O Comitê Organizador da candidatura do Rio a sede dos Jogos de 2016 anunciou nesta quarta-feira que gastou R$ 85,7 milhões para trazer o evento esportivo, pela primeira vez, para a América do Sul. No entanto, o dinheiro público investido na vitoriosa campanha brasileira foi maior. Na prestação de contas da candidatura, apresentada pelo presidente do Comitê, Carlos Arthur Nuzman, não constavam os recursos extras aplicados pelas três esferas de governo.

O governo federal, o estadual e o municipal bancaram, entre outras coisas, viagens de seus funcionários envolvidos na campanha e serviços na elaboração do projeto olímpico. Essas despesas não entraram no orçamento final do Comitê Organizador da candidatura. A estimativa é a de que somente a prefeitura do Rio tenha investido mais de R$ 10 milhões – ou seja, o gasto com a campanha passaria a ser de pelo menos R$ 95 milhões.

“Pergunte a eles (aos três níveis de governo) sobre os gastos deles”, rebateu Nuzman, durante a entrevista coletiva de encerramento da candidatura do Rio a sede dos Jogos de 2016, nesta quarta-feira, no prédio do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), na Barra da Tijuca (zona oeste do Rio).

De acordo com Nuzman, o Comitê Olímpico Internacional (COI) só exige a prestação de contas do Comitê Organizador, que tem de ser entregue até o fim do ano. Na primeira fase da candidatura, quando brigou para ser finalista da eleição, a campanha do Rio gastou R$ 8,6 milhões. E na etapa final de disputa com Chicago, Madri e Tóquio, mais R$ 77,1 milhões foram injetados. Assim, totalizou R$ 85,7 milhões, dos quais R$ 54 milhões provenientes dos três níveis de governo e o restante, dos patrocínios.