Belo Horizonte – A seleção brasileira enfrenta a Argentina apreensiva e ainda sob o impacto do corte de Ronaldinho Gaúcho. A preocupação da comissão técnica e, em especial, dos jogadores é por novas lesões no confronto mais importante da sexta rodada das eliminatórias da Copa, hoje, 21h45, em Belo Horizonte.

Nenhum jogador do Brasil vai jogar sem medo de estourar os músculos. Carlos Alberto Parreira está ansioso. Teme perder peças importantes, que possam acabar com seu projeto de conquistar seis pontos contra os argentinos e os chilenos, adversários de domingo, em Santiago.

Cautela é a palavra-chave. Paciência acima de tudo. Parreira pede ainda cuidado total aos contragolpes do inimigo. “Eles têm um contra-ataque poderosíssimo. Não podemos dar chance. Eles podem usar essa arma sem preocupação. O ideal é sempre ter de sete a oito jogadores nossos atrás da linha da bola. Ocupar bem os espaços”, alertou o treinador.

Outra arma da seleção que o treinador aposta: os lançamentos de Edmílson. Contra a Catalunha, o volante foi decisivo com a bola longa, de surpresa. “Quem vai ditar o nosso ritmo é o Edmílson”, reconheceu o lateral Roberto Carlos.

O papel de Emílson cresceu de importância depois que Parreira optou por Luís Fabiano na vaga de Ronaldinho Gaúcho. O atacante do São Paulo gosta de jogar em função das bolas longas, lançamentos. Ronaldo também.

Com base nesses lançamentos e na movimentação constante de Luís Fabiano e Ronaldo, Parreira espera surpreender os argentinos. “Eles jogarão com três zagueiros. Teremos dois pontas-de-lanças enfiados. Quero ver como vão cuidar dos dois. Não vai ser fácil”, disse o treinador.

Há dez anos, Ronaldo não joga no Mineirão. O problema é que ele anda irritado com a polêmica do excesso de quilos. O assédio de torcedores, garotas, políticos, oportunistas, dirigentes do Cruzeiro com homenagens e imprensa tem sido fora do comum. Quem está fora dessa história de assédio é Luís Fabiano. O atacante do São Paulo quer escrever seu nome na seleção brasileira. Apetite não falta. “É o meu jogo”, avisou o artilheiro.

Os torcedores mineiros não conhecem de perto o goleador do São Paulo. Nem Marcelo Bielsa, técnico da Argentina, e seus pares. Sabem que ele é dado aos gols. Mas não sabem como detê-lo.

Luís Fabiano garante que está em plena forma. Não tem medo de ser traído pelos músculos como a maioria dos seus companheiros de seleção. Ele pode ser a salvação de Parreira, desde que tenha os nervos no lugar e calibre em dia.

Kaká e Luís Fabiano, juntos outra vez

Belo Horizonte –

A dupla do São Paulo se reencontra hoje na seleção brasileira, depois de quase um ano de separação. Kaká disse ontem que seu ex-companheiro de clube pode resolver o jogo para o Brasil e, no futuro bem próximo, jogar com ele no Milan. “Vai ser muito bom atuar do lado dele outra vez. Jogamos juntos dois anos no São Paulo e tínhamos um bom entrosamento. Espero que na seleção isso também aconteça”, elogiou.

Luís Fabiano retribuiu os elogios, mas fez questão de ressaltar que o talentoso não é ele e sim Kaká. “Já mostrou do que é capaz. Foi para o Milan e, de cara, ganhou o Campeonato Italiano. Quer mais?”, afirmou.

A favor de Luís Fabiano conta a convicção, também, de Carlos Alberto Parreira. Ontem, o técnico da seleção brasileira voltou a elogiar o atacante do São Paulo e repetiu que não teme por sua indisciplina. “Tenho certeza de que ele não vai sentir o jogo. Vem atuando bem, tem feito grandes partidas pelo São Paulo. Amadureceu bastante. Não vai trazer problemas para a seleção. Vai, sim, é dificultar as coisas para a Argentina.”

Kaká também garantiu que o seu companheiro terá um comportamento exemplar contra os argentinos, mas fez uma ressalva. “Faz tempo que ele não é expulso, nem leva um cartão. Amadureceu, mas é o Luís Fabiano. Ele não pode mudar sua característica de uma hora para outra.”

Hoje, nas tribunas do Mineirão, Luís Fabiano terá a atenção especial de Joan Laporta, presidente do Barcelona. O dirigente espanhol quer levar o artilheiro e já abriu negociações com o São Paulo. Mas Kaká pode atrapalhar a transação.

Kaká admitiu que gostaria de ver Luís Fabiano no Milan. E deixou escapar a um jornalista italiano que o clube italiano já tem uma proposta para apresentar ao São Paulo.

Pra desempatar a série

Belo Horizonte –

Historicamente, o confronto entre Brasil e Argentina é rigorosamente equilibrado, com 33 vitórias para cada lado e 25 empates em 91 partidas. Mas nas últimas três décadas o domínio brasileiro é tão grande que quase é possível chamar os vizinhos de fregueses.

Nos últimos 30 anos, as duas seleções se enfrentaram 33 vezes, incluindo confrontos nos pré-olímpicos de 2000 e 2004. Foram 15 vitórias brasileiras, contra sete dos argentinos e 11 empates. Só com esta fase de vitórias é que o Brasil conseguiu equilibrar o confronto.

O primeiro jogo entre os dois aconteceu em 20 de setembro de 1914, um amistoso em Buenos Aires que terminou em vitória dos argentinos por 3 a 0.

No começo da história da rivalidade entre os dois países os argentinos abriram vantagem. Entre o início da década de 20 e o final da de 40, foram 15 vitórias argentinas em 24 partidas.

Naquela altura, os argentinos tinham vantagem de 17 a 7 no número de vitórias. E foi logo depois que ocorreu o maior intervalo entre dois jogos: dez anos (1946 a 1956).

A virada do Brasil no histórico aconteceu entre 1970 e 1982, quando a seleção brasileira ficou 12 partidas sem perder para os rivais, o maior tabu já registrado no clássico. Depois, só venceriam em 1983.

Durante o período do tabu, brasileiros e argentinos se enfrentaram três vezes em Copas do Mundo. Em 1974, em Hannover, vitória brasileira por 2 a 1, com gols de Rivellino e Jairzinho. Quatro anos depois, o empate por 0 a 0 em Rosario teve gosto de derrota para os brasileiros, que acabaram eliminados pelos rivais. Os argentinos se classificaram no saldo de gols e foram campeões.

Em 1982, no Estádio Sarriá, em Barcelona, o Brasil venceu por 3 a 1 com gols de Zico, Serginho e Júnior. Maradona jogou e foi expulso após dar uma entrada violenta em Batista.

Em 1990, uma das mais doloridas derrotas brasileiras na história. O Brasil foi melhor durante quase toda a partida, perdeu vários gols e terminou derrotado com um gol de Caniggia, no final do segundo tempo.

Depois de 1990, jogos apenas por competições sul-americanas. Nas últimas eliminatórias, uma vitória para cada lado. No primeiro jogo, no Morumbi, o Brasil fez 3 a 1, com dois gols de Vampeta e um de Alex. Na partida de volta, o Brasil saiu na frente com gol contra de Ayala, mas sofreu a virada: 2 a 1.

Argentina troca liderança pela vitória no Mineirão

Belo Horizonte

– O lateral Juan Pablo Sorín foi quem melhor resumiu o significado para os argentinos de um triunfo amanhã no confronto com a seleção brasileira, em pleno território nacional, pelas eliminatórias da Copa do Mundo de 2006.

“Ganhar do Brasil, no Brasil, é muito mais significativo para a Argentina do que ser líder das eliminatórias”, disse o ex-jogador do Cruzeiro, que atualmente defende o Paris Saint-Germain (FRA).

Após cinco rodadas, a Argentina lidera o torneio com 11 pontos, dois a mais que a equipe brasileira, que ocupa a terceira colocação. A declaração de Sorín, porém, revela o grau de motivação dos atletas argentinos para o clássico sul-americano. O próprio técnico Marcelo Bielsa já havia declarado em seu país que “trocaria a liderança das eliminatórias por uma vitória” sobre o selecionado brasileiro.

Para Sorín, a seleção argentina vive um período de “transição”, mas a identidade é a mesma. “A Argentina sempre vai procurar ser a protagonista do jogo, sempre exercendo pressão. Não deixará jogar os rivais”.

O lateral, que virou ídolo do Cruzeiro entre os anos de 2000 e 2002, foi bastante assediado pelos torcedores mineiros. Ontem à noite, cerca de 100 pessoas recepcionaram a delegação argentina na chegada ao Hotel Ouro Minas. A maior parte era formada por brasileiros que alegaram terem ido ao local por causa de Sorín. O jogador – que está vinculado ao clube mineiro até dezembro de 2005, mas tem o interesse de continuar na Europa – agradeceu o carinho e hoje posou para fotos ao lado de cruzeirenses na porta do hotel.

Treino

Marcelo Bielsa comandou na noite de ontem, a portas fechadas, um treinamento de reconhecimento do gramado do Mineirão. A presença de jornalistas e do público foi proibida pela comissão técnica argentina. Os jogadores passaram o dia todo no hotel. Apenas Sorín, Delgado e Samuel desceram até a recepção para atender a imprensa.

Bielsa não anunciou o time que iniciará a partida, mas é certo que não poderá contar com o zagueiro Ayala, suspenso, o volante Verón e o atacante D?Alessandro, ambos lesionados. Todos vinham atuando como titulares. O armador Riquelme, que se tornou uma opção para o treinador durante os jogos, também está contundido e foi vetado.

Com base na formação utilizada no coletivo realizado ainda em Buenos Aires, a única dúvida estava entre Rosales e Delgado, que não estaria 100% fisicamente. O atacante do Cruz Azul, do México no entanto, garantiu que está pronto para jogar.