Muito assediado na volta ao Brasil após conquistar duas medalhas nas Olimpíadas de Pequim, Cesar Cielo concedeu uma entrevista em um restaurante ainda no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo. Faminto após a longa viagem, Cielo não teve paz nem para almoçar se refugiando na cozinha para comer sossegado.

Mesmo assim o assédio após as conquistas na China parecem fazer bem ao nadador. “É muito bom, não tem coisa melhor que isso. É o reconhecimento do trabalho. Se pudesse voltar no tempo não mudaria nada do que fiz para chegar até aqui”, declarou.

O campeão olímpico dos 50m quer celebrar seus feitos mas afirmou saber que as responsabilidades agora serão maiores. “Hoje vocês estão vendo uma vitória, mas ela veio depois de muitas derrotas. O que vale é o psicológico. Não existe limite, é só acreditar e treinar.”

Morando nos Estados Unidos para treinar e estudar, Cielo diz existir a possibilidade de retornar ao Brasil e elogiou a estrutura da natação brasileira. “O que falta aqui é competição. Lá fora você chega em pequenas competições e fica do lado de um Phelps. Sem contar que temos que estudar também”, frizou.

O período nos EUA parece ter rendido boas relações com os nadadores locais. Antes de nadar a final dos 50m, Cielo esbarrou com Michael Phelps, que acabara de vencer os 100m borboleta, nos bastidores do Cubo D’Água e comentou que o americano quase deixou o ouro escapar. O norte-americano chegou apenas um décimo na frente do segundo colocado, o sérvio Mirolad Cavic.

“O Phelps virou para mim e falou: ‘Você vai deixar isso acontecer com você? Chega forte com a mão na parede’”, afirmou. Sobre a emoção no momento das conquistas, o terceiro melhor do mundo nos 100m livre resumiu como uma explosão de sensações. “Se a torcida aqui no Brasil sentiu um décimo da felicidade que senti, já foi muito. É muito bom. Depois da final dos 50m, só acreditei no que tinha acontecido quando falei com a minha irmã”, comemorou.