Se confirmada a tendência para o jogo deste sábado, a Costa Rica deve passar a maior parte do tempo se defendendo e terá poucas oportunidades de se lançar ao ataque. Mas quando isso acontecer, a experiência e visão de jogo de Bryan Ruíz podem ser decisivas para a equipe aprontar mais uma surpresa e derrubar os favoritos holandeses.

A missão não intimida o jogador, que desde a primeira fase tem sido o principal articulador da equipe e teve papel decisivo para que os costa-riquenhos surpreendessem e terminassem o “grupo da morte” na liderança e invictos, deixando os favoritos Uruguai, Itália e Inglaterra comendo poeira. Nas oitavas, mostrou estrela ao marcar o gol contra a Grécia e ajudar os Ticos a chegarem às quartas de final pela primeira vez.

Mas nem o fato de jogar sem responsabilidade tira o foco do camisa 10. Ter feito história no Brasil deixou Bryan faminto e agora ele espera mais uma vez desafiar as probabilidades e sair com a vitória na Fonte Nova. Otimismo não falta. “O jogo passado contra Grécia era o mais importante de todos, agora é esse (contra a Holanda). Será uma final para nós. Temos feito um excelente Mundial, mas não queremos parar por ai. Sentimos que temos possibilidade de ir além do que fomos até agora. Há uma grande possibilidade de derrotá-los”, disse o jogador.

Além da habilidade e de ser o artilheiro da equipe no Mundial, com dois gols, Bryan teve papel fundamental também como espião, já que atua no PSV e enfrentou boa parte dos convocados por Louis Van Gaal. “É natural que perguntem (sobre os jogadores), revelou. “Do período que joguei, há muitos jogadores do time titular.” As informações foram compartilhadas com o técnico Jorge Luis Pinto, que ouviu atentamente as instruções do jogador para orientar a equipe nos treinamentos. “Isso faz uma diferença grande”, diz o treinador. Do elenco atual da Holanda, Bryan enfrentou oito jogadores e ainda é companheiro de Depay e Wijnaldum, com quem ainda não conversou.

O meia terá mais uma vez a equipe armada para ele desequilibrar. A Costa Rica deve manter a força na marcação para impedir os lançamentos para Robben e deixará seu articulador próximo à área para acionar Campbell e tentar surpreender os holandeses com velocidade. Dessa forma, ele dará o primeiro combate nos defensores e terá liberdade para avançar.

Muito mais visado do que no começo da competição, ele sabe que não terá facilidade no campo e projeta um duelo de muita disputa física. “É uma linda partida. Jogar na Holanda é especial e, ainda mais, jogar contra a Holanda no Brasil. Para mim, isso é muito legal, um sonho para qualquer costarriquenho”, explicou.

Ao menos contra os outros favoritos na fase de grupos, a estratégia funcionou perfeitamente e a esperança é que o cenário se repita. Se Bryan Ruiz estiver inspirado como nas outras partidas, a vida costa-riquenha pode ficar mais fácil.