os atletas, então, recolheram-se em minutos para dormir.

A noite foi curta por que tiveram de ir cedo ontem para o Aeroporto Internacional de Incheon, distante uma hora do centro de Seul. O novo vôo, com duração de 1h40, trouxe a delegação para a cidade de Osaka, no Japão, onde um ônibus a aguardava para um novo percurso – até Kobe, em mais uma jornada de praticamente duas horas. “Esse entra-e-sai de avião quebra a gente”, comentou o goleiro Rogério Ceni.