São Paulo – Não se sabe ao certo o valor da fatura. Mas ontem, finalmente, BAR e Williams divulgaram o acordo que resultou na permanência de Jenson Button no time que defende desde 2003. O inglês tinha assinado com a Williams no ano passado. Para não obrigar o piloto a cumprir o contrato, o time cobrou caro. O valor pode ter chegado a 25 milhões de euros. Com a grana, a Williams vai pagar os motores Cosworth em 2006 e ainda sobrará um troco.

Button, assim, será o ?novo Schumacher? de Rubens Barrichello. Um companheiro de equipe de alto nível, apoiado maciçamente pela estridente imprensa britânica e desesperado para ganhar sua primeira corrida. Ele disputou 97 GPs e ainda não conhece o gostinho do degrau mais alto do pódio.

Ontem, Rubens disse que a confirmação de Button foi uma boa notícia. ?Eu gosto dele, nos damos bem dentro e fora da pista, é um cara legal?, falou. ?A BAR é uma equipe que vai crescer e tenho certeza que minha motivação por estar num time novo, com a garantia de tratamento igual para os dois pilotos, vai continuar sendo muito grande, sempre em busca do sonho de ser campeão.?

Sonho que não foi realizado em seis anos de Ferrari, mas que não o deixou frustrado. ?Tive muitos momentos bons aqui?, garantiu. ?Claro que teve todo um lado político meio difícil às vezes, mas aprendi e cresci muito nesses anos todos. E tudo que aprendi vai ser muito importante para mim e para a BAR nessa minha nova fase.?

Barrichello, pela primeira vez desde 2000, não chega a Interlagos com a expectativa de vitória. ?Tecnicamente, há carros melhores que os nossos. Mas talvez essa ausência da pressão seja algo positivo. E tenho certeza que vou contar com o apoio da torcida, como acontece todos os anos aqui.?

A dupla ?B&B?, Barrichello e Button, vai ser uma das ?mais fortes? da próxima temporada, na opinião de Gil de Ferran, diretor-esportivo da BAR. ?Ficamos muito satisfeitos com o fim dessa novela. Agora podemos nos concentrar no futuro?, afirmou o diretor-geral Nick Fry. Jenson, por sua vez, agradeceu à Williams por sua liberação. ?Temos muitos objetivos para alcançar na BAR e quero estar aqui quando isso acontecer. E sei que vai acontecer?, espera o inglês.

Com a confirmação dos dois pilotos para 2006, Takuma Sato ficou a pé. O japonês não fez nenhum comentário sobre seu futuro. ?Não é a hora certa. Por enquanto, quero só dizer obrigado a todos que me ajudaram.?

Hoje é dia de trabalho duro para todos em Interlagos. Acontecem as primeiras reuniões entre pilotos e engenheiros e a maioria deles vai andar pelos 4.309 metros do circuito para ver de perto as mudanças na pista ? a remoção do muro interno no S do Senna e o asfaltamento da área de escape no Mergulho. Os treinos para o GP do Brasil, que pode dar o título a Fernando Alonso domingo, começam amanhã às 11h.

Pizzonia critica ?mistérios? da Williams

São Paulo – Ligado à Williams desde 2002, quando fez seus primeiros testes pela equipe, Antônio Pizzonia está perdendo a paciência com os mistérios de seus patrões. Ele corre domingo em Interlagos, mas não sabe se disputa os GPs do Japão e da China. Provavelmente não. ?Mesmo na Bélgica, eles já sabiam que o Heidfeld não poderia correr e só me avisaram na quarta-feira, dois dias antes de começarem os treinos. Essa ansiedade é muito ruim para mim?, falou o amazonense.

E se o piloto está ansioso para saber o que vai acontecer com ele no final de temporada, o ano que vem é motivo de mais interrogações ainda. Pelo menos a definição da permanência de Jenson Button na BAR aumentou suas esperanças de ser titular. O inglês era o preferido da Williams. ?É um banco disponível. Está cheio de piloto querendo sentar nele, mas espero que eu consiga.?

Para tanto, será importante um bom resultado no Brasil. Pizzonia correu duas vezes pela Williams neste ano. Foi sétimo em Monza e bateu em Spa. ?Tenho de ser realista. A gente vai tentar os pontos em Interlagos. Mas um pódio seria um sonho?, disse. ?Correr em casa é sempre especial e eu gosto muito deste circuito.?

Antônio admite que sua situação na Williams é ?incômoda? e critica a política do time de anunciar tudo de última hora. Por isso, garante que não vai esperar muito se alguma chance de correr aparecer antes de seus chefes resolverem quem vai ser o companheiro de Mark Webber no ano que vem. ?Tenho propostas da Fórmula Mundial e a chance de fazer algumas corridas na A1 GP. Eu quero é correr?, falou.

Na F-1, na prática, a única vaga disponível é mesmo a da Williams. A Minardi, comprada pela Red Bull, deve alinhar Vitantonio Liuzzi e Scott Speed. A Jordan, comprada pelo grupo Midland, capitaneado por um investidor russo radicado no Canadá, praticamente fechou com Christijan Albers e Anthony Davidson.