Não é de hoje que Sérgio Malucelli é um dos personagens do futebol paranaense. Desde os tempos de Iraty ele impôs seu estilo, criticado por muitos mas admirado pelos torcedores do Londrina, clube que assumiu a gestão em 2011. Desde que está no Tubarão, Malucelli liderou um espetacular processo de recuperação.

O clube, que vivia um momento complicadíssimo, rebaixado para a segunda divisão estadual, só cresceu de lá para cá. Voltou à elite do Campeonato Paranaense, ganhou o título de 2014, subiu da Série D para a Série C no mesmo ano, e para a Série B no ano seguinte. Em 2016, quase subiu para a primeira divisão, e neste ano conquistou a Primeira Liga em uma emocionante decisão contra o Atlético-MG na última quarta-feira (4).

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"A Primeira Liga é a coroação de um projeto", resume Sérgio Malucelli. Foto: Gustavo Oliveira/Londrina EC
“A Primeira Liga é a coroação de um projeto”, resume Sérgio Malucelli. Foto: Gustavo Oliveira/Londrina EC

Foi a coroação de um projeto que de longe parece ser apenas de flores, mas que teve crises e muita dificuldade. “É a primeira conquista nacional do Londrina depois de 37 anos para a cidade. Só isso já resume a importância. Não é fácil conquistar um título desses”, disse Sérgio Malucelli, em entrevista à Gazeta do Povo. O último título nacional do LEC tinha sido a Taça de Prata (equivalente à Série B) em 1980.

Um dos grandes trunfos do Tubarão é a estabilidade dada ao técnico Cláudio Tencati. Comandando o time desde abril de 2011, ele sofreu pressões da torcida e da imprensa, mas Malucelli em momento algum pensou em trocar de treinador. “O Tencati está comigo há nove anos, desde a época que nós estávamos no Iraty. É um cara sério. Não adianta mandar embora porque perdeu dois ou três jogos. Por isso tem tantos clubes quebrados no Brasil”, diz o cartola.

O planejamento do Londrina não mudou, mesmo com tropeços no caminho – como a eliminação precoce no Paranaense de 2016 e os resultados negativos em casa na Série B deste ano. Até por conta desse trabalho, Malucelli vê no Paraná Clube não um rival, mas um clube que segue caminho semelhante. “Tem que ser uma rivalidade sadia. Nós torcemos por eles. Hoje mesmo, estou torcendo para o Paraná na Série B. Eles estão fazendo uma grande campanha”, elogiou.

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A mesma visão não se aplica a Atlético e Coritiba. “Responsáveis indiretos” pelo título do Tubarão – afinal, o LEC entrou na Primeira Liga depois da desistência da dupla Atletiba -, Sérgio Malucelli não aceita a postura dos clubes na negociação dos direitos de transmissão do Paranaense. “Atlético e Coritba querem fazer diferente de todo mundo. O que eles sofreram no Brasileiro e na Primeira Liga, que eles alegam sobre igualdade de valores, eles acabam fazendo o mesmo aqui”, atirou.

O gestor vai além. “Enquanto houver essa diferença todo mundo perde. Acho que eles estão completamente equivocados sobre o Paranaense. O que Atlético, por exemplo, ganha se não for o Estadual?”, completou Malucelli, que não esconde o final perfeito para a temporada. “Nosso projeto para esse ano é ainda subir. Enquanto tiver uma esperança, eu acredito”, resumiu.

A festa da torcida do Tubarão na final da Primeira Liga. Foto: Gustavo Oliveira/Londrina EC
A festa da torcida do Tubarão na final da Primeira Liga. Foto: Gustavo Oliveira/Londrina EC