Vinte times na Série A, vinte times na Série B. Trinta e oito rodadas em menos de oito meses – com parada para a Copa do Mundo no meio. São ao todo 760 partidas em 244 dias, uma corrida maluca por tantos objetivos. Há quem entre no Brasileirão querendo o título, seja da primeira, seja da segunda divisão. Se na elite quem luta pela taça tem o alento de poder garantir uma vaga na Libertadores, tem quem diga que na Segundona são “quatro campeões”, os quatro times que conseguem o acesso. Tem também a turma do limbo, aquela que não vai nem pra cima e nem pra baixo. E tem os que sofrem, os que ficam o tempo todo nas últimas colocações e precisam fugir do rebaixamento.

É possível apontar, desde o início das competições, quem pode chegar longe e quem deve decepcionar. Mas não há nenhum campeonato mais imprevisível do que o Brasileiro. É o único do mundo em que se pode apontar pelo menos dez times no mesmo nível (quando não mais). Se tratarmos do que chamam de “eixo do mal”, são doze times que entram praticamente em igualdade de condições todo ano – este 2014 serão onze, porque o Vasco disputará a Série B. Mas Flamengo, Fluminense, Botafogo, Corinthians, Santos, São Paulo, Palmeiras, Grêmio, Internacional, Atlético-MG e Cruzeiro entram sempre como forças do Brasileiro.

E como dizer que só dois ou três times vão protagonizar o Brasileiro? Ano passado as apostas eram para Corinthians, São Paulo, Inter e Fluminense tomarem conta do campeonato. Aí veio o Cruzeiro, cheio de “refugos”, treinado por Marcelo Oliveira, e atropelou todo mundo, conquistou o título por antecipação e com toda justiça. Mérito dos mineiros, que foram melhores praticamente o tempo todo – tiveram leves ameaças de Botafogo, Grêmio e Atlético (três também fora da lista de favoritos em 2013). E justiça natural por conta do regulamento, que pelo 12º ano consecutivo premia a regularidade na fórmula dos pontos corridos.

Então, não dá pra dizer claramente quem vai se dar bem na Série A. Se olharmos para a Libertadores, que é o melhor parâmetro do início da temporada, mineiros e gaúchos são os favoritos. Mas ao mesmo tempo em que Grêmio, Cruzeiro e Galo surgem como times mais fortes, eles certamente vão privilegiar a competição continental, colocando equipes mistas no Brasileiro. E aí outros times podem se aproveitar. Inter, Corinthians e São Paulo, por exemplo, estão de olho nas brechas que vão se abrir pra levar vantagem. Botafogo, Atlético e Flamengo, os eliminados na Libertadores, querem se redimir e voltar a desbravar a América.

O Fluminense é uma incógnita, pois tem um dos elencos mais caros do Brasil mas nunca engrena. O Santos tem uma meninada com potencial, o Goiás e o Vitória sempre incomodam, o Coritiba quer se recuperar com Celso Roth, o Bahia tem muita força jogando em casa, a Chapecoense é a grande zebra do Brasileiro, e Figueirense, Criciúma e Sport querem surpreender. Em resumo: tudo pode acontecer.

Segundona

A Série B de 2014 é a mais “democrática” da história recente da competição. Dois estados serão representados pela primeira vez – Maranhão (Sampaio Corrêa) e Mato Grosso (Luverdense), fazendo com que onze estados da Federação sejam movimentados pelo campeonato. São Paulo segue tendo mais times, mas são apenas quatro (Ponte Preta, Portuguesa, Bragantino e Oeste) em vez dos sete em 2008 e 2011. Mineiros, pernambucanos, potiguares, cearenses, catarinenses e goianos têm duas equipes, e Rio de Janeiro e Paraná têm um time cada.

O time carioca é o Vasco, a equipe a ser batida e grande favorito ao acesso. De resto, a luta está aberta, e é nisso que o Paraná Clube aposta para enfim subir e acabar ,com um recorde nada agradável, o de recordista consecutivo em disputas da segunda divisão.