A tranqüilidade só chegou aos 42 minutos,
com um novo gol de Ronaldo, o quinto dele
na Copa, igualando-se na artilharia com
Miroslav Klose, da Alemanha.

Kobe, Japão (AE) Com um bonito gol de Rivaldo e outro de Ronaldo, que alcançou a artilharia da Copa, ambos no segundo tempo, a seleção brasileira venceu a Bélgica por 2 a 0, ontem, em Kobe, no Japão, e garantiu vaga nas quartas-de-final.

Agora, o Brasil vai enfrentar a Inglaterra, na próxima sexta-feira, às 3h30 de Brasília, em Shizuoka, no Japão. Apesar da vitória, os brasileiros tiveram uma atuação ruim e causaram muito sofrimento à torcida.

O primeiro tempo foi nervoso e equilibrado. Os brasileiros, com um pouco mais de iniciativa de atacar, começaram a partida com ligeira vantagem. Os belgas preferiam arriscar os contra-ataques. Aos poucos, no entanto, a situação inverteu-se. Com os erros dos brasileiros, a Bélgica passou a tocar a bola com mais tranqüilidade e chegou a ter o controle do jogo por alguns minutos.

Faltava criatividade à seleção brasileira na armação das jogadas e sobravam passes errados. O meio-de-campo estava um pouco distante do ataque. Ronaldinho Gaúcho e Juninho Paulista tinham dificuldade de escapar da marcação dos rivais. A Bélgica chegou a fazer um gol, aos 35 minutos, mas o árbitro Peter Prendergast viu falta de Marc Wilmots em Roque Júnior, antes de o belga desviar a bola de cabeça, e anulou o lance.

As melhores jogadas do Brasil no primeiro tempo tiveram a participação do atacante Ronaldo, mas os erros de finalização eram muitos. Aos 18 minutos, Ronaldo recebeu bonito passe de Ronaldinho Gaúcho, mas tocou para fora. Aos 26, ele fez cruzamento para Rivaldo, que errou na conclusão. Ronaldinho Gaúcho, aos 45, e Roberto Carlos, aos 46, também falharam.

Na segunda etapa, o Brasil pareceu voltar mais tranqüilo. Engano. Aos 5 minutos, Wilmots chutou no canto esquerdo de Marcos, que teve de se esforçar muito para desviar para escanteio. A pressão dos belgas aumentou e o sofrimento dos brasileiros. O técnico Luiz Felipe Scolari só resolvou fazer a primeira mudança aos 12 minutos, com Denílson no lugar de Juninho.

Denílson entrou, mas o Brasil não melhorou. Marcos continuou tendo muito trabalho. Aos 17 minutos, em novo lance de Wilmots, nova defesa difícil do goleiro brasileiro. Os brasileiros, ainda sem aproximação em campo, não conseguiam criar boas jogadas ofensivas.

Em um lance isolado e de muita categoria de Rivaldo, o Brasil conseguiu chegar ao primeiro gol, aos 21 minutos. Após cruzamento de Ronaldinho Gaúcho pela direita, Rivaldo, na entrada da grande área, dominou a bola no peito, ajeitou para o pé esquerdo e acertou um bonito chute. A bola ainda desviou no zagueiro e enganou o goleiro belga.

A Bélgica, então, partiu com tudo para o ataque. Aos 27 minutos, o técnico Robert Waseige colocou o goleador Wesley Sonck no lugar do lateral-direito Jacky Peeters. Os erros do Brasil continuaram e os minutos seguintes foram de muito sofrimento para os torcedores.

A tranqüilidade só chegou aos 42 minutos, com um novo gol de Ronaldo, o quinto dele na Copa, igualando-se na artilharia com Miroslav Klose, da Alemanha. Kléberson, que entrara no lugar de Ronaldinho, cruzou a bola pela direita e Ronaldo, no meio da área, só tocou para as redes. Foi o fim dos “diabos vermelhos”.

Kléberson entra e resolve a situação

Kobe

(AE) – Faltavam dez minutos para o fim do jogo quando Luiz Felipe Scolari colocou Kléberson no lugar de Ronaldinho Gaúcho. Com o Brasil vencendo por 1 a 0 e a Bélgica jogando com mais um atacante para tentar chegar ao empate, a substituição tinha um objetivo claro: reforçar a marcação e garantir o resultado.

A mudança, no entanto, acabou resultando no segundo gol brasileiro e consagrando mais um reserva, como havia acontecido com Júnior e Edmílson contra a Costa Rica. Kléberson não chegou a fazer o seu gol, mas deu o passe preciso para Ronaldo garantir a vitória que colocou a equipe nas quartas-de-final da Copa. “O Ronaldo é artilheiro e nós temos que fazer as jogadas para ele fazer o gol. O mérito é todo dele”, disse, tentando minimizar a participação no gol.

Apesar da boa atuação, ele evita falar na possibilidade de entrar. “O importante é estar aqui, ajudando o grupo. Não adianta querer passar por cima dos outros jogadores.” (EL)

Zagueiros acreditam que foram bem

Edmundo Leite

Kobe

(AE) – Alvo de várias críticas na primeira fase, os zagueiros brasileiros estavam aliviados após a vitória. Mesmo com o goleiro Marcos tendo que fazer várias defesas difíceis, os jogadores do setor consideram que tiveram uma boa atuação. O maior argumento foi a falta de gols do adversário mais difícil até agora.

“Acho que conseguimos neutralizar as jogadas deles”, disse Edmílson, que começou jogando mais avançado, marcando Wilmots.

Edmílson considera que as jogadas de perigo que aconteceram contra o Brasil foram fruto da falta de atenção. O fato de a zaga ter deixado o goleiro Marcos em apuros por várias vezes não incomodou. “Ele está lá pra isso”.

Roque Júnior diz que a melhora da defesa diante da Bélgica não aconteceu pelo fato de os jogadores quererem dar respostas às críticas. “Não temos que nos preocupar com isso”, diz o jogador.

Felipão considera o time dos seus sonhos

Kobe

(AE) – A seleção brasileira faz Luiz Felipe Scolari sonhar. Depois de quatro vitórias no Mundial, o treinador só tem elogios para sua equipe, que por enquanto faz trajetória semelhante àquelas de Parreira, em 94, e de Zagallo, em 98, e que chegaram à final. A “família” Felipão torna-se cada vez mais realidade – pelo menos em sua avaliação. “Este grupo tem mostrado tudo o que sonhei, nas equipes em que já dirigi”, avaliou o técnico depois da partida. “Há amizade, trabalho, união e dedicação”, enumerou. “Isso me deixa satisfeito e explica por que estamos superando desafios.”

Felipão fez questão distribuir méritos para todos, como forma de não melindrar ninguém nem fechar o foco em alguns craques. Por isso, não creditou a passagem para as quartas-de-final como obra de Rivaldo e Ronaldo, os goleadores da seleção e responsáveis por nove dos 13 gols marcados até agora pelo melhor ataque da Copa. “Há o trabalho de equipe e a qualidade individual de nossos jogadores”, comparou. “Temos bons finalizadores, temos qualidade nos chutes de média distância e Ronaldo perturbou os zagueiros o tempo todo”, recordou. “Mas as duas coisas andam juntas: equipe e talento.”

O técnico do Brasil vibrou demais nos dois gols, além do que normalmente faz. A reação foi a forma que encontrou para aliviar a tensão provocada pelo jogo equilibrado. Ele admitiu ter sofrido, tanto quanto os torcedores que estavam no estádio ou que acompanharam pela televisão. Mesmo nessa angústia pelo resultado que não vinha, Felipão viu méritos na equipe. “Sabíamos das dificuldades que encontraríamos”, disse. “Mas temos um time que luta, que busca o resultado até o fim, mesmo que algumas vezes surjam alguns erros”, admitiu.

Os ingleses passam a ser o objeto de preocupação só a partir de hoje. Na noite de ontem, pelo menos, tinha apenas um desejo. “Quero descansar”, revelou. “Agora, não quero falar de Inglaterra.”