As contratações do zagueiro Renato Silva e do atacante Washington, somadas às do lateral-direito Wagner Diniz e ao volante Eduardo Costa, que já haviam sido anunciados na semana passada, mantêm a filosofia “pé-no-chão” do São Paulo.

O clube faz o possível para contratar jogadores a “custo zero”, ou seja, sem pagar multa rescisória, mas só os salários dos jogadores que têm contrato se encerrando com outros clubes.

“Temos uma política financeira muito rígida”, constata João Paulo Jesus Lopes, diretor de futebol do São Paulo. “Isto é cultural, uma filosofia que o clube costuma manter.” Wagner Diniz estava no Vasco, e Eduardo Costa foi liberado pelo Espanyol, assinando com o São Paulo por três anos.

Renato Silva, zagueiro que não queria mais permanecer no Botafogo, é do time paulista por quatro temporadas, enquanto Washington deve assinar um compromisso mais curto, até o fim do ano que vem. “Costumamos aproveitar estas oportunidades”, conta o orgulhoso Jesus Lopes. “São jogadores que agradam ao clube e estavam à disposição no mercado.”

Olho do Juvenal

As contratações passam pelo crivo do presidente Juvenal Juvêncio, um conhecedor dos negócios do futebol e que tem completa autonomia para controlar as finanças do clube. “É um azar do mercado”, diverte-se Jesus Lopes, gabando-se do tino que o atual dirigente máximo do clube possui para fazer bons negócios.

O presidente é o homem responsável por manter a filosofia que o próprio técnico Muricy Ramalho já assimilou quando vai indicar reforços. “O São Paulo só contrata se for um bom negócio para o clube”, costuma dizer o treinador.

E é exatamente essa política de austeridade financeira que pode prejudicar a contratação do argentino Conca, cujo contrato com o Fluminense também está no fim. O São Paulo ainda não se convenceu a pagar os US$ 2,8 milhões (R$ 6,7 milhões) pedidos pelo River Plate pelos direitos do jogador.

“Nós também podemos gastar um pouco mais para trazer algum atleta”, lembra Jesus Lopes. “Aconteceu isto com o Dagoberto (R$ 5,2 milhões), por exemplo, que nós consideramos um jogador importantíssimo.” Como o River está irredutível, resta aos dirigentes são-paulinos se convencer da importância do argentino.

Enquanto isto, o lateral-esquerdo Leandro, que atuou no Palmeiras em 2008, está mais próximo. Ele tem vínculo com o time do Porto e seria cedido por empréstimo – e o São Paulo tenta pechinchar com os portugueses para reduzir esse valor.