Rio – Logo ao desembarcar no Aeroporto Tom Jobim, no Rio, o técnico Carlos Alberto Parreira deu uma demonstração de que os últimos três jogos da seleção contra Haiti, Bolívia e Alemanha podem ter mudado seus planos para a definição da equipe titular das Eliminatórias do Mundial de 2006.

Dos cinco afastados das três partidas por punição aplicada pela CBF, apenas o lateral Cafu tem volta assegurada para o confronto com a Venezuela, dia 9 de outubro, em Maracaibo. “Ele será novamente o capitão do time”, disse Parreira, depois de longa viagem, desde Berlim. O treinador não quis falar especificamente sobre a situação dos outros quatro atletas (Dida, Kaká, Lúcio e Zé Roberto).

Na verdade, preferiu não se estender sobre o assunto. “Eles deverão ser convocados”, limitou-se a dizer. Os jogadores não estiveram com a seleção nos últimos dias por falta de empenho no processo de liberação para o amistoso com o Haiti, em 18 de agosto. Pelo menos essa foi a avaliação da CBF, ratificada pela comissão técnica. Roberto Carlos, então, ocupou interinamente o posto de capitão.

Diante da insistência de perguntas sobre o aproveitamento dos atletas de Milan (Dida, Cafu e Kaká) e do Bayern de Munique (Lúcio e Zé Roberto), contra a Venezuela, Parreira deu uma resposta que pode ter interpretação desfavorável para alguns dos ?rejeitados?. “O futebol brasileiro é rico em valores. Nós temos que estar atentos. Aqueles que aproveitam as oportunidades, devem ficar no time.”

Na zaga, por exemplo, Roque Júnior continuará como titular e Juan pode ter deixado Lúcio para trás na disputa da outra vaga. Embora o treinador crie um clima de suspense, Dida e Kaká devem ser escalados para o jogo com a Venezuela, válido pela rodada final do primeiro turno das eliminatórias. O goleiro Júlio César e o atacante Adriano voltariam para a reserva.

Pelo pouco que produziu na seleção contra Bolívia e Alemanha, Belletti vai ter de se contentar com a suplência, isso se não for barrado por Maicon e nem constar da lista de convocados. Cafu, como antecipou Parreira, vai vestir novamente a camisa número 2 da seleção. Restaria saber se Zé Roberto entraria no meio, a fim de desempenhar o papel de Edu nas últimas partidas.

Parreira disse ainda que o amistoso com a Alemanha serviu para que a comissão técnica ampliasse o campo de observações, visando à formação do time ideal para as eliminatórias. “Quanto mais opções, melhor. Só não podemos perder o rumo e, de repente, querer formar três, quatro times; isto não levaria a lugar nenhum.”

Ele rebateu as críticas de que a seleção atuou mal ou displicente contra os atuais vice-campeões mundiais. Afirmou que o Brasil disputou o amistoso mais importante desde o Mundial de 2002, contra uma equipe de tradição, “de chegada”, que atuava em casa, no estádio que receberá os dois finalistas da Copa do Mundo de 2006. “A motivação dos alemães foi muito intensa. E nós atuamos com seriedade, senão, teríamos perdido o jogo.”

Marcos

Parreira deu um voto de confiança ao goleiro do Palmeiras, afastado do time por contusão. Disse que Júlio César vem-se destacando na seleção, mas que isso não representa uma ameaça ao pentacampeão mundial, pelo menos enquanto reserva imediato de Dida. “O Marcos, com toda experiência acumulada e como um dos melhores jogadores do Mundial de 2002, merece consideração.”

Rijkaard se irrita com atitude de Parreira

Madri – Frank Rijkaard está aborrecido com Carlos Alberto Parreira. O holandês que treina o Barcelona decepcionou-se com seu colega brasileiro por ter escalado Ronaldinho Gaúcho no amistoso com a Alemanha, no meio da semana. Em sua avaliação, o jogador poderia ter sido poupado, já que se recuperava de contusão no tornozelo que o havia tirado até da abertura do Campeonato Espanhol, duas semanas atrás.

“Entendo a responsabilidade de um técnico de seleção”, disse Rijkaard, que já comandou a Holanda. “Mas era um simples amistoso e não uma final”, lamentou. “O Brasil tinha outras boas opções. Entre pessoas inteligentes, isso se resolveria.”

Ronaldinho Gaúcho havia participado também do duelo com a Bolívia, no domingo, pelas eliminatórias, e na quinta-feira se reapresentou ao Barcelona queixando-se de dores. Por conta disso é incerta sua presença na partida de hoje contra o Sevilla no Camp Nou, pela segunda rodada da temporada de 2004-05. “Ele só joga se estiver bem”, afirmou Rijkaard. “Caso contrário, não vale a pena ficar nem no banco.”

O Real também se apresenta hoje diante de seu público – e contra o Numancia. O técnico Antônio Camacho terá força total, com Roberto Carlos e Ronaldo confirmados. Figo e Zidane também jogam, além de Beckham, Owen e Raúl. O outro jogo do dia na Espanha será entre Athletic Bilbao e o atual campeão Valencia.