Um título construído em vários momentos. A coroação do projeto do Operário veio no sábado, com a conquista da Série C do Campeonato Brasileiro. Mas a transformação do clube que sofria com os problemas comuns de clubes do interior em um dos integrantes do grupo dos 40 maiores times do País é um trabalho de muitos, por muito tempo, e com um sucesso poucas vezes visto no futebol paranaense. Definitivamente Ponta Grossa está incluída no mapa do futebol brasileiro.

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A marca inédita de ganhar as séries C e D em anos consecutivos faz do Fantasma um “emergente” nacional no mesmo perfil da Chapecoense, do Joinville (que subiu todas as divisões e agora caiu de novo) e do Londrina. Chape e Tubarão se consolidaram e hoje são respeitados em todo o Brasil. E o projeto ponta-grossense entra no mesmo espírito.

É bom lembrar como o Operário começou essa história. Em 2014, o clube disputou o Torneio da Morte do Campeonato Paranaense, e vinha de campanhas irregulares. Competições nacionais passavam longe. Foi quando um grupo de empresários da cidade resolveu chacoalhar o Germano Krüger. Sabia-se que ali estava uma das marcas mais relevantes do Estado, numa das maiores cidades do Paraná. O Fantasma era viável, mas faltava a estrutura.

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Foto: Josué Teixeira
A torcida do Operário no Germano Krüger. O clube era viável, faltava apostar nele. Foto: Josué Teixeira

Foi o que se fez. O estádio de Vila Oficinas foi recuperado, o departamento de futebol foi refeito, foi feito um planejamento de longo prazo. Foi quando chegaram Itamar Schulle e Gerson Gusmão – então técnico e auxiliar, no sábado rivais por Cuiabá e Operário. O “criador” iniciou o caminho, foi campeão paranaense e deixou as bases de um trabalho sólido. A “criatura” comanda o time há mais de dois anos, saiu da segunda divisão estadual e conduziu o Operário a dois títulos nacionais seguidos.

O trajeto não foi fácil. E nem só de bons momentos – como citado acima, houve um traumático rebaixamento para a segunda divisão estadual. Mas, entre os méritos do grupo de gestão do clube foi não desistir nem nos piores dias. O plano seguiu, e o tempo mostrou que a decisão foi certa.

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E veio com doses de sofrimento e emoção. No jogo de sábado, Bruno Batata fez o gol do título no segundo tempo, mas o grande personagem – do título, do acesso e desta temporada – foi o goleiro Simão. Com a atuação mais assombrosa que se tem notícia recentemente (e num futebol paranaense com ótimos goleiros), Simão fez cinco milagres e garantiu a vitória que calou 41 mil pessoas na Arena Pantanal.

Agora, virão maiores desafios. O salto da Série C para a Série B é forte, e os gestores do Operário sabem disso. Mas agora é hora de comemorar uma conquista rara para o futebol paranaense. E de bater palmas para mais um projeto que deu certo, e que ensina várias lições para todos os nossos clubes.