Neymar finalmente jogou o futebol que tanto se cobra dele na seleção brasileira. Nesta quarta-feira, o craque foi o diferencial em uma partida em que o time de Felipão não empolgou, mas venceu o México por 2 a 0, na Arena Castelão, em Fortaleza, em duas belíssimas jogadas do seu melhor jogador. O atacante fez o primeiro gol em um lindo chute, aos 8 minutos do primeiro tempo, e deu a assistência para Jô fechar o placar no último lance da partida. Na jogada, dançou na frente de Mier e Rodríguez, deu um drible por baixo da perna do primeiro e passou para o centroavante fazer o segundo dele na Copa das Confederações.

Com o resultado, a classificação à semifinal pode vir ainda nesta quarta, caso a favorita Itália vença ou empate com o Japão, em jogo que começa às 19 horas na Arena Pernambuco, no Recife. Depois, no sábado, às 16 horas, o Brasil enfrenta os italianos na Arena Fonte Nova, em Salvador, valendo o primeiro lugar no Grupo A, resultado importante para fugir de uma eventual semifinal contra a Espanha.

Se do lado de fora da Arena Castelão os protestos reuniram cerca de 30 mil pessoas e culminaram em confronto entre manifestantes e a Polícia Militar, dentro dele o clima foi de dissociação entre as queixas de parte da população sobre diversos temas – incluindo a realização da Copa das Confederações e da Copa do Mundo no Brasil – e o apoio à seleção brasileira. Já com os dois times em campo, poucos atenderam os pedidos de cantar o Hino Nacional de costas para o gramado, mas muitos levantaram faixas de protesto, burlando a proibição de manifestações políticas imposta pela Fifa em seus eventos.

O JOGO – O primeiro tempo foi dividido em duas partes. Na inicial, o Brasil mandou na partida e abriu o placar. Na final, se contentou em impedir que o México, soberano, igualasse a contagem. Mostrando vontade, a seleção começou o jogo pressionando. Criou uma chance com Fred logo no primeiro minuto, fez Corona trabalhar pela primeira vez em um chute fraco de Marcelo e chegou a balançar as redes com Hulk, em lance que já estava parado por impedimento.

O gol parecia questão de tempo e saiu aos 8 minutos. Daniel Alves fez boa jogada pela direita, cruzou, Rodríguez cortou parcialmente e a bola caiu nos pés de Neymar, que pegou de primeira, sem deixar ela cair, e fez mais um golaço, o segundo dele na Copa das Confederações.

Mesmo à frente do placar, o Brasil continuou no ataque. Quase fez o segundo em uma tentativa de Daniel Alves encobrir Corona, que se recuperou e salvou. Depois, aos 22 minutos e meio, exatamente quando o primeiro tempo chegou à metade, Fred deu belo lançamento para Neymar, que matou no peito tirando da marcação, mas acabou chutando por cima.

Depois desse lance, o jogo mudou da água para o vinho. Todo o domínio do Brasil, que até então tinha 60% da posse de bola, passou para os mexicanos. Com Oscar apagadíssimo, Hulk errando demais e os laterais presos, o Brasil não conseguia sair quando tinha a bola e logo a perdia. Na tentativa de parar o rival, também abusou das faltas – foram 15 só no primeiro tempo.

O time mexicano foi totalmente superior na segunda metade do primeiro tempo e foi ao intervalo com 52% de posse de bola, mas não conseguiu assustar Julio Cesar. Rondava a área, mas parava nos zagueiros, principalmente quando tentava pelo alto. A única chance real foi aos 15 minutos, quando o Brasil ainda dominava. Hulk e Marcelo erraram e, depois de longo bate-rebate, Mier mandou raspando a trave direita brasileira.

Para o segundo tempo, o Brasil voltou com uma novidade tática: Hulk pela esquerda e Neymar ajudando Oscar na armação, mais centralizado. O time melhorou um pouco, mas a torcida logo se irritou e começou a pedir Lucas, como tem sido constante desde o início da preparação para a Copa das Confederações.

Aos 9 minutos, Hulk tentou responder à torcida. Fez boa jogada pela esquerda, tabelou com Neymar, recebeu na cara do goleiro, mas chutou muito mal. Depois do lance, ,os dois atacantes do Brasil discutiram. O grande problema, porém, não era nem Hulk, mas Oscar, figura nula o jogo todo. Aos 16 ele saiu para entrar Hernanes, que logo acertou bom passe para Neymar. Corona chegou pouco antes e salvou.

Quatro minutos depois, um raro lance de talento individual do Brasil na Arena Castelão. Paulinho pegou a bola na intermediária defensiva, atravessou o campo fazendo fila e tocou para Neymar. O atacante chutou rasteiro, mas Corona fez sua melhor defesa na partida.

O nível do jogo caiu de forma significativa e nenhum dos dois times parecia conseguir reagir. Lucas só entrou no lugar de Hulk aos 32 minutos, mas não correspondeu tamanha expectativa por ele. Com problemas físicos, Fred deu lugar a Jô, mas nada mudou.

Melhor em campo ao lado de David Luiz, Neymar criou mais uma chance aos 39 minutos, quando deu um lençol pela esquerda, foi à linha de fundo e cruzou. Paulinho recebeu na segunda trave, mas chutou muito mal. Do outro lado do campo, a bola chegou algumas vezes à área de Julio Cesar, mas o México manteve a má forma ofensiva: só fez seis gols nos últimos 10 jogos.

O jogo caminhava para um 1 a 0 sem sal quando Neymar voltou a brilhar. O atacante recebeu pela esquerda, marcado por Mier e Rodríguez, dançou com a bola, deu um “rolinho” em Mier, invadiu a área e só rolou para o sortudo Jô empurrar para as redes. Foi o segundo gol do atleticano, convocado por conta da lesão de Leandro Damião.

FICHA TÉCNICA

BRASIL 2 x 0 MÉXICO

BRASIL – Julio Cesar; Daniel Alves, Thiago Silva, David Luiz e Marcelo; Luiz Gustavo, Paulinho e Oscar (Hernanes); Hulk (Lucas), Neymar e Fred (Jô). Técnico: Luiz Felipe Scolari.

MÉXICO – Corona; Flores (Herrera), Rodríguez, Moreno e Salcido; Torrado (Jimenez), Guardado, Torres (Barrera) e Giovani dos Santos; Mier e Chicharito Hernández. Técnico: José Manuel de la Torre.

GOLS – Neymar, aos 8 minutos do primeiro tempo; Jô, aos 48 minutos do segundo tempo.

CARTÕES AMARELOS – Thiago Silva e Daniel Alves (Brasil); Herrera, Rodríguez e Guardado (México).

ÁRBITRO – Howard Webb (Fifa/Inglaterra).

RENDA – Não disponível.

PÚBLICO – 50.791 pagantes.

LOCAL – Arena Castelão, em Fortaleza (CE).