Paulo Campos arrumou a cabeça do elenco
e o preparador Wilian Hauptman agradece.

O técnico Paulo Campos já prepara variações e estratégias que podem ser aplicadas já na próxima semana. Com a contratação de reforços e a recuperação de jogadores que estavam no departamento médico, prevê um grupo fortalecido e coeso para a reta final do Brasileiro, onde a meta é assegurar a permanência na Série A. O treinador já completou três semanas à frente do Tricolor e imagina que o elenco estará perfeitamente ajustado em, no máximo, dez dias.

“Toda e qualquer mudança demanda tempo”, comentou. “Por mais que já tivesse trabalhado no clube, precisei de um prazo para reorganizar o time”. Paulo Campos também fixou o tempo por ele considerado suficiente para que os recém-contratados Émerson, Marcelo Passos, Jair Bahia e Marquinhos se ajustem ao grupo. “Tenho algumas idéias e, pela receptividade do elenco, elas poderão ser aplicadas num futuro muito próximo”. É o caso de Émerson, que pode entrar no time – dentro de duas rodadas, aproximadamente – provocando uma alteração tática.

Mesmo focado no jogo deste domingo, frente ao Botafogo, Paulo Campos não esconde que as chegadas de Émerson e Marcelo Passos lhe abrem novas perspectivas. O experiente zagueiro, por exemplo, poderia entrar numa função de líbero. Neste caso, o Paraná poderia adotar o 3-5-2, ou simplesmente adiantar João Paulo para o meio-de-campo. A situação de Passos é parecida. Mesmo sendo um meia-atacante, o jogador já atuou como ala e garante estar pronto para ser aproveitado, independente de posição.

“Vim para ajudar. Não sei o que pensa o técnico, mas espero estrear o quanto antes”, disse. Um pouco destas novas estratégias, Paulo Campos já debateu com o grupo ontem pela manhã. E de uma forma curiosa. Após o trabalho tático normal, onde fez ajustes no posicionamento do time titular, sentou-se no centro do gramado e, em uma prancheta, mostrou suas idéias ao grupo. “Hoje, já temos um padrão organizado. Mas, nesta reta final vamos precisar de variações. A qualidade de elenco fará a diferença nesta caminhada, que ainda é muito complicada”.

Para Campos, a “cozinha” já está arrumada – os números comprovam isso, pois foram apenas três gols sofridos em quatro jogos disputados -, mas ainda há muitos detalhes a corrigir. O treinador encara com naturalidade o fato de o Tricolor ter mudado seu perfil. Se antes de seu retorno o Paraná não vencia fora de casa, agora os resultados como visitante são expressivos. Porém, o time não conseguiu vitórias nos dois jogos disputados no Pinheirão. “Os times que estão com regularidade em seus domínios são aqueles que têm grupos de muita qualidade. Ainda estamos nos acertando, mas vamos em busca do ponto ideal”, avisou.

Este, segundo o técnico, é apenas seu primeiro ciclo à frente do Paraná. “Quando voltei, estabeleci duas metas. A primeira é fazer com que o clube termine o Brasileiro onde merece, na primeira divisão”, explicou. “O segundo ciclo começa na seqüência, que é conduzir o Paraná à briga pelo título estadual. O clube não pode passar pela situação ridícula dos últimos anos, apenas brigando para se manter na elite estadual. Por isso, já estamos montando um planejamento e um grupo de qualidade”, finalizou.

Preparo físico agora em alta

Há pouco mais de vinte dias, toda a comissão técnica do Paraná foi “dispensada”. O trabalho de todos era questionado, principalmente o da preparação física. Em muitos jogos, o que se via era um time fragilizado e as cobranças recaíram sobre Wilian Hauptman. Três semanas depois, com o retorno de Paulo Campos – que pediu pela manutenção do profissional que ele trouxe ao clube, no início do Brasileiro – o assunto é “página virada”.

Principalmente após os jogos contra Ponte Preta e Guarani, onde o Paraná esteve com um jogador a menos em boa parte dos jogos, mas sem deixar o ritmo cair. “Contra a Ponte Preta, por exemplo, passamos por cima. O time sobrou em campo”, comentou o próprio Hauptman. O que explicaria a mudança de postura com a mesma dinâmica de preparação física e com os mesmos profissionais envolvidos no processo? Wilian tem a resposta na ponta da língua: “é questão de cabeça”.

Para o preparador físico, “quando a cabeça não está boa, o corpo vai junto”. Para Wilian, o jogo em Campinas foi emblemático. “Vínhamos de um jogo desgastante onde o resultado havia sido ruim -derrota para o São Paulo, em casa – e o time se impôs fora de casa, com um jogador a menos por quase 80 minutos. Isso só é possível com boa preparação física e psicológica”, comentou. É, na visão de Wilian, uma questão natural. “Se você não tá legal psicologicamente, você não dorme direito e o corpo acaba sentindo todo esse processo”.

Mesmo ainda relegado à zona de rebaixamento, o Paraná vive, internamente, um bom momento. Há tempos o clube não somava sete pontos em quatro rodadas (aproveitamento de 58,33%) e Paulo Campos tem usado com habilidade esta evolução para tirar ainda mais do grupo. Porém, sem calculadoras ou projeções. “Meu negócio é o próximo jogo e a bola da vez é o Botafogo. O objetivo é a vitória, mas sem permitir que haja abalo emocional no caso das coisas não darem certo”, avisou. Assim, decisão após decisão, o Tricolor segue seu caminho, buscando os pontos que lhe permitam sonhar com a permanência na primeira divisão.