E eis que surge a BAR e desbanca a Ferrari na casa dos italianos. Antes de começar a temporada, ninguém apostaria um euro furado numa equipe que nunca venceu uma corrida, nem tinha feito uma pole.

Ímola, San Marino – Mas graças a Jenson Button, o fechadíssimo clube dos grandes times da Fórmula 1 é obrigado a receber um novo membro, enquanto se despede de outro, a McLaren.

Pelo menos neste início de temporada, é assim: a BAR é grande e pode sonhar em desafiar a Ferrari, que ganhou tudo neste ano até aqui. Ontem, em Imola, Button conseguiu a primeira pole de sua carreira e a primeira da BAR, equipe criada em torno de Jacques Villeneuve que estreou em 1999 prometendo mundos e fundos e parou nos fundos.

Foi Villeneuve sair para o time crescer. A Honda, que faz seus motores, acertou a mão e eles não têm quebrado. Os pneus Bridgestone, feitos sob medida para a Ferrari, foram trocados pelos Michelin. Button subiu ao pódio em Sepang e Sakhir e, partindo na primeira posição do grid para o GP de San Marino, obrigatoriamente tem de ser colocado entre os favoritos à vitória na corrida de hoje, apesar de Michael Schumacher.

E foi o alemão quem deu o testemunho mais eloquente do crescimento da BAR ao comentar sua segunda posição no grid. “Quando vi o tempo que Jenson fez, percebi que na minha volta era tudo ou nada. Acabei exagerando e quase rodei na Variante Alta. Mas mesmo se tivesse feito uma volta perfeita, acho que não conseguiria fazer uma volta melhor que ele.”

Button comemorou com serenidade o resultado. “Fazer a pole é uma coisa, ganhar a corrida é algo bem mais difícil”, declarou, abusando do óbvio e, ao mesmo tempo, encarando com naturalidade a façanha. Seu tempo, 1min19s753, é recorde para o circuito que se despede do calendário hoje ? será substituído pela Turquia em 2005. Foi 0s258 melhor que o de Michael.

Jenson interrompeu uma sequência de três poles de Schumacher nesta temporada e tirou a Honda de um longo jejum. Desde 14 de junho de 1992 que a montadora japonesa não colocava um piloto na primeira posição do grid. Foi em Montreal, com Ayrton Senna, então na McLaren. A última vitória também aconteceu naquele ano, na corrida de Adelaide, com o companheiro de Ayrton, Gerhard Berger.

A segunda fila do GP de San Marino terá Juan Pablo Montoya, da Williams, e Rubens Barrichello, da Ferrari. O companheiro de Button, Takuma Sato, larga em sétimo. Os outros dois brasileiros tiveram um desempenho discreto: Cristiano da Matta em décimo com a Toyota e Felipe Massa duas posições atrás, com a Sauber.

O desastre do dia foi mais uma vez a McLaren. David Coulthard ficou em 11º e Kimi Raikkonen, pela segunda vez seguida, parte em último. Depois da pré-classificação a equipe notou que o motor Mercedes teria de ser trocado. Com isso, o finlandês nem fez sua volta lançada. Kimi, vice-campeão no ano passado, ainda não somou pontos em 2004. Abandonou as três corridas com o motor quebrado.

O GP de San marino começa hoje às 9h de Brasília e terá 62 voltas.

Diário de Ímola

Acaba jejum inglês

Desde o GP de Portugal de 1996 que um piloto inglês não largava na pole-position na F-1. Naquela ocasião, foi Damon Hill, que corria pela Williams. Button tornou-se o 85º piloto da história a fazer uma pole, e a BAR entrou na lista das 33 equipes que já conseguiram a primeira posição num grid.

Cristiano feliz

Cristiano da Matta larga pela terceira vez seguida no ano entre os dez primeiros e disse ter ficado feliz com o resultado. “Vamos tentar marcar uns pontos”, falou o mineiro, décimo no grid, três posições à frente de Olivier Panis, seu companheiro de equipe. Felipe Massa, da Sauber, está em 12º.

Barrichello: foi médio

O quarto lugar de Rubens Barrichello no grid é seu pior neste ano. “O carro melhorou em relação a sexta-feira, mas acho que cometi um erro no último setor e isso me custou algumas posições preciosas”, falou. “Mas temos um bom carro para a corrida.” Luca di Montezemolo, presidente da Ferrari, acompanhou o treino na mureta dos boxes e vibrou quando Rubens fez sua volta. Depois, fechou a cara quando ele foi sendo batido.

GP De San Marino – Grid de largada

Imola, 4.933 m; tempo: sol, 27ºC; média do pole: 222,672 km/h

1) Jenson Button (ING/BAR-Honda/M) 1min19s753

2) Michael Schumacher (ALE/Ferrari/B) 1min20s011

3) Juan Pablo Montoya (COL/Williams-BMW/M) 1min20s212

4) Rubens Barrichello (BRA/Ferrari/B) 1min20s451

5) Ralf Schumacher (ALE/Williams-BMW/M) 1min20s538

6) Fernando Alonso (ESP/Renault/M) 1min20s895

7) Takuma Sato (JAP/BAR-Honda/M) 1min20s913

8) Mark Webber (AUS/Jaguar-Cosworth/M) 1min20s921

9) Jarno Trulli (ITA/Renault/M) 1min21s034

10) Cristiano da Matta (BRA/Toyota/M) 1min21s087

11) David Coulthard (ESC/McLaren-Mercedes/M) 1min21s091

12) Felipe Massa (BRA/Sauber-Petronas/B) 1min21s532

13) Olivier Panis (FRA/Toyota/M) 1min21s558

14) Christian Klien (AUT/Jaguar-Cosworth/M) 1min21s949

15) Giorgio Pantano (ITA/Jordan-Ford/B) 1min23s352

16) Nick Heidfeld (ALE/Jordan-Ford/B) 1min23s488

17) Gianmaria Bruni (ITA/Minardi-Cosworth/B) 1min26s899

18) Zsolt Baumgartner (HUN/Minardi-Cosworth/B) 1min46s299

19) Giancarlo Fisichella (ITA/Sauber-Petronas/B) sem tempo

20) Kimi Raikkonen (FIN/McLaren-Mercedes/M) sem tempo