A ginasta Angélica Kvieczynski foi a quarta colocada no individual geral da ginástica rítmica, bronze na apresentação com arco (prova que não faz parte do programa olímpico separadamente), mas suas notas não chegaram a ameaçar as primeiras colocadas, as norte-americanas Laura Zeng e Jasmine Kerber. De olho na Olimpíada do Rio, Angélica está disposta a qualquer sacrifício para reduzir essa disparidade.

“É um ano decisivo, que estou mais focada na minha vida toda. Quero muito representar o Brasil. Vou fazer o que for preciso. Nem que eu tenha que vender o carro”, afirma. Preocupada com o desempenho no Mundial de Stuttgart (Alemanha), em setembro, Angélica acredita que treinamentos no exterior e intercâmbios internacionais – principalmente no Leste Europeu, polo da modalidade – sejam fundamentais para sua evolução.

“Esse ano treinei só no Brasil. Seria legal viajar mais, está bem difícil a gente ter dinheiro para viajar. A gente está em ano pré-olímpico e precisa disso”, destaca. A dificuldade financeira tem sido um empecilho para a ginasta. “Eu não tenho condições de pagar uma viagem internacional. Minha família não é de um poder aquisitivo muito grande, estou tentando ver com a minha técnica como será a aclimatação antes do Mundial.”

Para a ginasta, a aclimatação na Bulgária antes do Mundial do ano passado teve um papel muito importante na preparação. Agora, ela torce para que isso se repita na Alemanha. O objetivo é usar o Mundial para se garantir nos Jogos Olímpicos. A ginasta brasileira que tiver o melhor resultado no Mundial ficará com o posto que o País tem por direito como sede. A outra opção é estar entre as 24 melhores do mundo e abrir uma segunda vaga para o Brasil.

As fontes de renda de Angélica Kvieczynski são o salário do clube Sadia, em Toledo (PR), a verba da Caixa Econômica Federal repassada pela Confederação Brasileira de Ginástica (CBG) e o programa Bolsa Atleta categoria internacional, no valor mensal de R$ 1.850,00.